<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369</id><updated>2012-01-11T22:55:12.709-02:00</updated><category term='Séries'/><category term='Vida'/><category term='Mãe'/><category term='Cartas'/><category term='Preferidos'/><category term='Crônicas'/><category term='E por falar de gente...'/><category term='Não tente entender'/><category term='Viagem'/><category term='Amigos'/><category term='Pai'/><category term='Textos Curtos'/><category term='Loucura'/><category term='Racionalizando'/><category term='Transbordamento'/><category term='Cotidiano'/><category term='Economia'/><title type='text'>Maricotiando</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>133</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-9086406236749522373</id><published>2011-11-16T01:05:00.001-02:00</published><updated>2011-11-16T01:05:47.216-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loucura'/><title type='text'>Cadê você</title><content type='html'>Eu sei que você odeia receber meus emails, do mesmo jeito que você evita conversas mais sérias, mudar as coisas de lugar. Da mesma forma que você evitou ficar sozinho comigo, em pé, por cinco minutos, olhando nos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, depois de tanto alcool, quando você disse que não queria que as coisas mudassem entre nós... exatamente naquele momento, as coisas já haviam mudado. E dessa vez sem a mínima possibilidade delas voltarem a ser as mesmas. Eu entendo o seu jogo. Eu sei o quanto você gosta de ter sempre uma mulher por perto. Alguém que te trate bem, alguém pra conversar quando você está sozinho e de ressaca. Alguém que você não tenha que enfrentar depois de ter passado a noite junto. E eu sei que isso é um grande motivo para que você não quisesse que as coisas mudassem entre nós. Porque você não teria com quem conversar no day after.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que eu sou uma companhia agradável quando eu quero. Que eu sei exatamente o que dizer quando tudo parece fora do lugar. Eu sei que você gosta do jeito que eu enxergo as coisas de um ângulo diferente. E que, longe, eu sei exatamente o meu lugar. Ou melhor, longe, é fácil você não me deixar transbordar e ir pra onde eu quero. Porque a distância deixa com que as coisas se mantenham, com que nada saia do lugar e pise na realidade. Porque não sou só eu que fantasio. Você alimenta isso como ninguém. E, sabendo que eu estaria perto em poucos dias, você resolveu se afastar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi por causa da bebedeira. Não foi porque as coisas começaram a sair do seu controle. Talvez um pouco por isso. Talvez porque nos aproximamos a ponto de nos encontrar e você ter feito questão de dizer que não era eu quem você queria. Claro que não era eu. Pelo menos não daquela forma, de carne e osso. Mas eu já tinha sido por meses seguidos, quando você tinha tudo a perder e nada pra se agarrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu fantasio. E claro que, nas circunstância, eu fico parecendo a louca da história toda. Mas indivíduos reagem a incentivos, certo? Pelo menos foi assim que eu aprendi nas aulas de racionalização da vida. Sempre foi aí que eu fui parar depois de pensar e tentar explicar cada detalhe, cada merda que eu já fiz na vida. Eu reajo à incentivos. Você reage à incentivos. Todos nós. E a sentença é verdadeira para qualquer tempo e espaço. Aí você faz as coisas e a louca da história toda sou eu. Porque você foge. E eu grito pra ser ouvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando eu resolvo sair disso tudo, calar e viver a vida, esquecer você, ir pro lugar que eu acho que eu pertenço - porque você disse com todas as letras que não queria nada e, mesmo dizendo que não queria que as coisas mudassem, você mudou e se afastou! - você finge que nada está acontecendo e me pergunta "cadê você". Dessa última vez minha vontade de responder o "cadê você" foi de calar. Pra você ver como é a vida do lado de cá. Mas, mais uma vez, eu fui normal, fingi que nada tinha acontecido e respondi. Como eu sempre faço. E você calou. Mais uma vez. Aí eu me desorganizo, fico puta e você diz que eu sou louca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, a impressão que eu tenho é que quando você percebe que eu me afasto e sigo em frente, você me puxa, me cutuca pra eu voltar pro mesmo lugar de antes. Você sente as coisas mudando e tem aversão à mudanças. Não sabe lidar e me testa, me procura, pra saber se está tudo bem ou se eu estou chateada com você. E eu estou. E quando eu reajo de acordo com isso, você não gosta e sai correndo, bravo. Eu chego a pedir desculpas, me sinto exagerada e louca. E começa tudo de novo, do jeito que as coisas sempre foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acabou. Porque até eu canso de joguinhos seguros que não levam ninguém a lugar nenhum. Cansei de ficar metida no meio das suas confusões e do seu vazio sem propósito. Viver uma vida Californication parece legal, parece eufórico, parece coisa de macho alpha. Parece. Mas a verdade é que até você precisava fugir disso de vez em quando. Parece que você não consegue viver por muito tempo vivendo ser quem você não é, que precisa sim de um pouco mais do que superficialidade te proporciona. E eu estava sempre aqui. Eu sempre estaria se você quisesse. E não importa o que tivesse acontecido ou deixado de acontecer. Mas dessa vez não fui eu quem estragou as coisas sozinha. Às vezes eu fico pensando no que aconteceu. Eu sei que eu exagero, que eu penso muito. Mas aí eu penso e, desculpa falar isso, mas você é egoísta. Ou é assim que eu sinto as coisas de vez em quando. Você pensa em você e no seu ego grande. E não sei se você sabe que, o que eu sinto, é real. Porque na minha cabeça, se você soubesse o quanto eu te quero bem, você não faria as coisas como tem feito ultimamente. Ser sincero e dizer, assim, com todas as letras, não machuca mais do que você brincar de dar com uma mão e tirar com a outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem se você perguntasse "cadê você" se você realmente significasse isso. Se você dissesse isso quando realmente quer saber onde eu estou e o que está se passando na minha vida. Quando você sente a minha ausência. Mas não acho que foi bem assim das últimas vezes que isso aconteceu. Porque depois de saber, depois de ter sua dúvida respondida, quem sumiu foi você. Como quem tem a segurança de continuar fazendo exatamente o que estava fazendo depois de saber que eu estava "segura" no mesmo papel, com as mesmas respostas. Com todo o sentimento do mundo, intacto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cadê você não resolve mais. Por mais que eu goste e tenha me disciplinado a responder cada uma das vezes que eu vi essa frase em um dos seus emails, no meio da tarde. Dessa vez respondo o seu cadê você com um email longo. Que nunca será lido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-9086406236749522373?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/9086406236749522373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/11/cade-voce.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/9086406236749522373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/9086406236749522373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/11/cade-voce.html' title='Cadê você'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7055283111983687714</id><published>2011-11-07T23:53:00.000-02:00</published><updated>2011-11-07T23:54:10.388-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Dos últimos dias</title><content type='html'>Não faz nem uma semana que estou longe de casa e tanta coisa já aconteceu. Ando escrevendo muito, sem pensar tanto, no meu caderninho que carrego na bolsa. Da última quinta-feira pra cá já foram cálculos, planos esboçados, sonhos desenhados, fantasias riscadas, expectativas redimensionadas. A realidade começa a tomar conta dos dias, conforme as páginas são viradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei começar a descrever cada um dos dias e do que tem acontecido aqui, mas cansei. Tudo já parecia velho e sem graça no momento que eu tentava pensar sobre isso. As palavras só saíram à lápis, no meio de rabiscos, durante uma pausa e outra de dias tão agitados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se você quer saber, me pergunte. Porque tenho tido uma vontade incontrolável de calar e só responder o que me perguntam. A minha análise termina onde a vida do outro começa. Eu tenho sim minhas opiniões formadas, mas aprendi que palavras só são válidas quando requeridas. Eu vou mudar de ideia muito em breve, é só cansado e preguiça, eu sei... Mas, por hoje, não quero falar do que passou, nem do que terminou, nem do que nunca existiu. Por hoje, eu só quero dormir e deixar que os sonhos venham, sem desejá-los mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7055283111983687714?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7055283111983687714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/11/dos-ultimos-dias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7055283111983687714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7055283111983687714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/11/dos-ultimos-dias.html' title='Dos últimos dias'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2709082493893837624</id><published>2011-11-01T00:08:00.000-02:00</published><updated>2011-11-01T00:09:15.863-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racionalizando'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loucura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>E no meio de tudo isso...</title><content type='html'>Eu já chorei uma meia hora depois que a gente desligou hoje. E você tem razão quando diz que o problema não é saber o que eu quero pra vida. Porque eu sei, só não tenho coragem. E também acho que você tem razão quando diz que eu preciso de um namorado, que ninguém é feliz sozinho na vida. Mas nessa parte, concordo com metade, só. Concordo mais ou menos. É óbvio que eu quero alguém na minha vida, mas não acho que é o que resolveria toda a angústia que eu ando sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que o que me incomoda muito hoje, aqui, é o fato de eu ter me fechado e negar todas as oportunidades de interação social que me aparecem. Eu sei que a culpa é minha e sei também que não faço nenhum esforço pra mudar isso. Mas ao mesmo tempo entendo minha dinâmica de não querer criar laços e construir uma vida aqui, porque essa não é a vida que eu escolhi e não quero que nada me prenda aqui, por enquanto. Seria muito mais fácil se eu tentasse deixar as coisas mais leves e ir levando, tentando no escuro, pra ver no que vai dar. E ir lidando com as situações que aparecem pelo caminho. Porque ninguém tem certeza de nada nessa vida, né? Mas a verdade é que, além de não querer ficar, eu ainda estou machucada e sei que já machuquei algumas pessoas que senti carinho e, infelizmente, só. Eu ainda não consegui digerir coisas que já deveriam ter ficado pra trás, como a minha história com o Ryan, por exemplo. E foi isso que me deixou tão mal semana passada. Porque ele reapareceu e voltou tudo. Tudo que eu tentei esquecer e achei ter superado, chegou gritando no meu ouvido de novo. Não é por ele e o sentimento que eu tive, nem nada disso. Mas o que eu vivi com ele, é saudade de viver isso de novo e não conseguir visualizar acontecendo, com outra pessoa. É a sensação que eu tinha com ele de que nada ia me acontecer, porque ele estava do meu lado, é a paz que eu tinha quando a gente ficava deitado no sofá, assistindo algum filme antigo e eu quase dormindo. E cada vez que eu lembro de tudo isso, tenho a sensação que a vida me ofereceu a minha única chance e eu fiz alguma coisa de muito errada e acabou. Agora, já era, minha vez já passou e não vai voltar mais. Porque depois dele apareceram sim pessoas legais, mas com alguma coisa de muito errada - comigo e com a situação - que não deixou dar certo. Além do que eu não sentia o suficiente nem pra querer tentar. E eu magoei quem apareceu, saí fora, porque achei que não valia a pena sentir tão pouco por alguém que sentia muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma sensação muito forte que nada vai mudar, e tanto medo de ter que me despedir de novo, que ando criando barreiras. E isso é horrível! Não tenho deixado ninguém se aproximar direito e, se tentam, eu recuo. E não estou falando só de relacionamentos amorosos nem nada disso. De amizade mesmo. E acho que foi isso que eu fiz com você, inventei motivos pra me afastar de você, cacei argumentos onde não existiam. Porque é mais fácil se afastar com uma briga e falando um monte de coisa que machuca os outros. Dá a sensação de que foi construído um muro, daqueles bem altos e intransponíveis. Mais ou menos o que a minha mãe faz comigo, toda vez que eu saio da casa dela e volto pra minha, seja lá onde minha casa for. Ela briga comigo e fala um monte de coisa que ela sabe que me cutucam, bem no fundo, pra eu sentir bastante dor. Porque é mais fácil cortar os laços dessa forma. E foi isso que parece que eu fiz com você. E parece que é isso que eu tenho feito com todo mundo novo que aparece na minha vida. E arrumo desculpas pra isso. E não é porque elas não são suficientemente boas. É porque eu tenho me isolado e desconfiado - por medo - até da sombra. E quando tem alguém que eu fui deixando entrar despercebido e furando os meus limites, eu faço o que eu fiz com você. E me envergonho disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou tentando explicar nem justificar, sabe? Estou escrevendo pra tentar entender tudo isso, de onde vem. Também acho que essa coisa de querer sair correndo daqui - porque é essa a coisa que tem gritado do fundo do meu estômago - é fuga. E eu tenho fugido demais da minha vida. Foi isso que eu quis dizer pra você ontem, quando eu falei que eu achava que a gente deveria ser feliz wherever we are, whatever we do. Porque mudar - de emprego, de cidade, de país - traz a sensação que a gente pode começar tudo de novo, escrever do começo. E a gente pode mesmo. Mas, no fundo, a minha angústia, meu medo, é escrever tudo igual, como eu fiz aqui. Talvez quando eu mudei pra Toronto, eu tenha escrito tudo de novo, mas de um jeito diferente, completamente novo. E eu estava bem satisfeita com isso. Aqui, eu não consegui fazer isso. E não sei se eu vou conseguir de novo. Tá, eu sei que eu posso, mas ainda assim tenho medo. E é difícil mudar o curso do bonde no meio. Tudo bem, pode não ser difícil pra maioria das pessoas, mas pra mim, é. Ter consciência ajuda muito, mas o fato de eu não ter medo de mudar sempre, acaba fazendo com que virar a página e começar de novo seja mais fácil do que reescrever uma história a partir da metade. É por isso minha aflição quando eu digo que "não posso deixar tudo aqui". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, é superficial pra caralho ser assim, né? E eu tenho deixado tudo no raso mesmo, que eu ando com medo de morrer afogada. Porque é fácil pra mim estar do lado das pessoas quando elas querem conversar, quando o problema está nelas... É fácil falar do que não me afeta diretamente... com certo distanciamento. Mas também acho que vem daí a minha melancolia... Da minha mentalidade. Eu não me aproximo das pessoas, não me envolvo, não tenho que lidar com isso, logo não sofro. Mas também não vivo. Mas isso tem me feito muita falta. Eu sinto um vazio tão grande no peito que chega, às vezes, a sufocar. E esqueço que, se alguém me perguntasse se hoje, se eu voltasse no tempo, eu iria do mesmo jeito jantar com o Ryan depois de ter encontrado com ele no meio da rua e vivido tudo o que eu vivi, eu iria. Mesmo sabendo que eu choraria 1 mês de saudade depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou me fechando a ponto de não conhecer gente nova. Porque eu conheço pessoas no meio da rua, já te contei, né? Mas eu não tenho feito nada pra deixar que elas fiquem, que continuem. E acho que foi isso que eu tentei fazer com você, tentei me afastar, à força. Quando, no fundo, eu não queria. Tem também uma parte de auto-punição da minha parte, em fazer isso, mas nem vou entrar nesse ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que eu tenho consciência de que existe uma parte em fugir, em querer sair daqui, por causa da história da página em branco, isso não invalida o fato de eu não gostar do que eu faço e saber que não é isso que eu quero. Da mesma forma que não gostar do que eu faço não invalida eu fazer bem o que eu faço. Porque pelo menos no profissional, eu tenho as coisas um pouco mais claras. E sim, você tá certo (você tá sempre certo, né? :P). A gente precisa fazer o que gosta e precisa ter coragem pra ir atrás disso. Acho que tinha uma parte de mim esperando eu ficar bem pra tomar rumo na vida. Mas quer saber? Não vou esperar coisa nenhuma mais. Vou fazer o que eu tenho que fazer pra chegar onde eu quero e ir colocando as coisas no lugar pelo caminho. Na real, a melhor forma ainda de não pensar na vida, é sair e viver. E concordo com você que essa é a parte mais simples. O buraco era bem mais embaixo (ui!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vc falou que eu precisava de um namorado e olha o que aconteceu! Ele vai aparecer e as coisas vão acontecer quando eu tiver em paz e menos arisca, mais aberta. Vou conseguir criar laços de novo quando eu não tiver mais medo de cortá-los no tempo certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre meu surto, quero pedir desculpas mais uma vez. Vc não fez nada, eu inventei tudo. Achava que eu estava segura a uma distância de milhares de km, atrás de uma tela de computador, com alguém machucado... que não existia a menor possibilidade de qualquer coisa, que não tinha espaço pra nada. E foi eu te sentir um pouquinho mais próximo, que eu não soube lidar. Você não se distanciou em nenhum minuto, fui eu que tentei a todo custo, sair correndo. E quando eu falo que "é feio" quando você diz alguma coisa, quando conta das suas peripécias, eu não acho que é assim tão feio. Eu só estou tentando arrumar desculpa pra não te achar tão bom assim! :p Tipo uma criança de 8 anos. ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vc pode ser o primeiro a eu deixar que chegue perto? Prometo que não rosno - nem surto - mais. Além de desculpas, eu também queria dizer obrigada. Porque não sei se você sabe o quanto é importante pra mim ter consciência de tudo que eu escrevi aqui, e separar as coisas de dentro das coisas de fora. Conseguir colocar cada coisa no lugar. O que é do trabalho, o que são as minhas questões e onde meus sonhos ficaram pelo caminho. Porque agora, como você disse, olhando de fora, não parece tão grande assim. Eu continuo me sentindo sozinha, não gostando do meu trabalho, morando num país que eu não gosto e não comecei a ir atrás do meu sonho. Mas pelo menos não me sinto mais num labirinto sem saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2709082493893837624?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2709082493893837624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/11/e-no-meio-de-tudo-isso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2709082493893837624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2709082493893837624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/11/e-no-meio-de-tudo-isso.html' title='E no meio de tudo isso...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7813831451968370219</id><published>2011-10-18T01:43:00.001-02:00</published><updated>2011-10-18T01:43:37.790-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><title type='text'>E aqui estou eu</title><content type='html'>E aqui estou eu. Com insônia, assistindo Being Erica. Ok, já parei, continuo com insônia e com uma vontade absurda de escrever. Sinto como se minha vida estivesse um caos, nem no trabalho eu consigo me concentrar sem me sentir irritada por isso. Eu sei que o fato de estar gostando de alguém não é motivo. E muito menos de que esse sentimento não vai me levar a lugar nenhum por enquanto. Nem em um mês, quem eu quero enganar dizendo "por enquanto"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de perspectiva me traz um pouco de aflição e eu sinto vontade de fazer minhares de coisas ao mesmo tempo. Então vou tentar respirar fundo e fazer só uma de cada vez. Saber que eu deveria estar dormindo neste momento não ajuda. Saber que eu não deveria pensar nele e ter uma vida mais organizada - ou pelo menos começar a tentar organizá-la - não me faz fazer isso de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber que eu cresci me assusta um pouco. E que eu sou adulta e não admito mais ajuda dos meus pais. Dessa vez não é ser orgulhosa. É só uma tentativa de ser madura. Mas quem eu quero enganar com isso também, não é? Cheguei em casa às oito e meia da noite e não fiz nada produtivo. Eu poderia ter lido um livro, poderia ter lavado a louça, poderia ter estudado e pesquisado escolas de psicologia ou tentado encontrar algo que eu realmente ame. Mas eu posterguei, mais uma vez. Como se algo de bom fosse acontecer. Como se eu esperasse só o dia de amanhã para as coisas serem diferentes. Mas, como eu ando fazendo, com o que eu ando fazendo - muito pouco! - amanhã sempre vai ser igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu finjo que esperar é só ter paciência. Mas paciência é algo que, no contexto que eu tenho usado como aplicação, é só ser alheia. Estou alheia à minha vida, alheia às minhas vontades. Ando me cuidando demais, nas coisas erradas. Ando me sufocando pra não ter que escutar o que está gritando dentro de mim. Tenho a sensação de que eu tenho tentado apagar quem eu sou, só pra não ter que enfrentar a minha vida. Pra não ter que me encarar de peito aberto e queixo erguido. E logo eu, que sempre falei e defendi a ideia de aceitar ser quem se é e trabalhei - com anos de terapia - nisso. Não, não tenho aceitado ser quem eu sou. Tenho fugido. E ficado alheia à mim mesma e às minhas vontades. E logo eu que sempre falei sobre capacidade de enfrentamento, tenho me esquivado de enfrentar até coisas banais, coisas que sempre me aconteceram vida afora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive medo de enfrentar um não como resposta. De tomar uma decisão difícil porque as consequências eram mais do que eu poderia suportar. Nunca tive medo de levar um fora de quem sequer tinha me dito um sim até então. Nunca tive medo de quebrar a cara, arrumar as malas e começar tudo de novo. E aqui estou, com medo, inerte, esperando o amanhã chegar e ser tudo igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que eu esqueci de que tomar decisões é tomar riscos. E não há garantias na vida. Esqueci todas as aulas de economia, de repente. Deixei minha leveza de lado pra sentir um peso nos ombros de medos que nunca fizeram parte de mim. Não importa de onde eles vieram, desde que eles vão embora. Mas eu sei - bem lá no fundo, eu sei - que vou ter que entender cada grama do que eu estou sentindo pra me livrar tudo isso de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me calei. Parei de escrever por um tempo. Escrevi só para as pessoas com quem eu parecia tanto me importar. Vivi vidas alheias para esquecer da minha. E quando os problemas dos outros parecem estar relativamente organizados, começo a olhar pra minha vida que deixei pra trás. Não me arrependo de ter feito isso. De ter ajudado como eu pude outras pessoas a seguir em frente, ou virar à direita ou à esquerda. Porque mudar de direção também é caminho. Mas fiz isso - em partes - pra esquecer de mim mesma. Não foi tempo perdido porque se aprende muito também vivendo vidas alheias. Mas não é a minha, entende? As pessoas seguem, vidas mudam, e no fim, sou só eu comigo mesma. Tenho vontade de falar tanta coisa pra algumas pessoas mas tenho deixado pra lá. Tenho sofrido espasmos de vontade em relação à mim mesma, e também deixado pra lá. Tenho tido vontade de conversar. Não pra dizer algo sobre mim, ou dividir algo da vida. Mas só como um processo de alienação. Tenho falado tanto, conversado tanto, mas tenho me escondido atrás de ideias superficiais e frases feitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia dizer que estou apaixonada e que isso tem me feito bem. Mas esse sentimento todo só me mantém em pé. E fujo disso pra não ter que enfrentar o que minha vida seria com o pouco que eu tenho. Com um sentimento que é só meu. Ando me escorando em paredes de papelão que, no fundo, só me deixam com a sensação de que está tudo organizado e sob controle. E dou passos falsos e delicados, sem me apoiar, porque elas vão desabar. E aqui estou eu. No fim de um texto confuso, no meio de uma noite linda, dentro de casa, sentada no sofá, de frente pra porta. Sabendo que ninguém vai chegar pra me tirar daqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7813831451968370219?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7813831451968370219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/10/e-aqui-estou-eu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7813831451968370219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7813831451968370219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/10/e-aqui-estou-eu.html' title='E aqui estou eu'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6664130497160456844</id><published>2011-09-11T23:34:00.002-03:00</published><updated>2011-09-11T23:35:45.496-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-CSmyxub0GDY/Tm1v6UpKdsI/AAAAAAAAAqc/UU1I1R7ZehM/s1600/DSC00839.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-CSmyxub0GDY/Tm1v6UpKdsI/AAAAAAAAAqc/UU1I1R7ZehM/s400/DSC00839.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651296155184297666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quase meio-dia do domingo. Mentira, eu não faço a mínima ideia de que horas são e depois de muitos meses eu resolvi sair de casa em um final de semana. E eu me sinto bem pra caralho, por mais que o vazio ainda continue. Deve ser isso que me dá vontade de escrever: o vazio e o fato de eu me sentir bem pra caralho, combinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda aposto que o vazio passa e que não vai demorar muito mais. Já está durando mais que a média, dessa vez, e eu estou começando a gostar da minha vida de novo e até de Buenos Aires. Por mais que eu goste de São Paulo, tem uma parte que eu também odeio e tenho pensado muito em como minha vida andava miserável quando eu fugi de lá para Toronto. E também parei um pouco de pensar na época do Canadá com encantamento. Foi ótimo, é verdade. Mas eu tive as mesmas crises de sempre e, mesmo sendo ótimo, eu não tomei as decisões que eu deveria e não fiz nada do que eu poderia ter feito para realmente mudar a minha vida. Viver de férias é fácil. Quero ver é sair dessa vida mansa e encarar a rotina, mudar de rotina, ter salário, seguir a vida. Eu gosto de mudar, sempre gostei. Mas não é fácil pra mim. E aprendi com a minha vida que, às vezes, mudar muito de direção nem sempre te leva a algum lugar. Não sei ainda se quero chegar em algum lugar, se isso existe mesmo. Essa coisa de ir pra algum lugar e fazer as coisas planejadas pra se chegar onde se quer. Eu sempre mudei de ideia no meio do caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa coisa de precisar de um horizonte de longo prazo, de se fazer as coisas com um objetivo, às vezes me deixa meio sem graça de viver. Tenho vivido um dia de cada vez, apesar de andar me perguntando muito o que eu quero no fim das contas. Porque não ter o próximo objetivo, o próximo passo, me deixa vazia. Levantar, trabalhar no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas, sair de lá e viver o mesmo resto do dia, ou fazer coisas diferentes só pelo prazer de serem diferentes, me traz vazio também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez falte alguém. Sempre falta. E eu não quero mais amigos. Adoro conhecer gente nova e diferente de mim, que fale outra língua até. Mas amigos mesmo, que vêm com o pacote completo, problemas, relacionamentos e crises no trabalho, eu já tenho. E amo cada um deles. Não vou sair por aí procurando amigos porque a vida se encarrega direitinho de colocar e manter as pessoas certas. Mas eu sinto falta de um amor de verdade. De alguém que não precise me conquistar porque a identificação e o carinho vão acontecer nos primeiros 10 minutos. Eu já não quero alguém na minha vida que não saiba o que quer da outra pessoa. Pode ter todas as dúvidas do mundo em relação ao resto. Mas não quero alguém que tenha desejo súbitos de whisky com energético e uma necessidade de auto-afirmação latente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, pensando, depois de assistir Friends with Benefits (podem me julgar, eu gostei do filme!) percebi que a história descreve bem o meu padrão de comportamento. Eu me aproximo dos caras como amiga - porque, sim, eu acredito que nada vá acontecer, porque estou numa época tranquila e não os vejo como nada mais que amigos - e me apaixono por eles. O infeliz da vez sempre percebe, a gente fica de amigos com benefícios por um tempo, ele some e depois, (1) aparece com a ex; (2) aparece com alguém nada a ver que conheceu bêbado na balada; (3) depois de eu já ter resolvido todos os problemas dele com meses de terapia diária, ele já não está mais com a auto-estima tão abalada, porque até ficar com ele eu já fiquei. É sempre assim, variações do mesmo tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que a culpa é minha e homem não gosta de amiga como namorada. Além disso, homem nenhum gosta de alguém que identifique todos os problemas dele e que saiba apontar as suas fraquezas. Não me importa, pra estar comigo, vai ter que saber não só lidar com o fato de eu identificar as fraquezas, como também vai ter que aprender a rir delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;E o texto acaba aqui. Sem final, sem reticências. Porque o dia continuou lindo, eu resolvi deixar pra lá os meus questionamentos e ir andar por Buenos Aires, almoçar fora com um amigo lindo, debaixo desse céu maravilhoso. Deixei o vazio de lado e fui passear por aí, sem pressa pra voltar pra casa.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6664130497160456844?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6664130497160456844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/09/quase-meio-dia-do-domingo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6664130497160456844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6664130497160456844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/09/quase-meio-dia-do-domingo.html' title=''/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CSmyxub0GDY/Tm1v6UpKdsI/AAAAAAAAAqc/UU1I1R7ZehM/s72-c/DSC00839.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8750997418334930017</id><published>2011-08-14T12:19:00.000-03:00</published><updated>2011-08-14T12:20:11.110-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pai'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><title type='text'>Segundo domingo de agosto</title><content type='html'>Todo segundo domingo de agosto é assim. Não assim exatamente, mas parecido. Eu sempre ligo pro meu pai logo de manhã bem cedo - porque quase nunca estamos na mesma cidade - para dizer Feliz Dia dos Pais. Minha família e eu nunca fomos muito de datas, de encher de presentes uns aos outros, de grandes comemorações. Mas sempre aproveitamos as brechas pra dizer uns aos outros que a gente se ama muito. A gente é muito unido mas não fica falando sobre o assunto, sabe como é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje eu desabei chorando quando falei com meu pai ao telefone, bem no momento em que eu disse Eu te Amo. Talvez por hoje entender o significado da palavra amor incondicional. Porque não foi sempre assim. Quando eu era pequena, e ele mais novo, eu o julgava. E a gente brigava muito. Minhas amigas amavam os pais delas mas eu não. Eu amava, mas ele nunca me contou uma história pra dormir, toda vez que era ele que ia me buscar na escola ele atrasava em média uns 40 minutos. E eu brigava com ele tentando chamar a atenção e sempre achei que ele não sentia nada. Que aquelas 3 crianças era um peso pra ele. E nunca entendi direito o jeito dele ser. Eu julgava e pensava que o fato dele ser fechado e de poucas palavras era insatisfação e falta de sentimento. E não era, nunca foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a perceber isso com 16 anos, no auge da minha rebeldia, numa noite que ele estava sentado no sofá, minha mãe na cozinha se matando de limpar/ cozinhar/ arrumar e ele me pediu alguma coisa banal. Eu tinha acabado de chegar e ele mal me cumprimentou, foi logo pedindo. E eu resolvi colocar pra fora o que eu sentia. E falar tudo o que eu pensava dele como pai, como marido e como homem. Eu não tinha esse direito. Eu poderia conversar com ele sobre ser pai, mas não tinha o direito de me meter na dinâmica de casal que ele tinha com a minha mãe. Nesse dia, a gente brigou muito. E ele saiu pra dar uma volta. E não, ele nunca bateu em mim. Minha mãe era quem me dava uns tapas na bunda quando eu era pequena. Mas meu pai nunca. Ele era de sermão. E eu sempre achei muito chato. Mas voltando... Ele saiu pra dar uma volta e minha mãe me puxou pelo braço e conversou comigo bem sério. Disse que eu não sabia do que eu tava falando, que bem provavelmente eu não conhecia meu pai, mesmo vivendo ali a 15 anos. Que ele me amava, que tinha orgulho de mim e que falava de mim com a boca cheia para os amigos. E que eu não sabia nada sobre a infância que ele teve, nem a forma que ele cresceu. Que não demonstrar o que se sente, não quer dizer que não se sente. Aí eu entendi um pouco, mesmo sem me convencer muito. E falei pra ela que me incomodava o fato dela estar sempre correndo, trabalhando, e ele lá, na frente da televisão, ou fazendo as coisas devagar, sem ajudá-la. E ela me explicou que ela gostava mesmo era de fazer as coisas do jeito dela, que ela fazia porque queria, não porque precisava. E eu não entendi nada. Não naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos de terapia depois, eu entendi que a dinâmica dos meus pais eram essa. E eles continuam juntos até hoje e posso dizer que vi os dois brigando 1 vez na vida. Um domingo de muita chuva que meu pai sumiu com o meu irmão do meio e chegou em casa 2 horas depois do combinado para nos levar pra almoçar. Nessas, minha mãe já tinha improvisado um macarrão pra mim e pro mais novo. Ele chegou com a maior calma do mundo e ela deu com a panela que ela estava enxugando no braço dele. Ele tinha ido na casa dos meus avós, a chuva ficou muito forte e até a tinha do telefone cortou. Ele não conseguiu ligar para avisar. E esperou a chuva parar para vir embora. Lembro até hoje que fiquei assustava com a cena. Mas lembro de ter pegado na mão dos meus irmãos e sentarmos encostados na parede, escutando a conversa com um copo e rezando para que ficasse tudo bem. Eles não ficaram nem 4 horas brigados e eu não entendi nada. Não naquele momento. De novo. Mas hoje eu admiro e vejo que não é por comodismo que eles estão juntos até hoje. É porque eles vivem bem assim desde sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, a distância, a idade e um tempinho de terapia eu comecei a mudar a imagem que eu tinha do meu pai. E ele começou a mudar. Os filhos saíram de casa cedo. Eu com 17 anos, o do meio com 18 e o mais novo com 16. Ficaram só os dois. No começo, minha mãe ligava para nós - sim, moramos juntos por uns 3 anos mais ou menos - umas 3 vezes por dia. Mas ela percebeu rápido que não dava pra controlar mais com aquela distância toda. E a gente parou de atender telefone, claro. Eu não estava em casa pra saber, mas imagino que meu pai ganhou mais espaço. E começou a sair também da sombra da minha mãe. Já era ele quem nos telefonava, que queria conversar sobre a vida. Porque antes, era sempre ela. Era ele que aconselhava sobre as coisas práticas da vida. Sobre decisões. E sempre me apoiou em tudo. Eu nunca vou esquecer de quando eu estava em Toronto e queria continuar lá. E estava com medo do que eles iam pensar. Porque eu sempre fiz o que eu quis, mas a opinião e apoio deles é importante. Eu liguei para pedir opinião, conversar... e estava disposta a vir embora depois dos 3 meses, mesmo não querendo. E ele disse: filha, fica. Vai te fazer bem e já está te fazendo. Você tem dinheiro, não tem? Se precisar, não vai ser isso que vai te impedir, a gente te ajuda. E nem era. Era medo só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, quando eu disse "Pai, eu te amo!" eu desabei. Desabei por lembrar de tudo isso. Por perceber que ele nunca desistiu de mim como filha. E que eu nunca desisti dele como pai. Por conseguir aceitar de verdade como é cada um, a forma que se mostra e acreditar em sentimentos reais. Hoje eu posso dizer com todas as letras que eu o amo. E que eu não vivo mais de estereótipos. Chorei porque eu queria ter percebido tudo isso antes. Mas principalmente porque, hoje, eu sou muito feliz por ter o pai que eu tenho. Independente de tudo que eu tenha deixado de entender a anos atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8750997418334930017?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8750997418334930017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/08/segundo-domingo-de-agosto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8750997418334930017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8750997418334930017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/08/segundo-domingo-de-agosto.html' title='Segundo domingo de agosto'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6881252206030806649</id><published>2011-07-30T16:39:00.000-03:00</published><updated>2011-07-30T16:41:22.367-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><title type='text'>Do novo, do velho</title><content type='html'>Antes, eu ficava triste e escrevia. Eu lembro até hoje do meu primeiro diário, das cartas que eu nunca enviei para os caras que eu me apaixonava no final de semana, para odiá-los logo na quarta-feira da semana seguinte, quando eles não me ligavam depois de ter dado uns beijos no sábado à noite. Quarta-feira era sempre o dia crítico. Minha ansiedade ia no topo, eu só tenho dois irmãos mais novos, minha mãe sempre achou de uma falta de valores tremenda sair por aí beijando os outros sem um pedido de namoro formal e minhas amigas eram tão adolescentes quanto eu e dormiam à tarde inteira. Eu nunca fui de dormir à tarde. Eu nasci e cresci ligada nos 220V e nem sei como me transformei nessa pessoa lerda e improdutiva que sou hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu ficava mal com o sumiço e o desinteresse alheio e escrevia. Escutava música, fechava a porta do quarto e escrevia. Escrevia até começar a chorar de ódio e soluçar, até doer o dedo ou dar o horário da aula do ballet. Escrevia porque eu sou verborrágica e tímida. Era o meio que eu encontrei para colocar pra fora o que eu sentia. Deve até ser por isso que eu não tenho problemas para falar da minha vida. Na verdade, acho que isso é só um dos motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se nasce, cresce e vive numa cidade do interior, você precisa aprender a lidar com isso. Não precisa ser famosinho, nem muito bonito, nem ter um blog famosinho na internet para que as pessoas saibam o que você fez no verão passado. Nem que você tomou um porre e disse que ia morrer, depois de ter ido pro banheiro vomitar as 4 doses de whisky que você tomou antes das 2 da manhã. Tudo bem que fofoca existe desde a época de Jesus Cristo. Mas viver e aproveitar sua adolescência numa cidade do interior requer habilidade e maturidade para lidar com fofocas e verdades que as pessoas falam da vida uns dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi por isso que eu comecei a escrever esse texto, apesar de querer escrever, um dia, sobre todo o processo que me fez ser quem eu sou hoje. E como eu sinto saudade da vida que eu levava e como eu entendo bem hoje porque eu cuspi na cidade que eu cresci e sinto tanta saudade hoje. Hoje eu digo em alto e bom som que eu era feliz e não sabia. Mentira. Eu sabia. Mas achava que era pouco. Mas já mudei de opinião sobre o assunto. É, vira e mexe eu faço isso. Eu acho que posso ter mais do que eu já tenho. Que o hoje não é o suficiente. E esqueço de viver a vida agora sonhando lá longe, achando que o melhor ainda está por vir. Que o lugar que eu estou agora é o pior que eu poderia estar. A sensação de não pertencimento ao lugar que eu pertenço agora é forte e eu sempre quero sumir dali. Daqui. E foi assim todas as vezes que eu me mudei. Eu fugi daquela cidade do interior pra ir pra São Paulo. Fui engolida por muito tempo por aquele emaranhado de prédios, com ninguém se importando com a minha vida e tomando cuidado para não beber demais porque, ao contrário do que acontecia lá na cidade dos 3 S’s, ninguém nem notaria se eu já estivesse só com ¼ da minha consciência às duas da manhã. Aí foi a vez de fugir para o Sul, como a música dizia: vou pra Porto Alegre, tchau. Fui ser feliz mas não via a hora de voltar nos primeiros seis meses, apesar de ter me acostumado e gostado da vida por um bom tempo. Mais uma vez, fugi novamente para Toronto, onde senti mais ou menos o que senti em Porto Alegre. E é quando eu percebi que não importa muito onde você esteja para ser feliz ou triste. Não importa se as pessoas falam ou não de você, se sua vida é vivida dentro de bares ou bibliotecas. Tudo o que acontece de verdade está do lado de dentro e como você coloca isso pra fora. Não importa se você confia ou não em que está ao seu lado ou pelas suas costas. E, por fim, eu fugi pra Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje deu vontade de escrever. Como eu escrevia aos 17 anos. Sem pensar muito mas suspirando muito pra tentar encher o que anda tão vazio. Tentando colocar pra fora o que eu não sei muito bem como organizar, se não, escrevendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[E, de repente, deu uma vontade enorme de sair por aí, vivendo da forma que eu vivia aos 17 anos. Voltando pra onde eu cresci. Sem ter que sair daqui.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6881252206030806649?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6881252206030806649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/07/do-novo-do-velho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6881252206030806649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6881252206030806649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/07/do-novo-do-velho.html' title='Do novo, do velho'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5502206203231479235</id><published>2011-07-09T19:31:00.001-03:00</published><updated>2011-07-09T19:31:45.678-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>Amor em axiomas</title><content type='html'>Estava agorinha mesmo conversando com um amigo, que já foi um grande amor e terminou porque... bem, sei lá porque terminou. Acho que foi porque nunca começou de verdade e, olha, ainda bem que foi assim. Porque até mesmo homens entram na minha vida pra serem só amigos. E a maioria deles é assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos lá na janelinha, batendo papo, eu dizendo que estava pensando em ir pra cidade que ele está morando. Não por causa dele, mas pela cidade mesmo, que eu sempre quis conhecer. E ele vira e diz que não era para eu esperar que nos encontrássemos. Eu não entendi direito e perguntei, já que não nos vemos a uma eternidade e não é todo dia que eu pego o pau de arara e vou pra Nova Iorque. Aí ele me explica que ele não sai assim sozinho mais com meninas, mesmo que não exista nenhuma intenção de ambas as partes. Que agora ele só sai sozinho mesmo com a namorada dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer o que depois disso, não é? Continuamos conversando, eu tentei dizer que a intenção não era encontrá-lo sozinho e ele me fez entender que o fato era de que ele não interagia com mulheres sem a presença da digníssima namorada, que aliás, nem lá mora. E ele disse que eu, no lugar dela, iria pensar o mesmo. Que também não iria gostar de saber que o meu namorado saísse na companhia de outras mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei, pensei, me coloquei no lugar dela. Me coloquei no lugar dele. E mesmo assim as coisas não fizeram sentido. Ele tentou me explicar que não quer perder o foco que tem na namorada, que sair com meninas é perder o foco. Me disse que amor é esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com a parte do esforço. Mas não acho que seja só isso. Acredito mais que amor seja disponibilidade e vontade. Esforço carrega um peso desnecessário à boa convivência e boa vontade em estar junto de quando duas pessoas se amam. Acho que impor regras para que um bom relacionamento aconteça é limitar, forçar o que deveria ser natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ele me mandou várias passagens de textos de escritores famosos. Como se aquilo corroborasse os axiomas que ele tentou me fazer engolir, sem provas. E vejo que até grandes escritores tentaram definir regras, delimitar o amor através de definições, como se fosse possível. Eu devo ser ingênua mesmo de pensar que não existe nada de mal em sair por aí com pessoas de outro sexo, sem me preocupar que possa acontecer algo com o meu namorado ou que eu vá me jogar nos braços de um cara e trocá-lo assim. Claro que eu gosto de ser a companhia preferencial do cara que me escolheu como namorada. Assim como eu também quero ter um namorado como companhia preferencial. Mas preferência não gera excludência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sei lá. Sorte a dele. Pelo menos ele tem uma namorada e ela tem um namorado. E que eles criem regras juntos. No fundo, não deixa de ser bonito ver duas pessoas decidindo juntas e defendendo uma a outra em relação à regras que eles criam juntos, com tanta peculiaridade. Deve ser por isso que eu ainda estou sozinha. Imagina ter que abrir mão de conviver com amigos que chegam na minha cidade sem poder vê-los sem a companhia de um general do meu lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5502206203231479235?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5502206203231479235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/07/amor-em-axiomas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5502206203231479235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5502206203231479235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/07/amor-em-axiomas.html' title='Amor em axiomas'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6692375477255330985</id><published>2011-07-03T16:55:00.001-03:00</published><updated>2011-07-03T16:55:41.453-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Dias que eu odeio BsAs</title><content type='html'>Tem momentos que eu odeio morar em Buenos Aires. E tem dias inteiros que eu também odeio. Hoje eu odiei Buenos Aires e resolvi voltar cedo pra casa porque parecia que duas horas a mais na rua, eu voltaria mesmo pra casa só pra arrumar as malas e voltar pro Brasil. Porque podem dizer o que for de São Paulo, mas é pra lá que eu sempre volto e que eu sempre me sinto em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro eu achei que era a língua que me atrapalhava aqui. O fato de não conseguir se comunicar direito sempre me trouxe desconforto. Mas hoje, depois de 4 meses, eu até que eu já me viro bem, mesmo estando longe de ter um espanhol fluente. Mas não falo português esperando que as pessoas me entendam, acho de muito mal gosto esperar que as pessoas entendam a sua língua quando você está no país delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que eu acordei hoje decidida a ir ao cinema. Porque faz 4 meses que eu não vejo um filme numa tela grande e isso nunca aconteceu. Nem em Toronto, quando eu ia ao cinema e saía com dor de cabeça e cansada, logo no meu primeiro mês, que eu perdia vários diálogos inteiros por falta de legenda. Então eu fui, entrei no metrô que graças ao frio e ao horário - antes das 15:00 - é bem mais vazio e civilizado que nos dias de semana. Fui morrendo de medo de que as pessoas, na hora de comprar o ingresso, também não fizesse fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, as pessoas aqui tem uma dificuldade enorme de entender que é de bom tom deixar com que quem chegou antes, entre antes. Seja no supermercado, no metrô, no restaurante self-service, naquele bistrô chique que você se dá ao luxo de ir uma vez por mês, logo que recebe o salário. Tudo bem que paulistano adora uma fila. Não pode ver uma que já vai entrando. Deve ser por isso que ando enlouquecendo aqui pela falta de organização para se conviver em meio ao caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao cinema e tinha uma fila. Fiquei até feliz, mesmo que fosse uma fila enorme. E eis que anunciam que todos os horários da tarde estavam esgotados. Senti raiva. Mas não sei por que, senti raiva de estar aqui. Senti raiva de que, às vezes, é difícil se acostumar com peculiaridades simples de uma cultura. Sabe, às pessoas tem mania de dizer que brasileiro adora dar uma de esperto, de dizer que adora tirar uma vantagem. Mas olha, eu nunca vi gente pra querer tirar vantagem como os portenhos. Pra vocês terem uma ideia, a galera pega o metrô no sentido oposto pra sentar. Aí sentam, esperam o trem ir no sentido oposto e enfiam a cara num livro e não levantam nem pra uma grávida de oito meses sentar. Tudo bem, eu já vi isso acontecer em São Paulo, mas não desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que eu saí frustrada no cinema, eu fui numa praça de alimentação de um shopping ao lado. Shopping grande, no meio de Palermo. Peguei um sanduíche e fui atrás de uma mesa. Eu estava lá, com uma bandeja, já pronta pra sentar, andando em direção a uma mesa vazia. E um casal de uns 50 e poucos anos saiu correndo e pegou a mesa. Aí eu coloquei a bandeja em cima da mesa para me ajeitar e eles quase foram pra cima de mim, dizendo que a mesa estava ocupada. Eu pedi desculpa dizendo que, mesmo que eles não estivessem nem com a comida ainda, eu só estava me ajeitando, que minha bolsa estava caindo e eu já ia sair dali. Terminei de almoçar em outro lugar e quando passei por eles, eles só tinham ocupado uma das duas mesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso resolvi bater perna no shopping, coisa que eu odeio fazer com todas as minhas forças. Resolvi entrar na Zara porque estava precisando dessas camisetas de usar por baixo das malhas, porque esfriou muito e eu não sou acostumada a andar agasalhada desse jeito. Peguei o que eu precisava e fui ao caixa pagar, entrei na fila. Antes de conseguir pagar uma mulher entrou na minha frente, claro. Porque, como eu disse, o conceito de fila é desconhecido nesse lugar. A mulher pagou, enrolou um montão e chegou minha vez. Dei meu cartão de débito e o meu documento brasileiro, como eu sempre faço nos poucos lugares que aceitam cartão de débito aqui. E a mulher disse que eu não poderia pagar com aquele cartão por ser de uma conta argentina, apresentando um documento brasileiro, mesmo que claramente eu fosse a mesma pessoa. Expliquei pra ela que eu não precisei de um documento argentino para abrir a conta e ela nem quis ouvir. Disse que não ia aceitar e "listo". Assim, desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi ir embora pra casa antes que eu começasse a distribuir violência e palavras baixas de graça. Bem, não tão de graça... Não estou dizendo que Brasil é melhor que Argentina, nem nada. Mas tem coisas que eu não consigo me acostumar, como ser tratada mal nos lugares, ser atropelada no meio da rua por pessoas ansiosas que não admitem esperar alguém que está logo à frente, pelo fato dela ter simplesmente ter chegado primeiro, e de ser surpreendida por regras que não existem. Eu nunca tive problemas antes pra usar um cartão de débito, desde que apresentasse um documento. Aposto que se fosse pagar em dólar, ninguém ia achar ruim aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, a parte legal de morar em Buenos Aires foi conhecer pessoas que não eram daqui. Hoje mesmo, voltando pra casa, conheci dois indianos que estavam perdidos, quando dois portenhos riam da cara deles por não entender uma palavra de inglês. Eu me aproximei e ofereci ajuda e os deixei na estação de metrô que eles estavam querendo chegar. E lembrei, uma vez, de uma menina em São Paulo, no meio da Avenida Paulista, que tentava entender o que um americano tentava perguntar para ajudá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa, mas ainda não consigo sentir orgulho e dizer que eu moro em Buenos Aires. Por enquanto, vou levando do jeito que dá, tentando manter a paciência e aceitando as diferenças culturais. Mesmo sem contar os dias pra ir embora, já é isso que eu quero. Pelo menos por hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6692375477255330985?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6692375477255330985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/07/dias-que-eu-odeio-bsas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6692375477255330985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6692375477255330985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/07/dias-que-eu-odeio-bsas.html' title='Dias que eu odeio BsAs'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-585610709544008428</id><published>2011-05-08T21:59:00.001-03:00</published><updated>2011-05-08T22:00:28.501-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Das coisas novas e das frustrações</title><content type='html'>ou &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O dia que eu me esborrachei no chão tentando andar de patins&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda não descobri onde eu estava com a cabeça quando comprei um patins. Poderia ter sido uma decisão impulsiva, dessas que a gente toma quando está de TPM e quer mudar a vida radicalmente. Mas não foi. Eu namorei o patins por alguns meses, me imaginava andando, olhava preço em diferentes sites, via o povo andando na rua e minha vontade só aumentava. E eis que comprei um, do jeitinho que eu queria. Até breque ele tem, como se isso ajudasse em algo no meu caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei o trambolho em casa, pra saber se eu conseguiria ficar em pé em cima daquelas quatro rodinhas alinhadas e achei que estava tudo bem. Andei de um lado pro outro dois dias seguidos, dentro do meu apartamento minúsculo pra tomar coragem e lá fui eu pro parque, pra mais uma situação nova na minha vida. Mas a verdade é que eu não sou uma pessoa assim tão aberta pro novo, ainda mais em sã consciência. Já fiz loucuras relativamente saudáveis quando estava levemente alcoolizada. Já fiz outras no embalo da loucura dos outros. Já me arrependi, já senti medo. Mas nunca dei de bunda no chão como hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dois tombos consecutivos e três pedaços da minha mão com sangue pisado em menos de cinco minutos, desisti. Não só pela frustração, mas pela dor. Fiquei uns 10 minutos sentada no chão do parque, com aquele troço enorme nos pés, pensando na vida e sentindo dor, vergonha, tudo junto. A vergonha passou rápido. Eu não estava nem aí com o que as pessoas em volta poderiam pensar de mim. Aposto um dedo da mão (roxo, é verdade!) se alguém não deu de bunda no chão quando colocou um patins pela primeira vez. Saí do meio da rua, já com os pés bem firmes pro chão, e fui pra grama, aproveitar o dia maravilhoso de sol e frio que fazia. Tentei levar pra vida o que tinha acontecido ali e sorri quando percebi que nem sempre quando tentamos algo de novo é possível evitarmos a frustração e a dor. Lembrei de quando usava sapatilhas de ponta e de como algumas vezes eu chorava de dor e de tristeza em me ver tentando vezes seguidas sem conseguir fazer o que eu realmente queria, com a perfeição que eu imaginava. Lembrei quantas vezes fui parar no chão, nas torções da coluna, do tornozelo, das unhas roxas. Olhei pra minha mão roxa e ralada e sorri. Poderia doer menos, poderia não ser frustrante. Mas quase nunca temos tudo o que queremos, da forma que imaginamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha bunda vai doer a semana inteira, é verdade. E eu vou cair mais um punhado de vezes até que eu sinta a liberdade de patinar de um lado pro outro, sem medo. É difícil sair da zona de conforto, enfrentar olhares alheios, pagar o preço pra se tentar ser e fazer o que se quer. E nem sempre vale a pena. Hoje não valeu. Mas outras tantas vezes vão valer, já valeram. Eu ando numa época de auto-proteção, em que eu deixo de viver pra não sofrer. Deixo de tentar pra não doer. E nem sei como hoje eu tomei coragem pra fazer diferente. E sei menos ainda como isso não me afetou tanto como eu imaginaria que me afetaria. A bunda dói, minha mão e meu pulso também. Mas minha cabeça continua com a vontade de voltar pra lá e fazer tudo igual, de tentar novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi tanto tempo me escondendo de perigos inventados que não imaginei que pudesse doer tanto e ainda assim conseguir me levantar tão rápido. E me surpreender comigo mesma traz uma sensação maravilhosa. Ainda mais quando eu estava vivendo pintando meus dias de preto e branco. Clássico, sério. Limitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero me espatifar muito ainda no chão, tentando fazer coisas que nunca imaginei ter coragem. Mesmo que eu saiba que algumas pessoas não nasceram pra fazer certas coisas. Como eu pra andar de patins! Mas tentar mudar é parte do processo e eu ainda acredito poder me tornar uma pessoa equilibrada. Em todos os sentidos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-585610709544008428?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/585610709544008428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/05/das-coisas-novas-e-das-frustracoes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/585610709544008428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/585610709544008428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/05/das-coisas-novas-e-das-frustracoes.html' title='Das coisas novas e das frustrações'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-477232657916820814</id><published>2011-03-25T18:25:00.005-03:00</published><updated>2011-03-25T20:00:44.864-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Curtos'/><title type='text'>Vamos pedir piedade</title><content type='html'>Ontem eu estava aqui sozinha, à toa, pensando em como as pessoas complicam quando o tema é relacionamentos. Eu já fui muito de querer complicar e nem sei porque ainda fico indignada quando, de fora, vejo duas pessoas que poderiam dar certo, deixando de tentar ficar juntas. Ou nem ficar juntas... só se conhecerem, serem amigas, tirar na prova dos nove se as primeiras impressões seriam segundas e terceiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ainda preferem reclamar do que passaram, se colocam na posição de vítima das circunstâncias e ficam ali o máximo de tempo que conseguem. Lamentam e repetem a história da vida de merda que elas têm. Enchem a boca para dizer o quanto sofrem, o que estão numa situação complicada. É difícil de abrir mão até dos problemas e pouca gente se esforça pra isso. Aquela menina linda sofre porque se envolveu com um cara casado e ocupado e se apega no fato dele ser bem sucedido e tudo ter dado certo enquanto estavam juntos. Vive numa mentira sem base e deixa ocupado um espaço que ela poderia liberar para que alguém de verdade entrasse na vida dela. Esperando alguém que caiba nos seus sonhos, que seja tudo aquilo que ela fantasiou em cima de quem não podia. Afinal, os únicos problemas do cara anterior era ter um casamento com filhos e ser ocupado demais. Realmente, pouca coisa. (E sim, eu também sou um pouco cínica.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, conversando com um amigo sobre vida a dois, já que ele mesmo terminou recentemente um relacionamento com alguém que nunca estava disposta a abrir mão de nada e queria sempre que as coisas caíssem do céu, ele me mandou essa música aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bOoE0THSkTY&amp;feature=player_embedded"&gt;Vamos pedir piedade - Cazuza&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já conhecia a música, porque amo Cazuza e todas as letras dele. Mas não me lembrei dela ontem, no meio dos meus devaneios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa letra tem tanta verdade junta que eu nem soube por onde começar... Então, vou só dedicar a música pra todas aquelas pessoas que "vêem a luz mas não iluminam suas minicertezas", praquelas "de alma bem pequena, remoendo seus pequenos problemas". Pras "pessoas fracas que estão no mundo e perderam a viagem". Pra todo mundo que "não sabe amar e fica esperando alguém que caiba no seu sonho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fazer como Cazuza, e pedir piedade. Já que é isso que essas pessoas querem e precisam. Não vou gastar meu tempo falando sobre as belezas da vida e de só carregar comigo o que me faz bem e como minha vida melhorou depois que eu parei de ter pena de mim mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-477232657916820814?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/477232657916820814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/03/vamos-pedir-piedade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/477232657916820814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/477232657916820814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/03/vamos-pedir-piedade.html' title='Vamos pedir piedade'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6908876717700198589</id><published>2011-03-15T19:19:00.002-03:00</published><updated>2011-03-15T19:31:51.470-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Buenos Aires</title><content type='html'>Estou em Buenos Aires a um pouco mais de duas semanas. Ensaiei escrever sobre isso muitas vezes antes de vir e não consegui. Ensaiei escrever sobre isso logo que cheguei aqui e também nao consegui. Imaginei que quando escrevesse esse texto, ele ficaria parecido com &lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/04/certezas-nao-sao-suficientes.html"&gt;aquele que escrevi antes de ir pra Toronto&lt;/a&gt;, a um ano atrás. Hoje, vejo o quanto é diferente, apesar de me pegar muitas e muitas vezes comparando as duas situações e sentindo muita saudades de tudo que passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como é diferente! O que motivou a vir pra cá foi, de certa forma, diferente do que me motivou a ir pra Toronto. Mas este não será um texto comparativo. Para se comparar, é preciso simplificar muito as coisas e nessas de colocar prós e contras com colunas alinhadas lado a lado, posso aumentar e diminuir pontos, me fechar na objetividade e isso seria mutilar minhas experiências e sentimentos. É muito injusto comparar duas semanas com seis meses, com estilo e momento de vida completamente diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim para Buenos Aires para trabalhar. Mesmo ganhando em pesos argentinos e não falando uma palavra de espanhol, não foi a língua nem a experiência de morar fora que mais contaram. Foi o tudo junto! Foi a empresa, a cultura, o estar próxima do Brasil, o aprender uma língua nova errando muito, a fuga do trânsito e do estilo de vida de São Paulo (mesmo sabendo que posso ser quem eu quiser, não importa onde eu esteja!). Foi o novo, o charme de Buenos Aires, a confiança que criei em saber que posso me virar sozinha em outro lugar. Foi o resolver crescer e querer experimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me estranhei e me reconheci tanto ao mesmo tempo. Me sinto um paradoxo ambulante, com muitas características minhas que eu ainda desconhecia e outras tantas que nunca se mostraram tão óbvias. Me pego, em alguns momentos, me olhando e dizendo para o espelho coisas do tipo: "estou obsessiva e ansiosa por causa de tal coisa e quando estou assim, fico sem comer, paro de dormir direito e não consigo focar em nada diferente". Como quem lê a bula de um remédio pra uma doença crônica, pela 50a vez seguida. Não sinto um incômodo, nem dor, nem peso. Chega a vir de forma leve e engraçada, como quem percebe seus sintomas aumentando ou diminuindo, com o corpo anestesiado. Sente tudo, menos dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as coisas aqui, prometo escrever textos falando do que tenho visto e vivido de diferente. Eu já tinha vindo a Buenos Aires antes mas tenho certeza que os meus olhos hoje são diferentes da pessoa que viu Buenos Aires a alguns anos atrás. Não só porque cidades mudam sempre, ainda mais com a situação econômica da Argentina hoje. Mas porque olhamos de outra forma quando chegamos de mala em cuia em um lugar. Foi assim quando fui morar em outros lugares.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Acho que olhamos diferente até para os mesmos lugares quando nós mesmos é que mudamos. Lembro quando voltei do Canadá para São Paulo e descobri um monte de coisa nova no meu bairro, num raio de 2 quarteirões da minha casa. Talvez seja pela perspectiva, que sente a diferença que vem de dentro pra fora e muda nosso olhar, talvez pela sensibilidade de quem está com sensações e sentimentos à flor da pele. Todo detalhe salta aos olhos, tudo é grande e mexe com a gente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As coisas ainda estão mudando muito, o tempo todo por aqui, apesar de me sentir segura e feliz. Não poderia ser diferente já que nada mais está no mesmo lugar que estava a duas semanas atrás. Mudei de cidade, de língua, de emprego, de hábitos, de situação econômica. Devagar as coisas já começam a entrar no lugar, com endereço fixo, horário fixo de trabalho e todo o resto. A bagunça e a novidade começam a abrir espaco pro novo e terei tempo - e mais vontade, espero - de escrever por aqui.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De notícias concretas, posso dizer que estou gostando muito da cidade, que os argentinos são muito mais abertos e hospitaleiros que os brasileiros, que a cidade é um charme e que eu recém arrumei lugar para morar definitivamente (início de abril eu me mudo!). Além disso, estou amando a empresa e sofrendo com o espanhol. Ainda estou ansiosa com a vida nova a ponto de demorar pra desacelerar à noite, antes de dormir, mas tranquila o suficiente pra já começar a fazer planos de médio e longo prazo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6908876717700198589?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6908876717700198589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/03/buenos-aires.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6908876717700198589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6908876717700198589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/03/buenos-aires.html' title='Buenos Aires'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2674778799645416562</id><published>2011-02-10T00:04:00.003-02:00</published><updated>2011-02-10T01:47:31.598-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preferidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loucura'/><title type='text'>Mesmo sem ter ficado</title><content type='html'>Acordei domingo, te vi na minha cama dormindo e tentei lembrar dos detalhes da noite anterior. Eu não lembrava de quase nada. Não dos detalhes. Não de alguns. Lembrava de não ter perdido nenhum cartão de crédito, de que eu tinha subido a Augusta sentindo uma bolha no meu pé e do momento que você começou a me olhar diferente. Mas não lembrava do momento do beijo, da forma como você tirou a minha roupa no sofá de casa, nem do caminho que fizemos da sala para o quarto. Lembro de ter sido bom e de ter sorrido com os olhos a noite inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de não ter esperado nada de você, mesmo que isso fosse tudo o que eu mais queria depois do meu segundo copo de Mojito. Homens que andam ao meu lado no meio da rua, no meio da noite, despertam em mim mais que admiração, ainda mais quando eles são altos e de olhos claros. Despertam meu interesse e instigam minhas fantasias, dessas que eu escondo com esmero enquanto desvio olhares. Eu desviei olhares a noite inteira, isso eu lembro. Queria evitar a todo custo que você fizesse algo só porque eu queria. Como se em algum momento da minha vida eu tivesse tido controle sobre vontades alheias. Eu nunca tive e não seria com você. Lembro da forma como eu piscava devagar, mantendo os olhos fechados por alguns milésimos de segundos a mais do que eu costumo manter, implorando para que os meus sentidos respondem ao meu racional. Evitando escancarar o que meus olhos já não conseguiam disfarçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conversas que tivemos eu também guardei na memória. Talvez por terem sido óbvias para mim naquele momento. Ou só talvez porque eu as repetia mentalmente antes de sairem da minha boca. Como se eu fosse ponderada o suficiente para pensá-las antes de soltá-las e deixasse que chegassem aos seus ouvidos. Te falei que te conhecia mais do que você poderia imaginar. Não porque era realmente assim, e sim porque era isso que eu queria, no fundo. Apesar que tenho a impressão que consigo te decifrar bem, mesmo que em alguns momentos tento estancar meus pensamentos para não deixar consciente tudo aquilo que eu sinto vindo de ti. Porque eu bem sei que pode doer, por não ser recíproco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fazia tempo que alguém não me deixava em estado de graça como você me deixou naquelas horas! Sabe, quando você me procurou e combinamos de nos encontrar, eu já sabia que você estava com o ego arranhado. Mas amigos são para essas coisas e era isso que eu tentava acreditar que éramos. É isso que eu continuo repetindo para o espelho, quando me olho e me vejo com a cara abobalhada. Quando me descuido do que eu deveria sentir. Quando te olhei dormindo ao lado, vi que era o seu ego arranhado que tinha te levado até ali. Vi que éramos amigos e minha bobice era em vão, criada por sentimentos escapados do meu controle rígido. Minhas fantasias haviam transbordado e eu tentava, sem sucesso, colocá-las onde nunca deveriam ter saído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por alguns momentos, naquela manhã, eu imaginei que poderíamos ser ótimos juntos. Mas, no fundo, eu sabia que não seríamos. Claramente havia ausência de paixão e não vi faíscas saírem entre nós quando nos beijamos, apesar de não lembrar muito bem. Pois é, tenho certeza também que eu lembraria, caso tivesse acontecido. E na ausência de lembranças percebi o excesso de desimportância daquilo tudo. Não deixou de ser bom, mas não foi nada fora do comum. Diferente de você, eu imagino, eu me entrego muito mais aos sentimentos feijão com arroz. Para mim, o fato de não ter sido excepcional talvez seja o mais belo. Os detalhes que se apagaram da minha lembrança dos fatos que não eram assim tão importantes. Eu vejo beleza mesmo no passar das horas acompanhado, nas conversas e risadas que se misturam com o excepcional. Na base que suporta as loucuras de uma noite regadas a alcool e fuga. Porque estávamos fugindo, cada um dos seus demônios. Você, do que tinha deixado de ter, mesmo pensando ter conquistado, e eu, da minha disciplina germânica e negação do superficial e louco. Fugimos tanto que acabamos mergulhados nos nossos mais assustadores demônios. Juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não imaginei em nenhum momento que eu fosse a mulher da sua vida, mesmo se eu chegasse a acreditar que você fosse o homem da minha. Não éramos nada. Mas vi em você o quanto eu quero de alguém que um dia quero ao meu lado. Não, não é idealização. São só valores que às vezes deixo pelo caminho em que só cruzo com quem destoa tanto. E nesses, eu abro mão por conveniência desses valores. Por carência e por necessidade de ser quem eu não sou. E quase fiz isso com você também. Quando te disse que eu sabia o que estava passando pela sua cabeça naquele domingo de manhã, eu quase não sabia quem eu era e quase deixei de gostar de mim. Quase deixei de gostar de quem eu demorei tanto tempo pra aceitar, em quem eu havia me tornado e me resgatado tantas e tantas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo repetir as palavras quase exatas que te disse naquela manhã. "Eu sei o que você está pensando: Ela é legal, super gente boa, uma companhia ótima. Mas não é ela. Não quero nada com ela depois de hoje". E eu disse as palavras que eu imaginava serem suas com pesar, quase triste, mas, ainda assim, sem suspirar. Era tudo o que eu não queria. E ainda assim, era só o que era. Você não confirmou e também não negou. O que, de certa forma, é a maior confirmação que poderia vir de você, educado e ponderado. Aquilo que eu não era. Eu era uma louca tentando colocar em palavras tudo que eu deveria acreditar naquele momento. Você me perguntou no que eu estava pensando. Eu olhei para baixo e disse que só o que eu fazia era pensar no que você estava pensando. No fundo mesmo, o que eu repetia a mim mesma era algo como: "Eu sei que não mexi com você a ponto de nada! Mas como eu queria que você mudasse de ideia e olhasse o mundo da mesma forma que eu! Ah, se você tentasse, se você quisesse, mesmo que não sentisse... Se repetisse o que aconteceu hoje sem arranhões no ego, sem alcool, tenho certeza que você descobriria como ninguém precisa de tanto pra sentir tudo!". Não falei pois seria em vão. Como foi, agora. Aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já sabia desde sempre. E não à toa os olhares desviados, minhas falas pensadas, a ausência de suspiro quando coloquei em palavras toda a verdade que talvez eu não pudesse suportar. Verdades são ótimas só quando temos lágrimas que podemos secar com as próprias mãos. Era verdade que faltava muita coisa. Mas mesmo assim valeu a pena. Não pelo fato de buscar sentido em tudo que me acontece. Já aprendi a viver só sentindo e não tenho mais medo de me faltar o chão. A sensação de queda livre é deliciosa, mesmo que me valha a dor de chocar com o chão depois dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre bom enxergar meus valores e relembrar do que eu quero para os meus relacionamentos quando estou com alguém, mesmo que seja por algumas horas. Aprendi a viver na eternidade entre os minutos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquela noite, com você, eu lembrei de queeu  quero alguém que me tire de casa, da minha zona de conforto e me faça desviar olhares em vão. Quero conversas que se sustentem na manhã do próximo dia, depois do efeito do alcool acabar e das luzes se acenderem. Quero não ter que tomar banho junto, mas brincar com o que aconteceu, sem o peso de manter encantado o que já se passou. Quero o inesperado, mas não quero o excepcional. Quero que me tirem o fôlego sem que me tirem a realidade. Quero que me impressione, sem que seja necessário apelar para o vislumbre. Quero o simples, por mais que eu seja obrigada a suportar a sinceridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você foi. E fez tudo isso. Mesmo sem ter ficado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2674778799645416562?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2674778799645416562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/02/mesmo-sem-ter-ficado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2674778799645416562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2674778799645416562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/02/mesmo-sem-ter-ficado.html' title='Mesmo sem ter ficado'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-30137959462880322</id><published>2011-02-07T11:16:00.000-02:00</published><updated>2011-02-07T11:17:42.727-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racionalizando'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><title type='text'>Simples é... Fácil, nem sempre!</title><content type='html'>Esses dias eu estava pensando em mudanças na vida, quebra de padrões. Eu nunca sei quando quebrei os meus e parei de verdade de repetir meus erros. E eu também estava pensando em escolhas. Mas, pra dizer bem a verdade, acho que isso é que anda diferente. E não é de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro de quando conheci o canadense, lá, bem na porta da minha casa. Lembro que fiquei empolgadinha e até ensaiei uns pulinhos de felicidade depois que nos perdemos de vista. Mas eu lembro que isso só durou uns minutos, algumas horas, quem sabe. Porque eu lembrei logo em seguida de que, não importa o que acontecesse a partir dali, ia acabar. Ou porque ele não sentiria as mesmas coisas que eu, ou alguém mais interessante pra vida dele apareceria cinco dias depois, ou ele se desinteressaria por motivos que nada tinham a ver com quem eu era, ou na melhor das hipóteses, porque eu ia embora alguns meses depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, dessa vez, não seria porque eu criei expectativas demais e não soube lidar com uma situação, que é o que geralmente acontecia. Porque eu nunca fui de ficar só empolgadinha. Eu soltava fogos de artifício dentro da minha imaginação e ia longe. Criava um mundo encantado, me cobrava de não fazer nenhuma besteira, e eu me frustrava conforme os dias iam passando, o telefone não tocava ou o outro falava uma coisa ou outra que não fazia parte do meu script imaginário. E vocês não imaginam como a minha imaginação é fértil e tenho uma capacidade incomum de arrumar argumentos em entrelinhas que nem foram escritas! Todas as minhas histórias tinham base argumentativa pra aumentarem cada dia mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá pra cá, acho que as coisas mudaram. Talvez seja só porque o meu foco agora é outro. Claro que eu continuo pensando demais em tudo. Mas ando pensando mesmo em um emprego novo, em coisas que eu quero pra minha vida mais em forma de direcionamento do que de forma personificada, com linhas bem delineadas. Não idealizo mais de forma exata, meus objetivos são vagos. Eu só sei como eu quero ir, não exatamente onde quero chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez quebrar padrões seja quebrar imagens engessadas que passamos a vida criando. Relacionamentos não dão certo porque você faz isso ou aquilo e deixa de fazer aquilo outro. Pessoas não escolhem ficar na sua vida porque você só deu sinal de vida depois de 48 horas ao invés de ter aparecido 24 horas depois. Escutei esses dias de um amigo que eu tinha feito tudo errado quando contei que preparei um jantar pra um cara que eu tinha conhecido a poucos dias atrás. Ele falou que uma mulher nunca deveria fazer esse tipo de coisa pra alguém que acabou de conhecer, que o cara perderia o interesse, que parecia tudo rápido demais. Mas eu nunca fui daquelas que sabe esperar. Eu deixo as coisas irem acontecendo e tanta coisa já aconteceu de diferentes maneiras, mesmo quando eu fazia tudo igual, que duvido que exista fórmula pras coisas acontecerem da forma que queremos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que eu aceitei mesmo que não temos controle de nenhuma situação. Saber se deixar levar e que as coisas aconteçam não só pela sua vontade tem seus encantos. As pessoas continuam na sua vida porque elas escolhem assim. E, quando elas escolhem, elas só permanecem quando você dá espaço pra elas. Se você fecha a porta, elas se afastam e pronto. É simples, mesmo que não seja fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que é muito mais fácil tentar ficar com alguém vivendo um dia de cada vez. Sem nos cobrarmos muito e sem cobrarmos muito do outro. Porque muito o que se vê hoje em dia é pessoas pulando de galho em galho porque acham que sempre podem conseguir alguém melhor pra ter do lado. Uma insatisfação sem tamanho, relações superficiais que buscam o plástico, o belo. O podre. Porque geralmente é lindo e inventado no primeiro encontro, programado. As pessoas agem de forma pensada e mostram sentir encantamento que nem sempre é suficiente para fazer acontecer um segundo encontro. É sempre uma desculpa nova, dessas que achamos que o outro ainda não conhece. "Preciso sair com a minha melhor amiga, querido! Ela está mal, deprimida e precisa conversar. Não vou virar as costas pra ela logo hoje, né?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, foi quando comecei a pensar em tudo isso. Escolhas, expectativas, padrões, relacionamentos superficiais e regras. Estava pensando em como eu deveria agir pra que as coisas dessem certo dessa vez. Mas lembrei de quando as coisas deram certo e que não segui coisa alguma, nem pensei muito sobre nada. No fundo mesmo eu só escolhi deixar a porta aberta e me deixei ser levada sem surtar, sem pensar demais. Isso também é escolha: eu dei sinal que sim, eu estava disponível e queria. E esperei pra ver se era assim que acontecia do lado de lá também. E é fácil saber quando não está se jogando um jogo. É simples. E pode ser fácil quando é fácil pros dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-30137959462880322?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/30137959462880322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/02/simples-e-facil-nem-sempre.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/30137959462880322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/30137959462880322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/02/simples-e-facil-nem-sempre.html' title='Simples é... Fácil, nem sempre!'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5379565311514737188</id><published>2011-02-03T13:02:00.000-02:00</published><updated>2011-02-03T13:03:06.340-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Em silêncio</title><content type='html'>Treze ligações num intervalo de uma hora e quinze minutos. Fazendo as contas, uma hora e quinze minutos são 75 minutos que, divididos por 13, dá uma média de 5,6 minutos por ligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem pela manhã, saí de casa em busca de um pouco de silêncio, já que a entrada do prédio está em reforma e quarta-feira é o dia que a Isabel aparece para dar conta da sujeira que o meu TOC não deu conta de dar. E como eu continuo desempregada e à toa na vida, eu preciso achar com o que me distrair, fui pra um café tentar resgatar o que talvez seja o melhor dos meus vícios: um livro de papel, um balde de café e um lápis. Foi quando outra menina, do outro lado do salão me chamou a atenção. Comecei a anotar no guardanapo quantas vezes ela faria uma ligação.Ela emendava uma ligação na outra e foram 13 no total. Todas pessoais, sem nenhum assunto aparente. Ela falou com 13 pessoas e isso deve ser mais que o dobro da quantidade de números que eu tenho anotado no meu celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão que eu tive foi que ela escolhia uma pessoa aleatoriamente na agenda e ia ligando. Inventava assunto na hora, perguntava do primo recém nascido, do cachorro acidentado. Até um feliz 2011 ela soltou, imagine você, já em pleno fevereiro que o ano já está acostumado a ser o ano seguinte, em que todo mundo já tem planos pro Carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando em como diferentes pessoas lidam com o silêncio mesmo que eu mesma, sem soltar nenhum ruído, estivesse conversando com o livro que eu tinha em mãos, com os meus pensamentos e rindo sozinha com a minha imaginação. Têm pessoas que não conseguem ficar a sós consigo mesmas e se agarram aquilo que tem mais perto. A tela de um computador, ao telefone, à mesa do lado. Tem quem busque o silêncio a qualquer custo, fugindo pra um café só com um livro e um telefone desligado. Outras não suportam a ideia de ficar sem o estímulo nos ouvidos para evitar, talvez, a conversa que surge nos pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei quando aprendi a ficar em silêncio, a conversar comigo mesma e viver no meu mundinho criado só com as vozes que vêm aqui de dentro. Eu estou longe de ser quieta e está escrito na minha testa o quanto eu gosto de um bom papo. Eu falo sem parar se me dão espaço. Mas só eu sei o quanto eu gosto de ficar quietinha no meu canto, perdida no meu pensamento por horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez me disseram que é preciso saber transitar entre os mundos. Saber estar aberta e paciente para conversas que acontecem no mundo fora, escutar as histórias alheias, rir e contar o que se passa comigo, mesmo que o que as pessoas digam não mude em nada o que eu penso. E que também é preciso saber se voltar para si, ensimesmar. Mas que, principalmente, tem hora e lugar para tudo. Acho que aprendi com o tempo ir e vir entre esses dois mundos apesar de que, hoje, me vejo muito mais dentro de mim do que fora no mundo. Pela época, pelo momento que estou passando. Uma espécie de egoísmo cuidadoso, em que me obrigo a tomar cuidado primeiro do que se passa aqui dentro antes de sair socializando por aí. Mesmo que eu me arrisque dia ou outro no mundo lá fora e converse por horas seguidas com um desconhecido de sorriso fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina levantou depois de ter feito todas as ligações possíveis e, enfim, ter marcado um almoço ali perto, com alguém que ela detalhou o caminho ao telefone. Eu, respirei fundo, sorri pro guardanapo marcando 13 e segui com o meu livro, conversando com os personagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5379565311514737188?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5379565311514737188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/02/em-silencio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5379565311514737188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5379565311514737188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/02/em-silencio.html' title='Em silêncio'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-147822712614024840</id><published>2011-01-05T15:43:00.001-02:00</published><updated>2011-01-05T15:46:00.678-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loucura'/><title type='text'>Sobre quase nada, de tudo um pouco</title><content type='html'>Conversando ontem com o meu irmão, eu dizia como eu me sentia, nessa época da minha vida, chegando aos trinta anos, com nada de concreto. Não tenho o emprego que eu imaginava pra mim, não casei, nem menos tenho um namorado, não tenho o corpo que queria, não tenho filhos. Além disso, os dias passam e vejo cada dia mais que as pessoas inteiras mais próximas a mim não passavam de metades. Pessoas essas que aparecem pelo caminho, porque a cada dia que passa percebo o quanto posso contar mais e mais com a minha família. Claro que família a gente não escolhe, mas no final, acho que é melhor assim. Parece que eu não sou muito boa para fazer escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei sobre isso com o meu irmão, de forma mais sucinta e direta, já que paciência não é a grande virtude dele. Ele sempre foi bom em simplificar as coisas, pelo menos as minhas. E é por isso que eu gosto tanto de conversar com ele. A primeira reação dele foi: "Que drama! Será que você não consegue ficar em paz com o dia de hoje e perceber tudo de bom que se passa na sua vida?". Chorei lágrimas de silêncio, com pena de mim mesma, para depois sentir raiva. Raiva de mim porque não sou digna do sentimento de pena. Não sou essa pessoa fraca que muitas vezes eu sismo em acreditar que sou. Não sou vitima de circusntância nenhuma, nem mesmo das minhas escolhas. E eu repito isso em voz alta, depois de desligar o telefone, tentando lembrar que eu sempre gostei de improvisar no palco e dançar conforme a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei pensar um pouco sobre mim, sobre o que não acontece nesses últimos dias. Engraçado que tenho pensado pouco, analisado pouco. Sempre fui de torturar os meus sentimentos, até que eles confessassem o que eu tinha. Mas agora não penso, não sinto, não questiono. Até agora. Tem coisas na vida que não mudam nunca, mesmo quando insistimos em fazer tudo diferente. Enquanto outras, quando a gente menos percebe, já passaram. Voltei a me olhar do avesso, que é onde geralmente as feridas mal cicatrizadas aparecem a olho nu, sem cascas que nos fazem acreditar que já estão curadas. Não quero me resolver nunca, porque não sei o que seria de mim no dia em que tivesse certeza de como um dia começaria e terminaria. Os dias até ontem estavam demorando a passar. Pela superficialidade e falta do que sentir. Pela auto piedade de quem se deixa ser arrastada pela superficialidade das coisas não breves. A ausência de fatos me mostra, mais uma vez, que não se precisa de algo diferente todo dia. E que no silêncio do que é singelo, coisas novas surgem na mesmice do tédio. Que nem é tão chato assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-147822712614024840?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/147822712614024840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/01/sobre-quase-nada-de-tudo-um-pouco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/147822712614024840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/147822712614024840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/01/sobre-quase-nada-de-tudo-um-pouco.html' title='Sobre quase nada, de tudo um pouco'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3882952873569116642</id><published>2011-01-03T19:09:00.000-02:00</published><updated>2011-01-03T19:10:34.374-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mãe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racionalizando'/><title type='text'>Se conselho fosse bom...</title><content type='html'>Já dizia o ditado que se conselho fosse bom não seria de graça. Eu fico um pouco em cima do muro para opinar sobre o ditado. Já recebi conselhos ótimos. Muitos, no primeiro momento, eu torci o nariz, não encontrei eco quando me foram dados e, por confiar na pessoa que me deu tal conselho, eu arrisquei. Vi sentido só depois, em perceber que quem me aconselhou sabia muito mais da vida e daquela situação que eu. Também já dei muito conselho na vida. Abri minha boca pra falar muito mais até do que eu deveria. Tenho tendências fortes em dar pitaco na vida dos outros. Na maioria das vezes, as pessoas não me escutam mas não tenho mágoa quando isso acontece por entender bem que as pessoas não têm a minha vivência e a mesma opinião que eu. Por não terem os meus medos e a minha coragem (que não é grande nem nada, apesar de não ter medo de quebrar a cara por aí).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sou indecisa e gosto que as pessoas dêem pitacos na minha vida. Gosto quando as pessoas se metem nas minhas angústias e nos meus dramas porque sei que é muito mais fácil de perceber certas coisas quando se está de fora da situação. Gosto de ser desafiada, de escutar o que eu não tenho coragem de dizer a mim mesma, com medo de me machucar. Gosto de escutar que estou sendo covarde, que estou me colocando em posição de vítima. Gosto de ser acordada pra vida! Deve ser porque vem de criação e cresci escutando verdades doídas da minha mãe. Ela sempre foi craque em dizer que eu estava gorda pra usar aquela blusa justa, que eu era covarde em ter medo do escuro. Foi assim que eu aprendi a dar a cara a tapa, a fazer as minhas escolhas. Porque ela nunca fantasiou nem tentou me proteger do mundo lá fora. Claro que mãe é mãe e ela poderia ter me poupado de muitas frustrações desnecessárias, que poderia ter falado com mais jeito pra eu não me magoar. Mas a vida não é justa, me desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu não gosto é das pessoas passarem a mão na minha cabeça. Não gosto porque acho que não preciso disso. Não sou de vidro e não vivi uma vida cor-de-rosa choque. Tenho meus momentos de pedir socorro e que eu preciso de colo e um edredon quentinho e, nessas horas, tudo que eu menos preciso é de alguém dizendo que vai passar, que vai ficar tudo bem. Não, não vai ficar tudo bem se eu não tirar a minha bunda da cadeira e fizer as coisas acontecerem. Porque nada cai do céu! É preciso ter paciência, mas sem perseverança e ousadia, sua vida não vai mudar. Já me disseram que eu precisava me distrair pra não pensar nas minhas aflições. Como se a distração fizessem com que certas coisas se resolvessem por si, pagasse suas contas, limpasse sua casa, matasse o seu chefe. Distração resolve ansiedades banais, dessas que viram crise quando você enlouquece quando tem 18 anos e espera o fulaninho do final de semana passado que trocou olhares com você te ligar pra te chamar pra sair. Sair pra ir ao cinema, assistir televisão, ler um livro são ótimos programas quando você está cansado e quer parar de pensar na merda que voc6e fez no trabalho durante a semana corrida. Mas distração não te ajuda a arrumar um novo emprego, ter coragem pra tomar uma decisão delicada. Encarar as aflições e parar de reclamar sim. E isso talvez fosse um bom conselho, apesar de vago. Enfiar a cara na aflição, vomitar de pânico, parar de reclamar pra escrever um novo projeto são coisas que nem sempre são agradáveis de escutar como conselhos. Às vezes dói. Mas muitas vezes é preciso que alguém fale pra gente se movimentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se algum dia alguém quiser me dar um conselho, que seja sincero e verdadeiro. E que não venha por meias palavras. Se alguém quiser me ajudar, que não seja me dito pra continuar na inércia, no lugar comum. Porque é pra frente que se anda e pra cima que se cresce. Se for pra eu me distrair, que seja depois que eu já tiver chegado lá. Seja "lá" o lugar que for.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3882952873569116642?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3882952873569116642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/01/se-conselho-fosse-bom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3882952873569116642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3882952873569116642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2011/01/se-conselho-fosse-bom.html' title='Se conselho fosse bom...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6385294240677335470</id><published>2010-12-16T17:27:00.002-02:00</published><updated>2010-12-16T23:14:52.689-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racionalizando'/><title type='text'>Quando a falta de tempo é só falta de vontade</title><content type='html'>Minha vida anda bem mansa. Mansa demais ao ponto de eu passar os dias entediada, não importa o que eu invente fazer. Porque, para mim, vida mansa significa fazer tudo o que eu quero fazer, sem me agoniar com aquilo que eu deixei de fazer. E eu sempre achei que tempo é relativo e que presença na ausência faz todo o sentido do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil encontrar alguém muito ocupado, ainda mais em São Paulo, onde o trânsito muitas vezes toma um tempo desgraçado do seu dia, mesmo sendo você o tipo de pessoa que faz telefonemas, estuda inglês e lê livros enquanto fica parado na 23 de maio, 9 de julho ou na Marginal, indo e voltando do trabalho. Mas gente apaixonada que mora a quilômetros de distância existem aos montes nessa cidade em que as pessoas andam correndo pelas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou o maior exemplo de alguém que arruma tempo e disposição para socializar, mas nunca joguei a culpa na falta de tempo e no cansaço. Porque não há cansaço que me impeça de fazer algo quando eu quero. Porque eu sou daquelas que quero porque quero e não é uma dor de cabeça ou sono que me fazem desistir. E todas as vezes que eu quis algo, quis realmente, eu fiz acontecer. Lembro com um sorriso nos olhos de quando eu ainda ia trabalhar de metrô, saía às seis da manhã de casa pra academia, corria pro trabalho às oito de banho tomado e mochila nas costas, emendava um curso de Mercado Financeiro que ia até às dez e lá vai da noite. Depois desse dia corrido e do cão, eu arrumava fôlego, quase todos os dias, pra ver aquele matemático doidinho e querido que me fazia esquecer dos perrengues da vida, nem que fosse pra ficarmos conversando até altas horas assistindo Jô Soares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes o tempo e a distância complicam a vida de duas pessoas dispostas a ficarem juntas, independente do nome que a relação tenha. Mas quando se quer mesmo, se quer de verdade, a tecnologia nem tão avançada dá jeito das coisas se tornarem mais simples. Nada que um sms não faça por você no meio de uma tarde ocupada e estressante, um telefonema de boa noite, um email encaminhado com uma notícia que possa me interessar. Também sou bastante a favor de uma fugidinha no final do dia ou acordar uma hora mais cedo para tomar um café da manhã com alguém que nos importamos quando o tempo é escasso e as obrigações gritam alto por nós. Quem nunca matou uma aula ou uma ida à academia por um abraço demorado não sabe o que é se importar e não valoriza isso. Não ao ponto de merecer o respeito, a admiração e a reciprocidade do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta de tempo, no fim, é só falta de vontade. É uma desculpa pobre que busca respaldo no próprio umbigo. De gente que tenta se justificar sempre e cada dia mais, pensando que a própria vida é tão cheia e que só cabe em si. Daqueles que se esquecem que pra viver, não basta estar vivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6385294240677335470?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6385294240677335470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/12/quando-falta-de-tempo-e-so-falta-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6385294240677335470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6385294240677335470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/12/quando-falta-de-tempo-e-so-falta-de.html' title='Quando a falta de tempo é só falta de vontade'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2463779269114459695</id><published>2010-11-29T18:32:00.001-02:00</published><updated>2010-11-29T18:34:46.196-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Racionalizando'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loucura'/><title type='text'>Vamos divagar de-va-gar...</title><content type='html'>Esses dias, consultei uma cartomante. Nunca fui de acreditar nessas coisas, sempre achei uma insanidade sem tamanho. Fui primeiro por farra, mas mudei completamente de opinião depois que terminou. Mas a questão aqui nem é essa. Não quero falar da cartomante e das previsões que ela fez. Quero falar sobre um ponto que ela tocou que me fez pensar sobre uma parte da minha vida que anda meio morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela começou a ler a minha sorte pra relacionamentos - se é que podemos chamar isso de sorte - ela me disse que eu carregava uma dor de viúva, uma dor de quem deixou ou foi deixada por alguém. Lembrei do meu último relacionamento sério, se é que eu posso chamar o que tivemos de relacionamento sério. Nem eu sei, mas eu prefiro chamar assim pelo comprometimento que tínhamos um com o outro. Comecei a pensar e repensar o que eu espero de alguém e de mim mesma quando estou com alguém. E posso dizer que com ele eu tive uma amostra grátis de muitas coisas que eu quero e muitas coisas que não me fazem falta. Muitas dessas coisas que não fazem falta não é porque brigávamos muito, ou que tive contra-exemplos daquilo que eu quero. Não, nada disso. Coisas que não fazem falta no sentido de que é normal e esperado dentro de um relacionamento e que não fazíamos questão de ter no nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que quando nos conhecemos eu já sabia que não ia durar muito tempo. Era um namoro com data de validade determinada, afinal, eu iria voltar pra cá e ele ia continuar por lá. Mas parece que só lembramos desse mero detalhe dois dias antes da minha data de embarque, que foi quando as coisas ficaram ainda melhores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando desses meses que passamos juntos, percebi que nunca nos podamos, nunca impomos limites um ao outro. Cada um vivia a sua vida, sem dar satisfação ao outro, sem pedir desculpa por telefones desligados, por sumiços repentinos. Não, isso não era comum de acontecer, mas aconteceu algumas vezes. Aprendi a lidar com as minhas expectativas e a só combinar coisas que eu era capaz de cumprir. A só esperar dele o que tinha saído da boca dele. Aprendi a fazer as coisas por mim e não por ele, só falava o que realmente eu estava sentindo e só nos encontrávamos quando realmente havia desejo de ambos. Não chocava quando ele dizia que queria um tempo pra ele e, assim, eu me sentia confortável de fazer o mesmo quando precisava de um tempo pra mim. Mas o interessante foi perceber que esses momentos sozinhos para ambos minguaram rápido e preferíamos passar, mesmo que em silêncio, cada um dos tempos necessários juntos. Sabe, eu nem podia dizer que o amava, assim, desses amores que até doem no peito, de tão grande que era. Não, nem devia ser amor o que eu sentia. Mas quem se importa com amor quando eu tinha paz ao lado dele? Posso dizer que amor era desnecessário ali. Posso mudar de ideia, mas amor nem é tudo isso numa relação... Eu não tinha a mínima ideia do que ele fazia quando estava longe de mim, com o celular desligado. Mas quando estávamos juntos era uma delícia só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando no que quero nos meus próximos relacionamentos. Não quero perder o fôlego, não quero saber onde o fulano estará. Muito menos quero desculpas esfarrapadas de amigos que aparecem de surpresa pra chorar mágoas no boteco da esquina e precisam da companhia dele. Não quero alguém que pague as minhas contas nem que me impressione com o emprego, ou o carro, ou o apartamento equipado com milhares de bugigangas high tech que eu mal sei mexer. Eu me impressiono fácil, mas me impressiono com coisas banais, simples. Me impressiono com o silêncio e a segurança de um homem que me coloca sentadinha no canto na pia enquanto ele cozinha algo fácil e arruma os pratos, em meio à beijos e olhares com malícia. Quero um homem que note as minhas poucas palavras mas não as questiona. Sorri com os olhos e emenda uma história na outra e me deixa sorrindo, em silêncio, perdida em meus pensamentos, sem que ele se importe. Eu me impressiono com a segurança e simplicidade alheia, de um homem não faz questão nenhuma de me impressionar e muito menos se preocupa com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se a maioria das pessoas entende o que eu sentia quando ele escolhia o filme que íamos assistir sem me perguntar se eu queria mesmo ver aquilo. Eu, como boa indecisa, gosto de ser mimada assim. Gosto quando me poupam pequenas escolhas na vida já que sabem que eu já tive que decidir muita coisa por aí, sem pedir a opinião de ninguém. Eu gosto de quando não se preocupam com as minhas limitações. Não por descaso, só porque alguns homens, como esse que ficou por lá a dois meses atrás, acreditam mais em mim do que eu mesma. Não pensam duas vezes para colocar um filme antigo com piadas americanas que talvez eu não entenda na língua nativa. E abrem um sorriso de solidariedade e explicam assim, sem eu perguntar, que é pra eu não me sentir diminuída com as minhas neuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho mesmo que as mulheres se perdem procurando príncipes por aí. E homens perdem tempo tentando se vender como – se não como um príncipe completo – um que chegue aos pés de um. Talvez hoje eu tenha muito claro o que eu espero de um relacionamento que ficou bem simples e rápido saber se certas coisas se encaixam ou não na minha vida. E às vezes fico pensando que esperar tão pouco e achar graça nas coisas simples dificulta as coisas pras pessoas que cruzam o meu caminho. Nos meus sonhos estão alguém que divida um sofá apertado e que me encaixe nos seus braços enquanto mexe no meu cabelo. Alguém que não se desculpe pelo sofá apertado, que não lamente o cansaço da semana cretina corrida e que não repare nas minhas olheiras e nem se impressione com os meus choros de tpm. Alguém que ache graça em assistir episódios antigos e repetidos de Seinfeld só pra me ver sorrindo por estar ao lado dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2463779269114459695?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2463779269114459695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/11/vamos-divagar-de-va-gar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2463779269114459695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2463779269114459695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/11/vamos-divagar-de-va-gar.html' title='Vamos divagar de-va-gar...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2557460640268553609</id><published>2010-11-24T17:06:00.003-02:00</published><updated>2010-11-24T17:10:30.167-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não tente entender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Loucura'/><title type='text'>Para quem se preocupa demais...</title><content type='html'>O dia em que eu resolver me importar com o que as pessoas pensam de mim, pode me internar porque eu estarei louca. É bem verdade que do que mais as pessoas gostam de dizer que eu sou é louca. Bem fácil sair por aí dizendo que loucos são os outros. Ninguém quer olhar pro próprio umbigo. E, afinal, contra a loucura não há argumento. Quando você diz que alguém é louco você invalida todo e qualquer pensamento dele. Quando o louco argumenta, com bons argumentos ou em silêncio, mesmo lidando bem com as situações, pronto! Não vale nada, afinal, ele é louco. Qualquer reação do louco não vale nada por ser inconsciente, fruto somente dos seus disparates. No caso, meus disparates. Pois é, é bem fácil sair dizendo por aí que eu sou louca. Mas olha, nem ligo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias eu li uma frase assim: "O que as pessoas pensam sobre mim é problema delas". E é mesmo. Não sou mais de perder meu tempo tentando convencer que sou de um jeito ou não de outro e que consigo explicar muito bem minhas decisões e ações. Que mesmo meus impulsos podem ser explicados. E como eu os entendo... Mas não dá pra parar a vida pra explicar praqueles que mal tem uma por que o que eu faço, além de ser problema só meu, é bem insignificante. Não sei vocês, mas quando eu paro pra pensar na minha vida, eu lembro do tamanho do universo, que o Planeta Terra é só um pontinho perdido por aí e lembro qual é o meu lugar no mundo: nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um amigo muito querido que me chama carinhosamente de doidinha. Mas, por mais paradoxo que seja, sinto que ele me entende muito mais do que me julga. E é esse tipo de pessoa que faz diferença na minha vida. E com pessoas como ele que eu realmente me importo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho mesmo que gente louca é quem não é feliz e sai por aí julgando os outros sem fundamento. Porque elas acham que tem fundamentos fortes para os seus achismos. Como aquele tipo de pessoa que diz que você deve ser muito infeliz porque não tem isso ou aquilo. No fundo, elas depositam nos outros o que elas mesmas não tem: um emprego que gostaria de ter, amigos de verdade. Dizem que são melhores amigas de gente que mal falam, que o marido ou a esposa é apaixonado por eles e que trabalham muito, fazendo o que nem elas sabem direito. Pois é, tem gente que engana a si próprio e perde tempo olhando pra vida dos outros. Devem ser felizes assim, quem sabe. E depois, a louca sou eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: tem gente também que não entende por que raios eu escrevo um blog sobre a minha vida, que não tem nada a ver com economia, minha área de formação. Tem gente que, além de não entender, julga isso como loucura. Não tente entender. Eu não vivo pra trabalhar, eu trabalho pra viver. E, por mais que eu tenha certeza que escolhi a profissão certa, eu prefiro perder meu tempo escrevendo sobre o que eu sinto do que perder meu tempo julgando a vida alheia que é tão desinteressante quanto a minha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2557460640268553609?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2557460640268553609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/11/para-quem-se-preocupa-demais.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2557460640268553609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2557460640268553609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/11/para-quem-se-preocupa-demais.html' title='Para quem se preocupa demais...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1034633603786684162</id><published>2010-10-26T09:01:00.000-02:00</published><updated>2010-10-26T09:02:37.528-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><title type='text'>Algumas horas atrás</title><content type='html'>Caiu na cama em prantos. Morreu de cansaço e de saudades. Quis mudar de hemisfério, de língua, de casa. Deixar o carro onde estava, trocar o calor pelo frio, ter mais noite do que dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis não ter voltado. Queria ter ficado. Lembrou de quem era quando teve coragem de deixar tudo pela primeira vez. E tudo, naquela época, era bem pouco. Fechou os olhos molhados e inchados e se viu como alguém que não queria ser. Arrependeu-se de ser quem havia se tornado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se de quem havia sido, não tão longe, não há tanto tempo atrás. Gostava de ser quem ela era ao lado dele. Talvez não fosse ele. Talvez fosse só a distância e as circunstâncias. Mas era nele que ela pensava quando lembrava de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormiu em meio às lembranças e vontades. Acordou com a mesma disposição de quem não precisa de lágrimas e de saudades para saber quem é e o que quer. Ela sabia. É só questão de tempo, pensou sem suspirar. Não havia mais sonhos, nem idealizações, nem planos. Ou era tudo isso junto, sem se preocupar com certezas ou duvidar da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pode não saber o que quer da vida, mas já sabia o que esperar dela. Preferiu olhar pro seu mundo de forma diferente do mundo lá fora. Sabia que era muito melhor que os problemas alheios que insistiam em jogar pra ela. Tanta gente lá fora prefere gritar e culpar o que está fora, ao invés de procurar o que está errado lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não dormia oito horas mas percebeu que era só desabafar, chorar meias lágrimas pra se lembrar de quem era, separar seu mundo do mundo de merda lá fora. Ainda sentia saudade: do frio, dele, da outra língua. Mas não deixou de ser quem ela tinha aprendido a ser ao lado dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1034633603786684162?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1034633603786684162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/10/algumas-horas-atras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1034633603786684162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1034633603786684162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/10/algumas-horas-atras.html' title='Algumas horas atrás'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1326529109016302824</id><published>2010-09-06T20:51:00.000-03:00</published><updated>2010-09-06T20:56:34.452-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #7 – A namorada do meu ex-namorado</title><content type='html'>Meu primeiro namorado sério tinha uma ex-namorada de bastante tempo. E meu primeiro namorado era irmão de uma das minhas melhores amigas e, naquela época, todo mundo andava junto. Cidade do interior é sempre assim: todo mundo ao menos se conhece e vai ser muito amigo em algum momento da vida. Ou, pelo menos, pertencer a mesma turma. E a minha turma era enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo se via todo dia pois estudávamos no mesmo colégio. Éramos do primeiro, segundo e terceiro colegial. Algumas meninas do primeiro e do segundo namoravam com meninos do segundo e do terceiro. Aí, tinham os outros que se paqueram e, ainda, aqueles que não tinham interesses amorosos no rolo todo. E eu era uma dessas. Durante os primeiros anos do colegial eu era meio anti-social e fui a última da minha turma de 15 meninas a ficar com alguém. Tudo bem que eu era a mais deslocada da turma que, enquanto todo mundo ia pro clube no meio da tarde, eu vestia a minha meia rosa e prendia meu cabelo num coque tão bem puxado que meus amigos diziam que eu até ficava meio japonesa. Minhas amigas largaram o ballet lá pelos 11 anos e experimentaram tênis, natação, academia. Mas eu persisti até os meus quase 18 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi nessa época em que contávamos os minutos pro intervalo pra encontrar a turma inteira que conheci meu primeiro namorado, recém terminado com a namorada dele desde sempre. E ela era da turma, já que era namorada dele! Eu demorei uma vida pra perceber e uma outra pra deixar a coisa acontecer entre a gente. E, ainda por cima, tinha a ex-namorada que era da mesma turma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e ele começamos a ficar e o Fer era menino pra namorar. E ele sempre gostou de relacionamento sério. Acho que ele nunca teve paciência pra essa coisa de se organizar pra dar desculpa pra várias ao mesmo tempo. Começamos a namorar. A ex-namorada se afastou da turma no começo mas, com o tempo, ela voltou. Mas sempre ficava uma tensão no ar quando estávamos no mesmo ambiente. O mais estranho era que eu gostava dela! Gostava mesmo! Mas seria meio estranho conversar com ela – sem saber o que ela pensava ou se ela me xingava todo dia antes de dormir – e dizer que eu não tinha nada contra ela, apesar de estar namorando o cara que ela tinha namorado por 2 anos e queria ter continuado namorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sei que um dia aconteceu de nós conversarmos. Não lembro direito se eu ainda estava com o Fer ou se já tínhamos terminado. E, além da relação civilizada, ficamos amigas depois de algum tempo. Amigas mesmo! De sairmos juntas, de dar carona uma pra outra, de chorar bêbadas, de sentir saudades. E hoje ela é mãe de um menino lindo e muito bem casada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a primeira vez que fiquei amiga de ex-namorada de namorado – uma variação do título do post. Tiveram também vezes que fiquei amiga da namorada do meu ex-namorado, ex-caso, tanto faz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é comum eu manter uma relação amigável com os moços depois que meus namoros terminam, às vezes acontece de eu virar amiga ou só manter uma boa relação com as atuais namoradas dos cidadãos também. E, algumas vezes, acontece sem elas saberem quem eu sou! Foi assim com uma namorada de uma das minhas maiores paixões da adolescência. Cidade do interior, sabe como é! Eu só não sei como ela não sabia da história que eu tive com ele! A cidade inteira sabia. Mas enfim... Aconteceu que vira e mexe, já morando em São Paulo, quando eu ia pra cidade dos 3 S’s, eu encontrava com o casal. Sentava na mesa, contava da vida, abraçava e beijava todo mundo e saía rindo. Hoje eles nem estão mais juntos, mas vira e mexe eu ainda encontro com ela. E tiramos fotos e brindamos a vida. E, sinceramente, acho que ela sempre soube e sempre foi civilizada como eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem as namoradas dos meus ex que acabam tendo contato comigo por curiosidade. Eu também sou curiosa e já puxei conversa pra saber um pouco mais do que se passava do outro lado. Eu, como namorada, sempre preferi ficar amiga das ex dos meus namorados. Acho mais fácil ganhar a simpatia de alguém que morre de vontade de te mandar pro raio que o parta do que comprar briga. Eu sou a favor de ganhar guerra com sorrisos. E, vamos combinar, que é bem mais fácil quebrar a perna de alguém que está falando mal de mim e eu, ao invés de devolver gritando, sou educada, simpática e, ainda por cima, elogio. É horrível ser elogiada por alguém que você quer ver morta e gorda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu já desejei tanto ex-namorada de namorado meu como namorada de ex-namorado meu morta e gorda. Mas só por uns poucos minutos. Eu sei, no fundo, que elas não tem culpa da minha incompetência – ou incompetência deles, claro! – de ficarmos juntos. E não tenho problema nenhum com nenhuma delas. Algumas vezes, elas tem problemas comigo. Mas, me desculpa, não sou psicóloga nem mãe de ninguém pra querer sair por aí resolvendo problema de mulher recalcada e insegura, que tem certeza que não se garante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As circunstâncias são tantas para que duas pessoas resolvam se separar que achar que o motivo é único e exclusivamente outra mulher é dar muito poder pra uma só pessoa. E pensar que foi por minha causa – ou ela pensar que foi por causa dela – é de muita arrogância. Eu prefiro poupar brigas desnecessárias e deixar o caminho aberto para que, se essas mulheres queiram se aproximar, as portas estarão abertas! Eu confio no bom gosto dos meus ex-namorados. Em alguns casos, é claro! Porque tem alguns que já fizeram trocas pra receber troco, tenho certeza!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1326529109016302824?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1326529109016302824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/09/as-pessoas-da-minha-vida-7-namorada-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1326529109016302824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1326529109016302824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/09/as-pessoas-da-minha-vida-7-namorada-do.html' title='As pessoas da minha vida #7 – A namorada do meu ex-namorado'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5577338129838818467</id><published>2010-09-03T11:19:00.000-03:00</published><updated>2010-09-03T11:20:34.820-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #6 – Ex-casos que viraram amigos</title><content type='html'>Tenho algumas amigas que seguem a máxima de que ex bom é ex morto. Se não morto, bem longe delas. Eu já tentei, mas juro que não consigo. Acho que vem da minha dificuldade em terminar relacionamentos. Eu não termino nenhum deles. Ou quase nenhum. Eu dou uma mexidinha, aparo umas arestas, me distancio alguns dias e mudo as coisas de lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é regra, mas acontece bastante. Meus ex-casos, ex-namorados, ex-qualquer-coisa, geralmente viraram meus amigos. Tudo bem, nem sempre amigos, desses que sairão correndo pra me ver se eu for internada com pedra no rim. Mas costumo ter uma relação amigável com cada um deles. Alguns viraram amigos mesmo, desde que a gente conversa quase todo dia, conhece a namorada nova e até sai pra tomar uma cerveja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já aconteceu muito de ex ter virado amigo e, depois, quando ele começou a namorar, a frustrada e insegura da namorada fez o coitado do capacho me deletar do orkut, facebook, msn, email e o raio que o parta. E agora ele só sabe da minha vida a distância, entrando no meu blog e nos meus perfis das redes sociais escondido, e apagando o histórico da internet correndo, logo em seguida. Uma tristeza! Mas eu não tenho nada com isso. Cada um escolhe a namorada que tem. Mas é difícil acontecer. Geralmente a relação com os meus ex continuam de forma civilizada e amigável. Não precisa ser o melhor amigo e ligar para a minha mãe no dia do aniversário dela. Mas não precisa me evitar como o diabo foge da cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse negócio de ser amiga de ex já causou muito mal entendido. E uma ou outra recaída. Sabe como é... Um homem e uma mulher que já sentiram algo um pelo outro, tomam uma ou algumas doses de qualquer coisa. As coisas ficam mais simples e aquela história de “relembrar é viver” fica forte e a gente não se aguenta. Tenho muitas histórias de recaídas (o que é diferente de tentar de novo, não confundam!). Tirando as recaídas – coisa normal de adulto embriagado e carente – ex caso que virou amigo já causou mal entendido, olhares de reprovação e expressões de “não estou ententendo mais nada”. Já vi expressões de susto das pessoas me vendo com ex com a atual namorada e depois virem me perguntar o que raios eu estava fazendo na mesma mesa do Fulano com a Sra. Nova Fulana, rindo e conversando. Já fui buscar namorada de ex meu no aeroporto, lá nos cafundós, pra vocês terem ideia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que acontece com frequencia no meu caso. Deve ser porque não guardo rancor e aceito numa boa o fim das coisas. Depois de um tempo, é claro! Porque não vem pedir pra ser meu amigo e ficar só com a parte boa, enquanto meu coração está massacrado e quebrado. Porque é querer demais. E meu estômago até aceita tempero excêntrico. Mas é melhor controlar certas coisas para não morrer de indigestão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5577338129838818467?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5577338129838818467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/09/as-pessoas-da-minha-vida-6-ex-casos-que.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5577338129838818467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5577338129838818467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/09/as-pessoas-da-minha-vida-6-ex-casos-que.html' title='As pessoas da minha vida #6 – Ex-casos que viraram amigos'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3589695316171487979</id><published>2010-08-28T14:17:00.001-03:00</published><updated>2010-08-28T14:19:03.755-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transbordamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><title type='text'>Sentindo...</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;... sem sentido. Sentindo tanto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde ontem que me sinto assim: uma mistura de sentimentos, choro no meio de risos e de saudade. Tenho saudade de tudo esses dias. Saudade do que sinto a distância diminuindo. Saudade do que eu ainda estou vivendo mas que vai mudar. As coisas sempre estão mudando, é verdade. Mas quando se tem consciência disso, parece diferente. Só parece. Mas não acho que seja ansiedade dessa vez. Não é uma vontade de viver tudo antes do tempo, de querer pagar pra ver, de acelerar o curso. Não quero que chegue logo e, dessa vez, também não quero que o tempo demore a passar. Não é arrependimento do que não foi.  Não tem nada fora de equilíbrio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, meu equilíbrio é esse mesmo. Sentir um monte de coisas ao mesmo tempo. Uma das coisas que sempre me impulsionaram na vida foram as possibilidades de mudança. Mudar de cidade, mudar de corpo, mudar de cabelo, mudar de vida. Por muito tempo pensei que sempre tive dificuldade de abrir mão de tudo aquilo que eu me propunha a fazer. Nunca fui daquelas de abandonar curso sem ter terminado, deixar de ler um livro porque não estava gostando da história. Eu sempre terminei, mesmo que para isso eu torcesse o nariz. Mas vejo que eu não sou tão extremista assim. Eu gosto de mudança. Deus, como eu gosto! E gosto da forma que eu transbordo nos momentos que antecedem os passos maiores que eu já dei na vida. Não foram assim tão grandes, é verdade. Mas foram importantes pra mim. Porque eu funciono assim: enfio uma coisa (possível ou não, tanto faz!) e vou atrás,  até conseguir. Depois que eu consigo, eu adoro aquela sensação de paz. Adoro a rotina que se forma com a nova vida. Aproveito todo o sistema que se estabelece ao redor da minha vida, incorporada àquilo que eu consegui. Mas, chega um tempo que eu fico entediada e quero mudar tudo de novo! Aí procuro outra coisa para enfiar na cabeça e ir atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse espaço de tempo entre o estar entediada depois da rotina e paz estabelecida (e muito bem aproveitada, porque, é sério, eu adoro rotina!), eu sinto aquela sensação de incerteza, do novo se aproximando, do “será que vou dar conta?”. A sensação é a mesma que ver a sua casa sendo desmontada para ser montada em outro lugar, em outro espaço físico. Eu já fiz mudei de casa algumas vezes. Em algumas delas contratei aquela empresa de mudança que vai na sua casa com uns 6 homens e eles desmontam tudo em menos de 1 hora. E é essa a sensação. De colocar sua vida em caixas, lacrá-las, etiquetá-las e depois abri-las em outro lugar. Você não sabe se os móveis sofrerão arranhões com a viagem de um lugar pro outro, vai descobrir que algumas daquelas caixas serão só tralhas, bem diferentes daquilo que você encaixotou. Outras, você abrirá com cuidado e esmero, torcendo para que nada tenha acontecido ali. E lerá sussurrando, sozinha: “Frágil” na etiqueta. Todas as suas coisas continuam sendo as suas, teoricamente as mesmas que você colocou dentro das caixas. Mas algo sempre acontece no meio do caminho que muda como se enxerga os tamanhos, as cores e os formatos de tudo que está ali dentro. E é sempre tão diferente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez essa diferença que aconteça durante o processo que me faça sentir tanto. Eu me dilato e transbordo quando passo de sólido pra líquido. Choro, no meio do riso e da saudade. Porque o que está passando não voltará da forma que foi. E o que vem pela frente vai ser diferente do que sempre foi. Porque sempre é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3589695316171487979?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3589695316171487979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/08/sentindo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3589695316171487979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3589695316171487979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/08/sentindo.html' title='Sentindo...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4304016596007628525</id><published>2010-08-15T10:08:00.001-03:00</published><updated>2010-08-15T10:12:46.977-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #5 – Não por acaso</title><content type='html'>Não por acaso as pessoas entram na minha vida. Aliás, eu não acredito no acaso. Vivo procurando sentido em tudo que acontece. Confesso que é cansativo imaginar que vivo no Mundo de Trumman e que vivi as melhores épocas da minha vida quando tirei férias dos porquês, “deve significar que...”, essa pessoa veio pra me mostrar que...”. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De uns tempos pra cá parei de procurar explicação enquanto eu estava vivendo as situações, conhecendo novas pessoas. E, estranhamente, tem feito mais sentido. Nem sempre é óbvio, nem sempre é automático. Nunca percebo em cinco minutos. Difícil alguém significar ou mostrar algo pra outra pessoa em cinco minutos. Eu sou imperceptível em cinco minutos pra qualquer pessoa desconhecida. Não chamo atenção, não sou excêntrica. Nem tatuagem eu tenho. Mas voltando... As pessoas que aparecem na minha vida não aparecem por acaso. Às vezes elas permanecem por um breve período. Outras aparecem quando pareciam que sempre estiveram ali e me conhecem de outras vidas. Outras sentam do meu lado no metrô e puxam papo, contam sobre a vida e soltam frases, e fazem perguntas, e vivem o que já vivi ou o que estou vivendo. E me ajudam a questionar. E me ajudam a responder as perguntas que eu gostaria de ter feito a mim mesma. Já perdi a conta de quantas pessoas já conheci que estavam vivendo o que eu tinha acabado de superar. E que o meu melhor conselho foi: “viva o que você tem para viver. Não importa o que eu passei e não importa o que eu te fale. Você vai ter que viver e ver com os seus olhos. Ter o coração completamente quebrado, em pedaços que você não pode juntar, pra perceber que mesmo assim é forte. E que você não precisa juntar as partes pra ter um coração novo de novo”. E eu me enxergo nessas pessoas. Em situações delas que são minhas. No mesmo momento ou não. Na absurda semelhança ou na completa diferença. Porque as diferenças também nos ajudam a enxergar o que somos através daquilo que nunca fomos. Que queremos ou não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estou aprendendo que, da mesma forma que certas pessoas não aparecem por acaso, elas duram o tempo que elas devem durar. Acho arrogância da minha parte pensar que posso mudar a realidade de alguém só porque simplesmente quero que ela fique mais ou volte sempre. Estou aprendendo a deixar que as pessoas saiam e entrem na minha vida e, principalmente, aprendendo a ficar em paz com isso. Porque o tempo de cada um comigo também não é por acaso. O que eu posso fazer é deixar a porta aberta pra quem quiser voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana eu estava conversando com o Ryan sobre a vida. Comecei a sentir tudo aquilo misturado de quem está se despedindo de uma vida para começar outra. Olhei pra ele e lembrei de como nos conhecemos. Lembrei da paz que eu sentia dois dias depois de ter decidido ficar em Toronto mais alguns meses. Lembrei que estava sentindo uma espécie de vazio. Não aquele vazio de quem sente a falta, a necessidade de ser preenchido. Mas um vazio bom, de quem terminou de reformar a casa, jogar fora os móveis velhos e ainda sente o cheiro de tinta fresca. Era um dia de céu azul e sol, sem a umidade insuportável do verão de Toronto. Estava em casa de bobeira e resolvi para dar uma volta. Andei seis passos antes dele me encontrar. Eu ainda estava em frente de casa e ele parou para conversar, me fazendo girar rápido o botão do português para o inglês e sorrir com a surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é meu vizinho e, desde a noite do dia seguinte àquele, estamos juntos. Nesse tempo, aprendi muitas coisas com ele. Uma delas foi viver um relacionamento que tem data pra acabar. (Bom, não sei se realmente aprendi porque, preciso confessar, comecei a chorar no “data pra acabar”). Aprendi que um homem pode me tratar bem, mesmo nessas circunstâncias. Porque, veja bem, eu não estava acostumada com isso. Nunca imaginei que ficar bem com alguém pudesse ser simples. Lembro de tudo que me permiti sofrer em outros relacionamentos, em que homens se justicavam tanto, complicavam tudo. Eu permitia e aceitava, sempre. Tão sempre e com todo mundo que até achava natural a vida ser tão difícil de ser dividida. Aprendi com ele que, pra ser feliz do lado de alguém, você não precisa se apaixonar, ficar cega, desejar uma festa de casamento e filhos. Você mal precisa de planos. Eu não sou apaixonada por ele e, tenho certeza, nem ele por mim. Foi importante conhece-lo e ficar com ele durante esse tempo. E só foi possível viver e aprender certas coisas agora. Não é por acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu poderia contar aqui a história de muitas pessoas que conheci no momento certo, com os diálogos certos e que me fizeram olhar pra minha vida de forma distinta. Ou ficar em paz com o meu caminho percorrido. E me dá um aperto no coração em pensar quantas vezes eu me fechei, fiquei alheia às pessoas na rua, evitei conversas no metrô ou no corredor do supermercado. Tenho andado com os olhos mais abertos, com o coração mais tranquilo. Sem tensionar encontros que acontecem todos os dias, pelo meio do caminho. Tentando não procurar sentido, mas deixam que eles sejam. Que pessoas tomem seus espaços e mexam no que quiserem. E que vão quando não fizerem mais sentido, que voltem ou permaneçam o tempo que for necessário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4304016596007628525?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4304016596007628525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/08/as-pessoas-da-minha-vida-5-nao-por.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4304016596007628525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4304016596007628525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/08/as-pessoas-da-minha-vida-5-nao-por.html' title='As pessoas da minha vida #5 – Não por acaso'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8718741548619938840</id><published>2010-07-17T12:50:00.000-03:00</published><updated>2010-07-17T13:08:05.193-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #4 – A partir e além da internet</title><content type='html'>Eu pensei um pouco sobre qual seria o tema entre as pessoas da minha vida que eu escreveria hoje. Porque, eu sei, passou um tempão e eu não dei as caras por aqui. E tanta coisa acontecendo – nada muito ruim mas nada muito bom também, até quero escrever um texto sobre isso – e resolvi escrever sobre aquelas pessoas que conheci antes de dar um abraço. Aquelas que eu não sabia se eram idênticas ou completamente diferentes das fotos, posts e jeito de escrever. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já conheci muita gente na internet. Muita! Mas isso é a coisa mais normal hoje em dia. Esses dias eu estava pensando em como é conveniente conhecer pessoas na internet. Você simpatiza, se aproxima, se a pessoa é mais ou menos aberta ela te responde. E assim a coisa vai indo. Até que se marque um jantarzinho, uma cervejinha, um encontrinho. No diminutivo, que é pra não ter pretensão. Pela internet é tudo meio sem pretensão. Você não tem lá compromisso, não existe cobrança. Você responde aquele email quando quer, aparece online quando está disposto, se conecta no skype e deixa a bolinha verde quando está a fim de papo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas muitas de todas as pessoas que conheci primeiro entre teclas foram importantes pra mim. Já chorei e esqueci muito da vida na frente de uma tela, molhando o teclado. Já matei saudades, já dei conselhos e já ajudei muita gente a não fazer burrada. Já aumentei o volume do micro no máximo e esperei alguém me chamar no meio da madrugada pra falar da vida. Quantas noites de insônia não foram compartilhadas conversando, rindo e aprendendo com os problemas alheios. Mas muita gente que conheci nesses dias que tudo que eu queria era só que o tempo passasse mais rápido fazem verdadeiramente parte da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve gente que conheci pela internet que virou namorado ou quase isso. Algumas (poucas) vezes, mais que isso. Se tornou aquela pessoa que não precisa te abraçar pra se fazer presente. Teve gente que se tornou amigo de verdade. Daqueles que larga tudo pra ligar o computador, achar conexão lá na puta que pariu pra poder falar com você e ainda te ajuda, mesmo você morando no Canadá e a outra pessoa está morando no Brasil, tendo filho pra cuidar, trabalho pra dar conta e fuso horário no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu valorizo. Valorizo gente que não vê diferença entre se comunicar pelo teclado quando não existe possibilidade ou fica difícil de se olhar nos olhos e estalar um beijo na bochecha. Valorizo porque é, de qualquer jeito, tempo destinado a pessoas que você gosta. Não importa a forma. E até porque, é sempre uma forma de abrir caminho para que encontros novos, com novas pessoas, para além da internet, aconteça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todas as pessoas que já cruzei por aqui, entre teclados, lágrimas, gargalhadas, vídeos compartilhados, notícias de longe. Comentários – meus ou seus – no blog, identificações entre textos e reticências soltas. A todos aqueles que me conheceram mais de perto, que conhecem o som da minha risada e sabem pelos meus olhos que estou segurando o choro. Mas que sabem, principalmente, pelas minhas frases soltas do twitter, facebook, ou msn quando eu estou a ponto de dar cabeçada na parede. Muito obrigada! Todos vocês são, foram e serão importantes na minha vida. E não por acaso. Como não é por acaso que as pessoas entram na minha vida. E muita gente já entrou na minha vida por uma janela pulando na minha tela! Mas, por acaso, esse é o tema do próximo texto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8718741548619938840?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8718741548619938840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/07/as-pessoas-da-minha-vida-4-partir-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8718741548619938840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8718741548619938840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/07/as-pessoas-da-minha-vida-4-partir-e.html' title='As pessoas da minha vida #4 – A partir e além da internet'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2542684497996408598</id><published>2010-06-21T18:12:00.000-03:00</published><updated>2010-06-21T18:31:20.263-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #3 – Os amigos de uma vida inteira</title><content type='html'>Ah, os amigos de uma vida inteira... Não dá pra medir esse tipo de amizade pelo tempo em que se conhecem. Amigos de uma vida inteira você conhece desde sempre. Quando você conhece, percebe que vocês já se conheciam. Amigos de uma vida inteira é aqueles que bate o santo de primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, nem sempre é de primeira a empatia que a gente sente pelos amigos de uma vida inteira. Graças a Deus a gente tem a oportunidade de mudar de ideia sempre que a gente quiser! Mas posso dizer que é difícil de acontecer um caso de que eu não ia lá muito com a cara da pessoa e me aproximei devagar e virei amiga pra sempre. Até porque é bem difícil eu torcer o nariz pra alguém, seja lá como a pessoa for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz dois meses que eu estou longe de todos e quaisquer amigos. E faz dois meses que eu tenho sonhado muito com eles. Gente que fez parte da minha vida em todas as fases. Gente que fez parte da minha rotina em diferentes épocas. Porque meus amigos de verdade, de uma vida inteira, nem sempre conviveram comigo, me viram toda a semana, desde sempre. Mas tenho sonhado com muitos, todas as noites, e todos misturados. Grandes amigos da época do colégio, da faculdade, do mestrado. Do ballet, da rua, da internet, de outra nacionalidade. E acordo com uma sensação de segurança e leveza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você aprende a reconhecer amigos de uma vida inteira quando tira o peso e a cobrança dessas relações. Pára de criar expectativas. Sim, até em amizade a gente cria expectativa. Quer as pessoas sempre disponíveis e elas não são e não há nada que você faça que possa controlar isso se o outro não permitir. Amigo de uma vida inteira você fica muito tempo sem dar e receber notícia e nada muda na relação. Você sabe que o outro está vivendo a vida dele e quando o outro quiser dividir, ele sabe que vai encontrar a porta aberta. E assim é com você também. Eu não me preocupo em estar sempre em contato com os meus amigos de uma vida inteira. Mas eles fazem parte da minha vida sempre! E como é a dinâmica? É natural. É a mesma coisa que saber que meus pais e meus irmãos me amam. Que lembram de mim quando vêem algo relacionado à ballet, por exemplo, mesmo que seja um grampo de cabelo. Meu irmão não me avisou que ele vai casar, por exemplo, mas fiquei sabendo e não fiquei brava por ele não ter me contado. Fiquei feliz por ele, farei o que puder para ajudá-lo no que for. Sei lá porque ele não avisou. Acho que é porque deve ser chato ter que ficar contando pra todo mundo porque você está tão feliz! Mas isso não faz com que eu goste menos dele. Quero a felicidade dele e isso basta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os meus amigos de uma vida inteira é a mesma coisa. Esses dias, passeando pelas lojas, vi um óculos de sol de bolinha, igualzinho ao que uma grande amiga minha perdeu uns tempos atrás e eu comprei. Eu não falei pra ela ainda, faz tempo que não nos vemos (se duvidar, mais de um ano!), mas ela está sempre no meu coração.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também os amigos de uma vida inteira que eu acabei de conhecer. Eu sei que esses eu vou precisar do tempo pra me dar razão. Mas a gente reconhece ou se apega à isso. Se não nas coincidências, na empatia que sentimos na primeira conversa ou na disponibilidade recíproca pra ter pessoas de coração grande por perto. E a distância não é capaz de diminuir nem os recém-chegados à melhor condição de amigo! E eu tenho exemplos lindos de como isso é possível. De como amigos de verdade você não escolhe, reconhece. Mas como quase tudo nessa vida em termos de relação, depende de ambos pra dar certo! Da abertura e da disponibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que isso aconteceu faz poucos meses. Eu já estava de malas prontas e não tinha mais nada que me prendesse na minha vida antiga. E em plena véspera de feriado fui almoçar com uma menina (ou mulherão, depende do ponto de vista!) que eu não conhecia e fazia tempo que não me reconhecia tanto em alguém! Ela foi contando da vida dela e eu fui lembrando da minha. Dos desencontros filhos da puta que já vivi por aí. E rindo, feliz da vida, dos encontros como aquele que estava acontecendo, naquele minuto! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente nunca tinha se visto na vida e ela foi falando da vida dela e eu da minha. E por que falar assim da própria vida, dos piores medos pra quem você nem conhece? Olha, eu penso mais em “por que não falar?”. As coisas passam tão rápido e qual o problema em assumir por aí que você já foi burra, ou louca, ou impulsiva, nessa vida? Que já amou demais e se amou de menos? E quem não foi? E quem não fez? Eu só sei que foi ela quem segurou um super perrengue meu por aqui! E, ainda por cima, estando em outro hemisfério. É quando você está sem chão e, mesmo sem pedir ajuda, alguém te oferece – ombro, colo, ouvido e voz, muito obrigada! – que você percebe com quem pode contar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com amigo da vida inteira você não briga. Você se afasta, respira fundo e volta. Tudo bem, pode até rolar um bate-boca, uma alteração nos nervos, um descompensamento momentâneo da relação. E ainda bem que a gente não precisa dormir na mesma cama que os amigos pra uma vida inteira. Eu já me esquentei com alguns dos meus amigos e, quando é pra vida inteira, isso passa. Sempre passa. Geralmente é porque não concordo com algo mais sério e porque eu perco a paciência com a pessoa. Não por julgar. Mas porque sei que a pessoa vai se arrepender, perceber e sofrer pela decisão que ela tomou. Poucas coisas eu não consigo entender ou apoiar mesmo que, se eu estivesse na situação da pessoa, eu escolhesse diferente. Mas acontece. Nessas horas eu aviso que vou me afastar, que eu quero deixar de ficar sabendo certos acontecimentos da vida da pessoa e que ela pode contar comigo caso ela se foda e se arrependa. E que faço questão de continuar do lado dela pra todas as outras. Claro que é difícil de manter o contato. Mas as coisas sempre voltam ao normal quando a amizade é pra uma vida inteira. Já aconteceu algumas vezes. Sempre existe um certo estranhamento na reaproximação. Mas meus amigos pra uma vida inteira sempre me entendem (e me perdoam, é verdade! Porque tenho que admitir que sempre sou eu a cabeça-dura que tem dificuldades pra lidar com certas coisas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus amigos de uma vida inteira estão sempre na minha vida. Mesmo que eu não possa abraça-los tanto quanto eu gostaria. São as pessoas que eu amo mesmo que eu seja desleixada e deixe de dar notícias. Mas que sei que, quando eu o fizer, eles vão ficar felizes de saber de mim. São os amigos que tem meu sorriso no meio da tarde, quando recebo notícias pelos amigos dos amigos, pela atualização do facebook ou por emails e telefonemas. Amigos da vida inteira são aqueles que você sempre tem vontade de abraçar quando pensa neles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2542684497996408598?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2542684497996408598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-3-os-amigos-de.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2542684497996408598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2542684497996408598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-3-os-amigos-de.html' title='As pessoas da minha vida #3 – Os amigos de uma vida inteira'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3531217495669676959</id><published>2010-06-19T14:22:00.000-03:00</published><updated>2010-06-19T23:35:01.171-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #2 - Quando eu me engano</title><content type='html'>Comecei a pensar nas pessoas que fazem parte da minha vida e em quantas vezes eu já me enganei. Enganada no sentido de equivocada e não no sentido de ingênua. Apesar que já fui muito ingênua em se tratando de pessoas que passaram pela minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o tipo de pessoa que parte do princípio que as pessoas são confiáveis. Eu confio em qualquer pessoa que se aproxima de mim e sempre me mostro disponível. Porque eu sou disponível! Começo qualquer tipo de relação completamente aberta e vou colocando limites conforme os vínculos se desenvolvem. Mas não sei fazer isso direito, ainda. É comum acontecer uma relação desequilibrada, em que eu estou fazendo muito e recebendo pouco. Hoje em dia, acontece menos. Ou por menos tempo. Já tenho um pouco mais de maturidade e perspectiva ampliada para perceber como a relação se desenvolve. Mas, de novo, não é difícil perceber, com o tempo e a distância e, consequentemente, com o distanciamento, como as coisas que eu sentia e a forma que eu enxergava aquela amizade, era equivocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que aconteceu foi uma amizade que eu considerava pra vida inteira. Começou como uma relação de trabalho e, hoje, pouco tempo depois, não existe mais. Eu poderia morrer dura de um ataque super raro que eu não duvidaria que essa pessoa riria da minha cara. Minto! A última vez que aconteceu foi um amigo que eu considerava muito, muito mesmo. Ficamos amigos depois de sermos amantes. Acho que esse é um dos exemplos mais completos de amigo que eu tive. Porque, no texto passado, eu dividi as pessoas da minha vida em 7 diferentes tópicos mas, é claro, foi somente por motivos didáticos. Não dá pra separar relação igual se separa roupas por cores dentro do guarda-roupa. Nem por estação. Não existe amigo da coleção Primavera, Verão, Outono ou Inverno. É tudo muito misturado e a gente só sabe mesmo o que sente, sem explicar direito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse amigo eu conheci pela internet, mas desde sempre, já ia muito além. Tivemos um caso que acabou rápido e nos tornamos grandes amigos. Enquanto era conveniente, é claro. Não tinha resolvido muito bem as coisas na minha cabeça, resolvi abrir o jogo e me distanciei. Coincidiu com o fato de eu ter viajado e bem... a distância era física também. Me distanciei (sim, foi escolha minha porque a confusão era minha e eu sempre soube disso!) e resolvi o que eu tinha que resolver na minha cabeça. Ele já era um ex-caso que virou amigo e um amigo pra vida inteira. E foi por isso que eu tentei me aproximar de novo. Mas virou um típico caso de quando eu me engano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre quando existe um primeiro distanciamento é possível que exista uma reaproximação. Com amigos de uma vida inteira isso acontece de forma natural. Já perdi as contas de quantas vezes já cheguei para grandes amigos meus e disse: “olha, não concordo com o que você fez, nem com a forma com que você pensa. Não consigo conversar com você por um tempo porque não quero te julgar e nem ficar brava com você. Mas vai passar”. Sempre passou. Sempre as coisas voltaram a ser como eram. Claro que existe um certo estranhamento na primeira hora que voltamos a nos falar. Mas estranhamento é diferente de mágoa e rancor. E eu não guardo esse tipo de coisa comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei porque minha amizade com esse amigo (ou ex-amigo, se é isso que existe!) terminou. Fiquei bastante chateada e vira e mexe ainda tento falar com ele, puxar assunto, contar dos meus dias. Sinto falta de saber dos dias dele também. Às vezes eu penso que eu era só conveniente para ele enquanto estava perto. Era conveniente enquanto ele não tinha que lidar com os meus sentimentos e minhas mudanças de humor. Conveniente enquanto ele precisava de alguém pra ter do lado e colaborar com a auto-estima dele, considerando que ele estava se fudendo no namoro. Tentei repetir pra mim as desculpas que ele me dava, tentando acreditar que ele era só ocupado, ou ferrado no trabalho, ou com problemas com a namorada. Mas ele já tinha todos esses problemas quando me conheceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo com a “amiga” do trabalho. Dividimos a mesma mesa e é difícil acreditar que faltava tanto tempo assim pra um café, pra um telefonema. Algumas vezes ela me procurou para saber como eu estava. Assim como esse meu amigo. Mas geralmente eram as vezes que eu estava feliz, ou que algo de bom tinha acontecido na minha vida e eles ficavam sabendo pelo twitter, pelo facebook, ou whatever! “Jura que você está apaixonada? Por quem?”. “Fiquei sabendo que você está indo viajar? Quando você vai?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu percebo quando eu me engano quando deixo de ter vontade de responder. E, mesmo assim, sinto um nó na garganta de saudade do que eu pensei existir. Saudade de dividir os perrengues, de jogar conversa fora e de poder exagerar achando que eu não estava sendo julgada. De não ter medo de falar sobre mim e escutar sobre eles e ser interrompida. Porque amizade de verdade, mesmo quando existe um compromisso no meio, milhares de quilômetros, namorados, etc, não interrompe a conversa, só suspende. Eu – e o outro – sabemos exatamente onde paramos e sempre queremos saber o fim da conversa. Mesmo que o outro não lembre mais do que estava falando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigo de verdade sempre quer saber se você está bem. Mesmo que ele mesmo não esteja. E, principalmente, quando ele está! É. Geralmente eu me engano com esses amigos que só são amigos quando estão se fudendo na vida. Quando estão carentes e inseguros. Amigos de conveniência. Que funcionam bem enquanto estão em crise amorosa, no casamento ou no namoro. Depois que passa, a amizade é descartável. Cansei de atender telefonema de madrugada, sábado de manhã, domingo depois das 22h pra escutar ou sair correndo, nem que fosse pra jantar e conversar com esses amigos. E me senti perdida quando precisei de 5 minutos – pra um café, meia dúzia de palavras, um sorriso e um abraço, que fosse – porque não tinham tempo, precisavam marcar na agenda (data e horário, por favor!), num dia livre, quando não tinham mais nada para fazer. Ou a resposta era simplesmente: estou correndo, depois falo com você. E depois era sempre nunca mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aprendemos a fechar portas da mesma forma que aprendemos a abri-las. E não desprezo o fato de me enganar com certas pessoas. E não julgo também. Penso que é só uma forma diferente de viver as relações. Tem gente que tem dificuldade de sair da superficialidade e vive de relações descartáveis e fúteis. Convenientes. Talvez certas estejam elas. Mas ainda não consigo ser assim. Talvez seja por isso que essas pessoas não fazem tanta falta assim na minha vida. Eu me despeço, geralmente em silêncio, e minha vida segue. Porque até eu canso de implorar amizade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3531217495669676959?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3531217495669676959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-2-quando-eu-me.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3531217495669676959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3531217495669676959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-2-quando-eu-me.html' title='As pessoas da minha vida #2 - Quando eu me engano'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7235831141028462504</id><published>2010-06-17T22:48:00.001-03:00</published><updated>2010-08-15T10:15:27.192-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='E por falar de gente...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Séries'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>As pessoas da minha vida #1 - Introdução</title><content type='html'>"É impossivel ser feliz sozinho", como diria Tom Jobim, em Wave. Mas Tom Jobim que me desculpe, se ele estava se referindo somente aos amores da vida. Pra mim, não estar sozinha, nesse sentido, significa sofrer! Mas não é por isso que eu comecei a escrever esse texto! E, pros curiosos de plantão, eu estou sozinha e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object style="background-image:url(http://i3.ytimg.com/vi/vpLLKvDAXNI/hqdefault.jpg)"  width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vpLLKvDAXNI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vpLLKvDAXNI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" width="425" height="344" allowScriptAccess="never" allowFullScreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas se Tom Jobim estivesse falando genericamente que é impossível ser feliz sozinho, eu preciso concordar e generalizar ainda mais: é impossivel viver sozinho! Eu não lembro de um momento na minha vida - seja ele um perrengue daqueles ou algo que me emocionou positivamente - em que eu estivesse realmente sozinha. Que eu não pudesse dividir a minha vida com alguém! Aqueles que me conhecem devem estar torcendo o nariz e murmurando um " puf, duvido!", considerando que eu sou uma criatura deveras anti-social e com graus elevados de desapego emocional. Mas desculpa, nunca aconteceu! E eu estava pensando nisso hoje, no intervalo entre o café e os livros. Estava pensando nas pessoas que fazem parte da minha vida, assim, de forma genérica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Porque existem diferentes formas e graus de envolvimento entre as pessoas que fazem parte da vida umas das outras. Tem aqueles amigos que você não tem muito contato no dia a dia mas parece que sabem quando você está bem, quando está mal e até que você vai casar, sem nem mesmo ter recebido ainda o seu convite de casamento. Amigos que você passa meses sem conversar mas sabe que pode contar com eles de qualquer jeito. Você fica meses sem dar notícia, anos sem encontrar pessoalmente, mas se um dia você for internado por qualquer motivo de saúde um pouco mais grave, são esses que vão passar a noite com você no hospital! São os amigos que você sabe que estarão no seu enterro!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esses você reconhece e sabe quem são conforme o tempo passa! Eu tenho amigos desse tipo da época do colégio, da faculdade, do mestrado. Da internet, das aulas de ballet. Nao é muito o tipo de pessoa que precisa manter os mesmos interesses que você e muito menos a mesma rotina. E nem tem a mesma idade. Os valores são os mesmos que os seus e eles têm o coração grande! Eu também tenho o coração grande e prefiro rir do que chorar. E por que eu estou falando isso? Porque claro que já discuti, não concordei e julguei algum desses meus amigos. Assim como deve ter acontecido o inverso. Mas o que é supérfluo eu jogo no lixo, certas coisas passam, só o que é importante fica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Esses amigos a gente reconhece com o tempo e com a distância. Pois é, eu acredito que dá pra conhecer melhor as pessoas quando você está longe delas. E quanto maior a distância e menor o contato, você sabe o quanto é importante pra alguém e o quanto alguém é importante pra você. Pessoas importantes fazem falta. Na alegria e na tristeza. Hoje faz exatamente 2 meses que eu estou longe de todas as pessoas que eu conhecia quando viajei. Ninguém que tem contato comigo - no sentido de olhar nos meus olhos, sentir a minha voz entalada quando eu estou segurando o choro ou me abraça na segunda-feira de manhã pra me dar uma boa semana - eu conhecia a 2 meses atrás. Algumas dessas pessoas vão ficar pra sempre e o tempo me dará razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem aquelas que foram importantes na minha vida, me mostraram valores e caráter - por contraste ou confirmação - mas que nunca mais vou ter contato, vou esquecer o nome e nunca mais ter notícias. E tudo bem! Mas tem todas as pessoas que ficaram pra trás, todas aquelas que eu conhecia antes de viajar. Algumas que eu via todas as semanas, que tinha mais contato. E até aquelas que eu não tinha contato algum! Sabiam que existiam, faziam parte da minha vida de alguma forma: amigas de amigas, namorada de ex-namorado meu, ex-caso-que-virou-amigo e até gente que saiu do meio do nada e a vida cruzou com a minha sabe-se lá por quê. E tem aquelas que se mostraram além de distantes, completamente indiferentes, alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas mudam de dimensão quando você está longe e certamente isso tem mais prós do que contras. Com a distância, ganhamos em perspectiva. Temos menos detalhes mas, ao mesmo tempo, temos uma visão melhor do inteiro. De como as peças se encaixam e como cada uma muda a paisagem e as cores na sua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa aqui uma série de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;6 textos&lt;/span&gt; que vou escrever falando sobre as pessoas da minha vida, assim, de forma genérica: &lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-3-os-amigos-de.html"&gt;os amigos de uma vida inteira&lt;/a&gt;; ex-casos-que-viraram-amigos; a namorada do meu ex-namorado (e variações do mesmo tema!); &lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/07/as-pessoas-da-minha-vida-4-partir-e.html"&gt;a partir e além da internet&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/08/as-pessoas-da-minha-vida-5-nao-por.html"&gt;não por acaso;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-2-quando-eu-me.html"&gt; quando eu me engano&lt;/a&gt;. Mas não necessariamente nessa ordem! Vamos ver quanto tempo eu vou demorar! :x&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7235831141028462504?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7235831141028462504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-1-introducao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7235831141028462504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7235831141028462504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/as-pessoas-da-minha-vida-1-introducao.html' title='As pessoas da minha vida #1 - Introdução'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3114957105403800721</id><published>2010-06-05T16:38:00.000-03:00</published><updated>2010-06-05T16:57:22.032-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Das pequenas surpresas da vida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TAqrfTJ0_KI/AAAAAAAAAkc/yS1ZPxjbRww/s1600/DSC00629.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TAqrfTJ0_KI/AAAAAAAAAkc/yS1ZPxjbRww/s320/DSC00629.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479380450855419042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estou em Toronto há quase dois meses. Tenho mais um mês pela frente. Eu não sei direito porque eu resolvi vir. Não sei direito como vou voltar. E não passei uma semana só aqui sabendo o que seria da minha vida no outro dia. Todas as vezes que fiz planos para as próximas 24 horas, eles mudaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a pensar se minha vida inteira tinha sido assim. Porque, se por um lado é bom viver de forma espontânea, mudando sempre de escolhas, por outro não deixa de ser uma vida sem propósito, recheada de planos frustrados. Porque de que adianta fazer planos se o objetivo não é cumprí-los? Fiquei pensando como é que foi que eu cheguei nesse ponto. Meu maior sofrimento na vida sempre veio por eu me cobrar demais, por me maltratar buscando ser mais do que eu era, melhor do que eu podia. Eu era aquele chefe austero, com prazos impossíveis, metas inatingíveis e que ainda diz que só não consegue cumprir o que foi proposto por muita incompetência. E eu sempre fui  chefe de mim mesma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quando abri mão de ser assim. Não sei se foi a idade ou se foi quando percebi que minha vida não ia ser pior se eu deixasse de fazer isso comigo mesma. Achava que valores não mudavam quase nunca. Pura bobagem! A gente abre mão de muita coisa, até do que a gente é, quando começamos a prestar atenção nos detalhes e que coisas grandes são, no fundo, pesadas demais pra se carregar por aí! Nada é grande demais que não possa ser deixado pra trás, cortado pela metade, pintado de rosa choque ou verde bandeira. A gente sempre acha que não, que imagina sair por aí abrindo mão de coisa importante na vida! E esquece que importante mesmo é conseguir sorrir no meio de lágrimas. Ser feliz ou sofrer, não importa. Desde que se mantenha a leveza e a brevidade da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase dois meses aqui e os meus melhores dias foram aqueles que saí andando por aí, a pé, muitas vezes só com aquilo que os meus bolsos da calça podiam abrigar. Sem bolsa, sem maquiagem, sem salto alto. Um dia de sol lá fora e sem amarras. Para que pensamentos e sentimentos pudessem chegar e sumir com o vento, com a brisa, com a paisagem mudando com os passos. Acabei me surpreendendo com a vida e comigo mesma nessas tardes com sol e sem destino. Tardes longas no parque, com surpresas delicadas. Sorrisos sinceros de crianças que brincavam pelo caminho, uma feira de artes com artistas desconhecidos lembrando Embu das Artes, dar de cara com o Lake Ontario sem esperar por isso, deitar na areia, na beira da água, com a calça dobrada até o joelho para molhar os pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TAqrwh9WRmI/AAAAAAAAAkk/9tnPUDzwQ1c/s1600/DSC00632.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 112px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TAqrwh9WRmI/AAAAAAAAAkk/9tnPUDzwQ1c/s200/DSC00632.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479380746887382626" /&gt;&lt;/a&gt;Das pequenas surpresas foram feitos a maior parte dos meus dias. Não acho que seja questão de ter mais tempo, só mais disposição. De viver cada coisa, cada momento, inteiro, enquanto ele estiver passando. Tem gente que quando está sol, quer que chova. E quando está chovendo, reclama que quase nunca faz sol lá fora. Tem gente que mora em São Paulo e queria estar em Minas Gerais e gente que mora em apartamento quer ir morar numa casa com quintal. Mas se tivesse um quintal ia reclamar que quintal só dá trabalho. Eu ando achando que não importa onde se está desde que você permita que a vida continue te surpreendendo. Com a chuva, com olhares, cheiros e vozes. Sorrisos de desconhecidos, detalhes desenhados na areia, flores desabrochando em jardins desconhecidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3114957105403800721?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3114957105403800721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/das-pequenas-surpresas-da-vida.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3114957105403800721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3114957105403800721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/06/das-pequenas-surpresas-da-vida.html' title='Das pequenas surpresas da vida'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TAqrfTJ0_KI/AAAAAAAAAkc/yS1ZPxjbRww/s72-c/DSC00629.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7059168509575013138</id><published>2010-05-22T17:23:00.000-03:00</published><updated>2010-05-22T17:24:17.331-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Chove-não-molha</title><content type='html'>Todo dia ela chegava cedo. Ele já estava lá, sentado ao lado de onde ele sabia que ela sentaria. Ela tentava ser indiferente mas acabava sempre cedendo, sorrindo. E sentando no mesmo lugar. Todos os dias ela chegava determinada a ser educada e distante. Séria. Mas ela não sabia deixar de ser ela mesma, especialmente com dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ajeitava suas coisas devagar. Enchia a garrafa de água, pendurava o casaco, arrumava a mesa enquanto ele olhava pra ela. E ele a olhava de cima a baixo, sem dizer nada. Depois mexia nos cabelos dela, arriscava fazê-la cócegas. Não importa como, ele a tocava. Era uma forma de dizer bom dia. De dizer que sentiu saudades. Ela sorria mais, tentando deixar de sorrir. Sentia culpa mas, ainda assim, se sentia mais mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era casado também com uma Maria Luiza, o mesmo nome que o dela. Sabia que toda vez que ele dissesse seu nome, era da esposa que ele lembraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não estava apaixonada, não desta vez. Ela sempre gostou de inventar paixões, grandes amores pra sua vida. Mas dessa vez era mais leve. Sem invenções, sem peso. Sem borboletas no estômago para dar nó nas emoções e confundir as vontades. Era flerte por esporte. Sem possibilidades de passar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os incentivos eram todos errados. Ele a olhava com malícia. Mexia com ela só porque ele sabia que ela se sentiria mexida. Era só prática de sedução. E ela respondia com os olhos, como quem diz que talvez sim, caso as circunstâncias fossem diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se aproximava por vaidade. Ela respondia por carência. Mas, com razão, mantinham uma linha entre eles que não seria ultrapassada. Ninguém queria arriscar seja lá o que fosse passando daqui. Ele tinha um casamento a perder. Ela, o senso de realidade, que demorou pra resgatar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, ele já fazia o suficiente por ela. Ela reaprendeu a ser mulher. Recuperou sua vaidade. Lembrou de como era ser olhada por um homem que poderia levá-la no colo. Lembrou sobre a teoria que desenvolvera na adolescência de que homens deveriam carregar suas mulheres nos braços. Riu dela, anos atrás, lembrando de como era sonhar de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela começou a pensar na razão do "chove-não-molha" e percebeu que não fazer nada às vezes é fazer tudo. Que sair na chuva pra se molhar nem sempre te ensina alguma coisa. Já tinha cansado de viver molhada e levar a vida sempre resfriada. Percebeu que também se vive uma vida sem romances. Que às vezes basta alguém pra te colocar no lugar que você merece estar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7059168509575013138?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7059168509575013138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/chove-nao-molha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7059168509575013138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7059168509575013138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/chove-nao-molha.html' title='Chove-não-molha'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-370595684140723836</id><published>2010-05-13T23:35:00.000-03:00</published><updated>2010-05-13T23:41:39.370-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Durante a aula - Parte 2</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Leia a primeira parte &lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/minha-tpm-sempre-me-deixou-muito.html"&gt;aqui!&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda parte da aula começou e estávamos todos agitados. Uma mistura de euforia coletiva em que todos riem e falam ao mesmo tempo. Foi quando o Bob, nosso professor, falou: "vocês podem perguntar qualquer coisa, sobre qualquer assunto, algo que vocês realmente queiram saber sobre mim. Pode ser pessoal, profissional, sexual. Qualquer coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando Roy, nosso queridíssimo mexicano de quase dois metros de altura perguntou: "por que vc casou?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de falar da resposta que o Bob deu, preciso dizer duas coisas. Primeiro é que este texto não vai descambar para discutir casamento, relacionamentos amorosos de longa data e discutir porque duas pessoas dão certo juntas. Não vou falar sobre um encontro de almas e um destino porque, sinceramente, não acredito nisso. Mas vou falar do que eu sempre pensei e simplifiquei na minha forma de pensar e que vira e mexe eu pensava que eu estava enlouquecendo e que era uma coisa muito utópica, mas não é! A segunda, é que preciso falar um pouco do Bob, já que quem está lendo isso aqui não deve fazer a mínima ideia de quem ele seja e por que teria algum valor o motivo que ele casou ou deixou de casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bob é meu professor por aqui. Ele não tem o maior pudor de falar sobre a vida dele. Imagino que além da personalidade dele, isso também faz muito parte do processo de aprendizado. Acredito que uma boa parte do aprendizado vem da abertura dada pelo professor para os alunos. O que possibilita que os alunos não mantenham muros, restrições para tudo aquilo que está chegando de novo de informação e conteúdo. Canais abertos, via de mão dupla. Não acho que seja forçado em nenhum grau, mas tenho absoluta certeza de que ajuda muito. Ele já teve um ataque cardíaco com 30 e poucos anos, hoje ele é vegetariano, budista, parou de fumar e só come comidas saudáveis. Já morou em quase todo o mundo e fala mais de 8 línguas, a maioria bem estranha, dessas que você não consegue nem identificar pelo som. Ele é escritor, fotógrafo, jornalista e professor. E não se gaba de nada disso. Claro que, olhando a informação assim toda condensada, parece que o cara chegou e vomitou isso pra gente, no primeiro dia. Mas não foi o que aconteceu. Só resumi a informação para eu não ter que escrever um texto sobre ele por semana. Mas garanto que bastam 5 minutos do lado dele para você se dar conta de que não importa quem você é e o que você já fez na vida. Não importa pra onde você está indo. O que importa mesmo é quem e o que você faz as pessoas no seu caminho serem, como faz elas se sentirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a resposta dele foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando conheci a minha esposa, ela era realmente muito pobre. E, além disso, era mãe solteira. Começamos a namorar. Claro que eu gostava dela e ela gostava de mim e éramos bons juntos. Mas resolvi me casar mesmo porque percebi o quanto eu poderia fazer diferença na vida daquelas duas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca tinha pensado em me casar antes disso. Mas a minha forma de pensar foi mudando. Não foi porque eu acredito em almas gêmeas, que tínhamos nascido um pro outro ou que eu jamais amaria outra pessoa daquela forma que não fosse ela. Já amei muitas mulheres na minha vida e fui sincero com todas elas (com exceção dos meus 19 anos). Naquele momento, eu percebi que eu tinha muito a agregar na vida daquelas duas pessoas, que eu poderia fazer com que aquelas duas vidas fossem diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me casei por caridade, ou por pena. Mas percebi que me casar com ela, querer fazer diferença na minha de alguém da forma que eu poderia fazer, faria realmente diferença na minha vida! Ela faria tanto por mim quanto eu estaria fazendo por ela e pelo filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tem momentos que eu penso por que raios eu me casei com ela. Da mesma forma que ela também se pergunta. Mas esses momentos passam rápido. Mas tem muito mais momentos que eu tenho certeza que tomei a melhor decisão que eu poderia tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no fundo, o motivo é simples. Resolvi me casar pra fazer diferença na vida de alguém. Me perguntei: por que não me casaria com ela? E fiz dar certo porque ela também queria que realmente desse certo. Não acredito em grandes sentimentos. Acho que duas pessoas podem ficar juntas se realmente quiserem que isso aconteça, quiserem fazer diferença na vida do outro!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escutava enquanto eu não conseguia conter as lágrimas que brotavam e escorriam devagar. Da mesma forma que acontece agora, lembrando da fala dele, falando com calma, olhando pro vazio, com um sorriso nos olhos. Nada mais simples do que ter a consciência de duas pessoas quererem ficar juntas. Para fazer alguém crescer na presença do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pensar que a gente espera tanto, suporta tanto e inventa tanta desculpa para permanecer junto, para permanecer separado, pra tomar decisões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-370595684140723836?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/370595684140723836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/durante-aula-parte-2.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/370595684140723836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/370595684140723836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/durante-aula-parte-2.html' title='Durante a aula - Parte 2'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3407823398608922659</id><published>2010-05-13T22:40:00.000-03:00</published><updated>2010-05-13T23:43:24.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Durante a aula - Parte 1</title><content type='html'>Minha TPM sempre me deixou muito sensível. Digo, MUITO sensível. Porque muito sensível eu já sou nos dias mais comuns. Não no sentido de ser frágil, mas de não precisar de muito para me emocionar. Não precisa de muita coisa pra me fazer pensar em algo e, a partir disso, eu já expandir meus pensamentos em um milhão de outros sentimentos, costurar assuntos, enxergar novos caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, imaginem o que não vira esse meu traço de personalidade vivendo em outro país, experimentando outras culturas misturadas. Um milhão de estímulos novos e uma pessoa em especial canalisando e potencializando todas essas experiências, na figura de um professor. Além disso, misture TPM. É assim que eu estava hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias saio da aula um pouco transtornada. Hoje eu transbordei. O assunto da aula era: despedida. Me lembrei de como é difícil pra mim me despedir, de pessoas e de coisas. Abrir mão de algo. Penso que poderia ter poupado alguns sofrimentos - meus e, com certeza, de outras pessoas - se conseguisse continuar a minha vida deixando algumas coisas pra trás com mais facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei que 3 grandes amigos que fiz aqui já estão voltando para os seus países e senti saudades antecipada. Podemos nao perder contato, mas o que vivemos aqui, o que experimentamos juntos, não volta. Mas a vida segue. No fundo, sempre seremos sós. Lembrei daquilo tudo que já me despedi. Me despedi da casa dos meus pais, da minha posição de filha. Depois dos meus amigos de faculdade. De Porto Alegre, de um emprego e de uma vida financeira estável, de um salário bom. De um namoro falido acomodado. Me despedi do país que eu nasci e, daqui a pouco, vou ter que me despedir do lugar que mais aprendi a ficar bem comigo mesma, sem importar como e o que estava acontecendo. Eu sempre estou andando e deixando as coisas para trás. Por muitos motivos e até por motivo algum. Chega uma hora em que eu me despeço. Em silêncio, com lágrimas e soluços, sem querer me despedir, quando eu já sei que vou arrepender... milhares de formas possíveis e sentimentos misturados num mesmo gesto que significa sempre, muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que hoje eu sinto saudades dos meus pais, dos meus amigos. Sinto também muita saudades do meu apartamento e da comida. Mas é a primeira vez que experimento sentir o que estou sentindo aqui. É como se eu estivesse no meio de um furacão, sentada, parada. Como se tudo voasse, ventasse, e se tornasse uma enorme bagunça ao meu redor. Vento, chuva, pó, frio na minha pele. E, mesmo assim, estivesse tudo bem. Como se eu pudesse ficar ali sentindo tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me emocionar e lembrar quantas vezes me despedi, percebi que, mesmo com dificuldades, eu consigo fazer. Consigo me despedir e, então, depois de feito, eu não lamento o que ficou pra trás. Sempre existe uma nova forma de viver a vida. Se adaptar com as faltas, com o vazio dos mesmos espaços que eram preenchidos. Talvez seja só uma impressão errada que eu tenho sobre eu mesma. No fundo, mesmo insegura, eu me despeço e sigo. Mesmo com dor, mesmo que algumas vezes eu pense que não possa suportar, eu ainda assim, faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti uma calma muito grande, senti paz em relação às minhas escolhas. Sorri ao perceber que nessas muitas vezes eu consegui me despedir... apesar da dor, apesar daconfusão, da solidão.&lt;a href="http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/durante-aula-parte-2.html"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[continua...]&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3407823398608922659?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3407823398608922659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/minha-tpm-sempre-me-deixou-muito.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3407823398608922659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3407823398608922659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/minha-tpm-sempre-me-deixou-muito.html' title='Durante a aula - Parte 1'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2358436481345040198</id><published>2010-05-04T00:38:00.000-03:00</published><updated>2010-05-04T00:39:31.690-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Giving up</title><content type='html'>Talvez aquele tenha sido o dia mais díficil para ela no último mês. E o último mês não foi nada fácil. Muitas mudanças. Quem estava de fora provavelmente nem percebeu. Ela sempre foi boa nisso de levar até as piores coisas como se fossem leves e fáceis. Tinha essa mania de sofrer com um sorriso no rosto, de escutar os problemas alheios mesmo quando os dela gritavam e bagunçavam a sua cabeça. Sabia que poderia dar conta de tudo. Ia fazendo. Ia sentindo. E ia vivendo, como dava. Tentando não magoar os outros e, algumas vezes, magoando a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve lá um tere-te-tê com um homem que conheceu por aí. Tere-te-tê que virou amizade para ele. Ela tentou acreditar que era só isso, mas não se mente pro coração. Além do mais, ela sempre ficava se perguntando como é que uma coisa que começa assim como tere-te-tê vira amizade, essa coisa com nome e forma, que é até bonita de dizer. Não enrosca e não confunde como tere-te-tê. Ela foi levando assim, como amizade, já que não poderia passar disso. O tal homem era comprometido. Vivia aos tapas e afagos com a namorada mas o compromisso sempre existiu. E ela era só a amiga, depois de já ter experimentado a cama dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela conseguiu mudar tudo. Colocou em prática todas as suas decisões. Mudou o cabelo, de amigos, de emprego. Até de país ela mudou. Mas não teve coragem de mexer no que sentia por ele, no que persistia dentro dela. E continuava repetindo para si: somos amigos. Ele me adora, mas ama a namorada dele. Esqueceu que ela era responsável também pela sua felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas lembrou. Não de uma hora pra outra. Depois de dias seguidos, lágrimas escondidas a milhares de quilômetros de distância ela se viu em cacos. Ajoelhada, tentando juntar o que tinha sobrado, tentando entender o que aconteceu. Como uma pintura que vai trincando, mantendo as cores vivas e que, depois de um dia seco, solta os pedaços todos de uma vez. Ela estava assim. Aos pedaços, trincada, espalhada pelo chão. E no meio daquele sofrimento todo, tentando negar para si que nada era como parecia ser, ela decidiu decidir o que procrastinou por aquele tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, ela era como todo mundo. Que posterga as dores de conta gotas para se proteger de uma dor maior, definitiva. Mas ela abriu mão. Do que sentia, da amizade, de pensar nos outros, de sorrir no meio de lágrimas. Cansou. Resolveu não fazer com a sua vida o que ele resolveu fazer com a dele. Ele escolheu continuar num relacionamento para sofrer. Não era isso que ela queria pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entendia as decisões dele. Ela entendia tudo sempre. Por mais que doesse. Por menos que concordasse. Ele sumia quando ficava feliz com a namorada. Talvez as pessoas não precisem de amigos quando estão felizes, ela pensava. Passava os finais de semana triste. Mesmo aqueles que não eram seus amigos perguntavam por ela. Ele gostava de conversar com ela quando se sentia sozinho e vulnerável. Nos outros dias, pra ele, tanto fazia. Ela se contentava com os restos de quem já havia gasto todo o seu amor, com a falta que ele sentia da namorada. Vivia disponível, pronta pra recebê-lo com um sorriso no rosto, com colo e calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o melhor fosse se despedir em silêncio. Sumir. Talvez ele demorasse alguns dias para perceber a ausência dela. Talvez ela não conseguisse lidar com a incerteza da indiferença. Enlouqueceu de imaginar não saber. Falou, abriu, caiu em lágrimas. Resolveu contar rapidamente pra ele sobre o que seriam dos seus dias nos próximos meses. Anos? Contou que ela o tinha tirado da vida dela. Queria que ele também a tirasse da vida dele. Mas só ele poderia decidir isso. Apesar que, ela sabia, qualquer uma das duas coisas também era escolha dele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguiu falar muito sobre o assunto. Ele também não perguntou muito. Talvez ela também não conseguisse explicar se ele perguntasse. Depois, ela mesma se perguntou: houve um motivo? Ele fez algo que me deixou triste ou irritada? Não, não tem. Não, não fez. Ele sempre foi ótimo com ela. E ela sempre gostou muito dele. Mas já pensava diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não mudou de ideia. Só desistiu. Não desistiu dos sentimentos que ela cultivou durante algum tempo. Desistiu dele. Ele, que nunca sequer apostou nela. Ele, que não desistiu de um amor, porque estava sofrendo. Ela desistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi nada do que ele disse. Não foi nada que ele fez. Talvez seja só o que ele não quis ser, não quis fazer. Mas ela não quis mais entender, dessa vez. Só desistiu. Só...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2358436481345040198?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2358436481345040198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/giving-up.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2358436481345040198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2358436481345040198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/giving-up.html' title='Giving up'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1837780305667639986</id><published>2010-05-02T20:44:00.000-03:00</published><updated>2010-05-02T20:46:23.125-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amigos'/><title type='text'>Chega uma hora que eu canso</title><content type='html'>Meus textos, nesses tempos, não serão sobre estes três meses. Simplesmente porque eu continuo sendo eu mesma, onde quer que eu vá. Claro que tem muita coisa mudando, muita coisa nova. Meu olhar sobre o mundo, sobre a vida, é cada dia diferente. Mas isso ele sempre foi. Meu humor sempre mudou com a Lua e minha sensibilidade é mais ou menos intensa dependendo de milhares de fatores que, mesmo aos milhares, eu consigo entender bem. Parece tudo igual, só que tudo intenso nesses 15 dias que se passaram. Nesses dias, me sinto numa espécie de TPM contínua e boa. Como quem sabe que vai explodir em cores, em sons, em música e gargalhadas. Misturar lágrimas de transbordamento com felicidade. Inteira... Às vezes, vazia. Mas mesmo assim, inteira. E quem nunca teve que jogar o velho fora pra dar espaço pro tudo de novo que estava por vir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida é recheada de coincidências, pessoas em muita sintonia comigo. Dessas que adivinham o que você está sentindo, pensando. Não sei explicar direito e não acontece com todo mundo. Mas existe meia dúzia de pessoas na minha vida que simplesmente sabem. Não importa se faz um ano ou uma hora que não conversamos, que o contato não seja diário. Tem algumas pessoas que eu nem conheço pessoalmente mas que falam exatamente o que eu preciso escutar no momento certo. E o momento certo faz toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na semana que passou, no ápice de uma das minhas confusões que, enfim, começam a se resolver, um desses grandes amigos me falou: "te admiro, só apertaria uns parafusos em você". A conversa foi longa e ele me disse isso de forma carinhosa. Nos conhecemos há algum tempo atrás, fomos e somos importantes na vida um do outro mesmo que tenhamos nos encontrado pouco. Eu ri do que ele disse e, curiosa, perguntei por quê, achando que ele diria que eu sou fora da média e que eu o faço rir. Mas não. Ele disse que eu era muito melhor do que eu poderia imaginar e que ficava puto (sim, foi essa a palavra que ele usou!) quando me vê aceitando muito menos do que eu mereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos encheram de lágrima quando li aquilo. Conseguia ver a expressão do rosto dele, séria, me falando aquilo. E eu, sem conseguir desviar o olhar dele. Só consegui responder um "eu sei" e ele já sabia o que estava se passando na minha cabeça. Se despediu, dizendo o que tinha que fazer e que ele já sabia que eu tinha bastante coisa pra pensar depois disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você é muito melhor do que pode imaginar". As palavras dele ficaram ecoando na minha cabeça. Porque não é o mesmo que você ler isso num livro de auto-ajuda barato, que vem junto do jornal de domingo. Nem o mesmo que uma amiga de infância te falar. Não tem o mesmo eco. Para mim, esse amigo é o exemplo de homem que eu quero do meu lado, em todos os aspectos. Cheguei a dizer isso pra ele e ele veio de novo com o chicote: isso é só uma tentativa sua de enxergar seu ideal em alguém e depositou suas fantasias em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando sobre o que ele falou. Sobre tudo. E claro que concordo com ele. O problema nunca foi enxergar isso. Eu enxergo. Só não consigo fazer diferente algumas vezes. Mas sabe, quando eu não consigo fazer diferente por mim, eu começo a fazer diferente pelos meus amigos. Por esses, que sentem por mim, que estão do meu lado mesmo sem conversar comigo todo santo dia. Fiquei pensando na expressão dele quando contei sobre a confusão que eu estava tentando (e falhando!) em resolver. Me senti ridícula e fiquei com vergonha. Me senti na obrigação de fazer diferente. Por mim. Por saber quantas pessoas queridas não olham para os meus atos e pensam: "ela não precisa disso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da auto-estima baixa de quem se submete a coisas que até Deus duvida, eu tenho uma dificuldade enorme de abrir mão dessas coisas. Não sei abrir mão e é difícil admitir que não tenho o controle e não consigo fazer certas coisas serem diferentes. Então eu persisto tentando andar no gelo, patinando sem sair do lugar. Gastando uma energia filha da puta pra nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chega uma hora que eu canso. Hoje em dia, demora um pouco menos, mas ainda não chega a ser rápido. E, muito menos, não deixou de acontecer, como deveria ser no melhor dos mundos. Mas essa hora chegou. Hora de abrir espaços pras coisas novas, pra pessoas que valem a pena, pra amores novos que tenha cara de amores (e não de amizades, ou seja lá o que for!). Hora de deixar a vida mais simples, mais leve. Que é como ela deve ser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Obrigada a todos os meus amigos de alma. Que sabem o que eu sinto mesmo que não saibam exatamente o que acontece. Fatos, muitas vezes, são vazios de significado. Se eu pudesse resumir esses 15 dias por aqui, falar sobre o que eu realmente aprendi, eu diria: aprendi a reconhecer meus amigos. Os de sempre, os novos (principalmente os novos! Fiz amigos de uma vida nesses 15 dias e me aproximei de outros com milhares de quilômetros de distância). E que eu possa continuar fazendo minha vida valer a pena. Por mim e, quando não for possível, por vocês!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1837780305667639986?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1837780305667639986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/chega-uma-hora-que-eu-canso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1837780305667639986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1837780305667639986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/05/chega-uma-hora-que-eu-canso.html' title='Chega uma hora que eu canso'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1969462580890440914</id><published>2010-04-12T17:29:00.000-03:00</published><updated>2010-04-12T17:39:04.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Certezas não são suficientes</title><content type='html'>Eu talvez tenha postergado em falar sobre isso. Talvez tenha demorado para digerir o assunto, talvez eu tenha só me deixado levar, seguir sem ficar me massacrando e me culpando. Mas, se eu tivesse que apostar, eu diria que eu só guardei bem guardado o que se passava pela minha cabeça e a forma que eu organizava fatos e sentimentos dentro de mim. Porque, no fundo, eu sempre achei que problemas são problemas quando você os enxerga assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engana-se quem pensa que vou escrever mais uma vez sobre meus amores, sobre como anda o meu coração. Também é sobre o meu coração, mas não é sobre meus relacionamentos tortos. Resolvi escrever sobre o que sempre foi a parte mais organizada da minha vida: o meu lado profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um ano atrás eu pedi demissão. Ganhava um salário bom, tinha uma vida toda arrumadinha. Horários flexíveis, um chefe engraçado e que valorizava a cor das minhas unhas (sim, isso é verdade!) e liberdade para tomar decisões. E, nas horas vagas, eu fazia o que eu mais gostava: dava aulas. Era como que ter dois empregos no mesmo lugar. Ou melhor, exercer dois cargos no mesmo lugar. Qualquer pessoa, olhando de fora, diria: nossa, que vida boa, que emprego recompensador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não estava feliz. Na verdade, eu estava mesmo à beira de um ataque de nervos. Eu dormia muito nos finais de semana porque me sentia esgotada. E tinha surtos de choro quando eu fazia compras no supermercado. O problema não era o emprego, nem eu, nem o acúmulo de atividades. Era tudo junto. Eu gostava do que eu fazia mas me sentia deprimida quando me imaginava fazendo as mesmas coisas por mais de 1 ano; eu era competente mas não tinha o poder de apertar o "foda-se" quando desligava o micro e ia embora pra casa, e me dava ao luxo de ser feliz depois do horário comercial; eu me sentia secretária de luxo exercendo a minha função e eu não tinha certeza de que era isso que eu queria pra minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma coisa que eu aprendi na vida é ser leal comigo mesma. Leal, sincera e honesta. E eu não suportava mais a vida que eu estava levando. Eu vivia pra trabalhar quando eu deveria trabalhar pra viver. Pedi demissão, desacelerei o meu ritmo - não por incompetência, mas por vontade - e passei os seis meses pós chute do balde só dando aulas. Não, não era suficiente pra eu pagar as minhas contas e me alimentar. Mas eu havia guardado um dinheiro, minimamente me organizado e me adaptei à minha nova vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, dá um desespero sem fim deixar de ter que acordar todo dia no mesmo horário e não ter rotina. Não ter rotina e não ter a mínima ideia do que se quer fazer pro resto da vida. A gente nunca tem, é verdade. Mas ter que lidar com a certeza do contrário sempre me pareceu mais difícil. É, eu até tinha a mínima ideia. Sempre tive vontade de fazer doutorado depois que saí da faculdade. Depois do mestrado eu estava um pouco cansada e quis experimentar um pouco da minha vida profissional longe (mas nem tanto!) dos livros. Mas sempre soube que essa vontade voltaria um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dediquei alguns meses a tentar um doutorado fora do Brasil. Mas, conforme o tempo foi passando, muita coisa aconteceu no meio do caminho. Não em relação à minha rotina, não em relação às minhas vontades. Na relação que eu tinha comigo mesma. Quando abri mão da parte mais organizada da minha vida, abri também espaço pra eu me enxergar e me dei tempo de pensar em coisas que nunca tinha tido tempo nem espaço pra que elas aparecessem. Me senti perdida, triste, derrotada, incapaz, sem rumo ao mesmo tempo que sentia que tudo que estava acontecendo seria muito importante pro resto da minha vida. Deixei de me cobrar e fui vivendo, um dia de cada vez. E a vontade de fazer doutorado se transformou e medo e questionamento. Talvez 4 anos fora não fosse exatamente o que eu queria pra mim hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que cruzavam comigo, que dividiram a minha antiga rotina, me encontravam e diziam: "nossa, como você está bem!". Como quem se impressiona em ver alguém com câncer terminal sorrindo. Minha vida estava um caos e eu estava em paz comigo e isso se estampava na minha testa. Foram meses assim... Até porque, imagino, qualquer grande mudança sempre será precedida de desorganização, reorganização. Muitas questões internas se movimentam rápido e ao mesmo tempo, uma enxurrada de questionamentos vêm a tona e eu estava aprendendo a me olhar de forma diferente porque, afinal, eu estava diferente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os planos pro doutorado fora do Brasil não vingaram. Acabei enviando 3 &lt;span style="font-style:italic;"&gt;applications&lt;/span&gt; só, pra 3 universidades bem difíceis de entrar e já esperava pela resposta negativa. Era janeiro e eu estava, de novo, na mesma situação de alguns meses atrás: sem saber o que seria da minha vida profissional e muito menos com vontades e certezas pra me meter em algo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, eu tinha três opções: 1) não fazer nada e fingir que não era comigo o problema e continuar vivendo da mesma forma, 2) ir atrás de um emprego novo e aceitar a primeira proposta de trabalho que aparecesse, jogar na loteria e deixar que o acaso resolvesse a forma que eu voltaria a ganhar dinheiro (que foi exatamente o que eu fiz quando saí do mestrado) ou 3) fugir, pra longe, o mais longe que eu poderia, e deixar pra pensar nisso durante o tempo que eu estaria longe das minhas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escolhi a terceira opção. Tudo bem que não enxergo como fuga, assim, dessa forma tão simples. Mas não deixa de ser. De mais a mais, eu ainda precisava de mais tempo. Não pra resolver qualquer coisa. Não é mais questões de resolver, fechar opções, traçar rotas fixas. Eu ainda precisava terminar de abrir mão de tudo, me desvincular do que ainda eram vínculos, saber que eu poderia começar tudo de novo, quantas vezes eu precisasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre as coisas acontecem exatamente da forma que gostaríamos que acontecessem. Na verdade, poucas vezes são assim! Mas nos culparmos, nos cobrarmos do que não temos o controle sozinhos é escolher sofrer pelo que não está nas nossas mãos. Vivi tempo demais me organizando e apegada na minha rotina, em fazer tudo certo. Dessa vez escolhi diferente. Escolhi fazer tudo errado, sem ordem, sem foco, sem olhar pra nada fixo. Como quem olha uma foto panorâmica, bem de longe, sem nada que chame atenção. Para poder olhar o amplo. A forma como o "tudo junto" faz sentido sem que exista cobranças e deveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira eu embarco para Toronto e é a única certeza que eu tenho hoje. E a única certeza de hoje nunca havia sido opção durante toda a minha vida. Não sei o que me espera, não sei o que eu quero e nem tenho objetivos nesta viagem. Não pretendo decidir nada, nem mudar tudo. Eu só quero sentir. Que as dúvidas venham e que passem... Porque certezas não são mais suficientes.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;"There’s nothing to decide. There’s just walking forward." – Miranda July &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1969462580890440914?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1969462580890440914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/04/certezas-nao-sao-suficientes.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1969462580890440914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1969462580890440914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/04/certezas-nao-sao-suficientes.html' title='Certezas não são suficientes'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6290384376582549486</id><published>2010-03-27T17:39:00.000-03:00</published><updated>2010-03-27T17:56:03.842-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Metades</title><content type='html'>Não sabia o que era quando se despediram. Talvez ele sinta pena de mim, ela pensou. Sim, pena. Não sabia muito bem o que ele sentia em relação a ela. Ela chegou a pensar que ele estava ali como reparação. Não pelo mal que ele a fizera. Isso nunca existiu. Era como se fosse um pedido de desculpa antecipado, por ele não poder ser quem ela queria pra ela. E não, ele não podia mesmo. Nunca seria inteiro. Nunca quis isso. Ela sempre soube, mas ele nunca acreditou que ela realmente soubesse. Ele achava que ela dizia da boca da fora e, estando perto, ele sentia que poderia reparar todo o bem que não pôde dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava acostumada com pessoas que chegavam na sua vida pela metade. Ocupadas e perdidas. Ou os dois. Se era pena, se era um pedido de desculpas, ele poderia tê-la poupado disso. Era acostumada a sobreviver com pouco espaço pra si. Acreditava merecer pouco. Talvez merecesse pouco mesmo, mas nunca ninguém lhe deu muitos parâmetros para que ela conseguisse repensar a sua vida. Uma vida preenchida de migalhas, de quem divide o quarto e o coração dos outros com tanta coisa que mal consegue esticar as pernas, abrir os braços e receber. E doar. Nunca conseguiu isso: se doar. Mesmo sem nunca ter experimentado, ela estranhamente sabia que gostava de dar presentes. Embrulhados com laços e fitas, com ouvidos e carinho. Mas morriam todos nas suas mãos. Seu guarda-roupa e sua memória estavam abarrotados de presentes vencidos. Negados. Desnecessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantaram juntos naquela noite. Não se olharam nos olhos. Gostaram da companhia um do outro. Riram. Sorriram com os lábios. Ela sentiu vontade de beijá-lo pela força do hábito. Passou rápido. Ele nem estava ali. Eram só partes dele, desconexas e em pedaços. Não havia mais desejo. A cumplicidade acabou no momento em que fizeram o acordo de não dividir mais a mesma cama e de não confundirem mais as pernas. Ela chegou a duvidar que isso existiu um dia ou se ele tinha inventado tudo aquilo. Pensou que talvez tivesse sido uma forma dele sair da rotina, uma tentativa de preencher o seu vazio, calar a sua falta sabe-se lá do quê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre preferiu os acordos velados, sem apertos de mãos. Discutidos com o olhar. Acreditava que palavras eram desnecessárias em certas ocasiões. Preferia mesmo as relações vividas, não discutidas. Mas resolveu tentar viver diferente. Mais uma vez, foi disponível. Estava disposta olhar por outro ângulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela última vez, ela sentiu saudades e se conformou. Não era ele. Amassou e jogou fora tudo aquilo que desejou viver ao seu lado. Se perguntou pela última vez o motivo dele tê-la encontrado para jogar conversa fora. Tentou perguntar a ele o que lhe faltava na vida, o que sinceramente era importante, e mudaram logo de assunto. Ela percebeu que, muitas vezes, ela não conseguiria sair do raso, do superficial e viver de forma plena ao lado de alguém. Isso ela só conseguia fazer bem sozinha. Pelo menos por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um momento, ela tentou adivinhar o que ele sentia. Não em relação a ela, isso ela já havia desistido. Tentou adivinhar o que era felicidade pra ele. Tentou olhar para o fundo de sua alma, ler além dos seus lábios e desistiu. Percebeu que ele não dividiria isso, não com ela. Não havia mais o peso da obrigação de serem amantes, de se esconderem do mundo para viverem uma vida só deles. Só eram amigos, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se despediram e ela foi tomada por tristeza. Aumentou o som tentando parar de escutar seus sentimentos. Não estava acostumada a mudar pessoas de lugar na sua vida. Para ela, as pessoas só entravam ou saíam. Diminuíam com o tempo. Aumentavam com o tempo. Só com o tempo, não com palavras escritas. Se estranhou. No caminho, se perguntou porque vivia com as metades deixadas na sua vida. Nunca conseguia completar um inteiro. Ter alguém por inteiro. Eram como pés de sapatos solitários, inúteis sem o outro pé que formasse o par. E ela já tinha um armário cheio deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantaram juntos naquela noite. E ela percebeu que, como sempre, ela estava sozinha. E, mais uma vez, com mais uma metade. Percebeu que tinha uma vida cheia de metades soltas. Sorriu: se sentiu inteira e só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6290384376582549486?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6290384376582549486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/03/metades.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6290384376582549486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6290384376582549486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/03/metades.html' title='Metades'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7649479075681439884</id><published>2010-03-05T17:40:00.000-03:00</published><updated>2010-03-05T17:44:24.280-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preferidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Love &amp; Economics</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ano passado, no final de setembro, escrevi um texto para o Papo de Homem. &lt;a href="http://papodehomem.com.br/como-saber-se-a-sua-melhor-decisao-e-realmente-a-melhor/"&gt;Esse aqui&lt;/a&gt;. O texto abaixo foi o texto que deu origem ao que está lá. Publiquei aqui porque também gostava desta versão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na faculdade com os meus míseros 18 anos, sem ter a menor noção do que eu queria da minha vida. Achava que queria fazer Administração numa faculdade difícil, mas no fundo eu queria mesmo sair da casa dos meus pais e vir morar em São Paulo e fazer cursinho era um ótimo pretexto na época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um ano, percebi que não conseguiria passar por aquelas aulas de novo, caso o pior acontecesse, e resolvi prestar economia também, com o intuito de pedir transferência interna. Era uma forma de eu diminuir a chance do pior cenário acontecer, já que economia era bem pouco concorrido. Mais tarde eu aprenderia que economia também fala muito disso: incertezas e retorno esperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E adivinhem? Passei no vestibular, só pra economia. Escutei muito da minha mãe que isso era profissão de homem, com perfil competitivo e que gostam de números e que eu não serviria nunca pra isso. Se fosse assim, eu não serviria mesmo. Mas eu fui. O meu custo emocional de continuar no cursinho sem nenhuma certeza era muito alto. Eu preferi continuar na minha estratégia: a da transferência. Até que eu tive a primeira aula de economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca tinha aberto um jornal na seção financeira na minha vida. Achava chato, não entendia nada e muito menos me sentia encantada pelo assunto. Pois é, o que mesmo eu estava fazendo ali? Até que a criatura que estava em pé na minha frente, conhecido como “professor”, vira e fala o seguinte: tudo na vida é economia. Dá pra se aplicar economia em qualquer coisa que você queira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi prestar atenção na aula a partir desse momento, duvidando e torcendo o nariz. Na minha cabeça já pensei: “nerd maldito, nunca deve ter comido alguém na vida dele e muito menos ter sofrido um pé na bunda”. É, eu era meio rebelde e cética com os meus digníssimos 18 anos. Acabei mudando de idéia sobre transferir meu curso pra administração depois das aulas daquele “nerd maldito” quando percebi que ele tinha razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquelas aulas aprendi que as escolhas da nossa vida sempre irão envolver custos de oportunidade. Custo de oportunidade é tudo aquilo que você abre mão de fazer para fazer outra coisa. Por exemplo, quando você começa a namorar, o seu custo de oportunidade em namorar é abrir mão de ficar com todas as outras mulheres bonitas e interessantes que você poderia ficar caso não estivesse namorando. Ótimo, eu estava começando a entender do que economia se tratava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cada uma das coisas que você escolhe, você está deixando de escolher milhares de outras. Não poderia ser diferente considerando que os recursos são escassos. E o que isso significa? Significa que você tem restrições na sua vida: sua renda não é infinita; seu dia só tem 24 horas; você não consegue assistir um filme pornô, a final do campeonato e aquela comédia romântica com a sua namorada, tudo ao mesmo tempo; você não consegue transar com a loira, a morena e a ruiva ao mesmo tempo.  Ok, talvez você consiga, mas com 10 de cada uma você seria um homem morto (ou Deus!). Pois é, entendi e aceitei que ninguém pode ter tudo na vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que tempo é dinheiro! O tempo que você destina para fazer atividades não remuneradas você poderia estar destinando para fazer atividades remuneradas e ganhar dinheiro. Então, você pode ter uma medida monetária para os seus custos de oportunidade se você calcular o quanto você ganha por hora no seu trabalho. E mostrar pra sua namorada da próxima vez que ela quiser te fazer andar uma tarde inteira de sábado num shopping lotado. Se ela te pagar mais que o seu custo de oportunidade, andar no shopping é um bom negócio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economistas veem mercados se movimentando em qualquer lugar. Quem nunca escutou por aí um amigo dizendo “Voltei pro mercado”, logo depois de ter terminado um relacionamento? Oferta e demanda por homens bonitos e interessantes. Quanto mais características específicas e mais desejadas são estas características por todas as outras mulheres, menor a quantidade disponível no mercado e maior o preço. Lei da oferta e da demanda equilibrando o mercado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economistas também assumem que as pessoas tomam decisão comparando o benefício marginal com o custo marginal. Isso só quer dizer que você pensa nos retornos – monetários e não monetários – e naquilo que você vai ganhar, ficar mais satisfeito e compara com os custos que você terá em tomar aquela decisão, ou seja, o seu custo de oportunidade. Se os custos daquela decisão forem maiores que os benefícios que aquilo te trará, você esquece, parte pra outra. Por exemplo, eu poderia correr atrás do Brad Pitt, porque o meu benefício de tirar uma lasquinha dele seria enorme. Mas o custo é muito alto... Vou perder meu tempo com outra coisa. A mesma coisa acontece quando você está saindo com aquela mulher perfeita e quase nunca disponível: você continua a ligar pra ela até o momento que o que você ganha com isso ainda é maior do que o tempo que você perde indo atrás dela. Se você colocar uma segunda mulher na história, percebe que o seu custo de oportunidade de continuar indo atrás da primeira aumenta? Antes você não tinha nada a perder, agora você pode estar deixando de sair com a segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso também explica por que vira e mexe acontece aquela coisa de você ficar com a primeira que aparecer na sua frente lá pelas 3 da manhã, no final da balada. Não é só pelo álcool, tenho certeza! Às 3 da manhã você já não tem quase nada a perder, seu custo de oportunidade é muito baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, você começa a namorar quando a sua utilidade esperada em namorar é maior que a sua utilidade esperada em continuar solteiro. Utilidade esperada nada mais é que o grau de satisfação do benefício que aquilo te gera, levando em consideração as incertezas que podem surgir pelo caminho: pode aparecer outro cara melhor que você que ela queira assumir os riscos ou o custo de continuar o namoro começa a ficar alto demais e o benefício baixo demais. E a mesma coisa acontece com casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurar por uma namorada ou uma esposa é bem parecido com o processo de procurar um emprego. Não existe um emprego perfeito, mas claramente existem empregos melhores e piores para você. Quando você para de procurar? Quando o que você tem na mão é melhor do que provavelmente tem no resto do mercado. Mas você nunca terá certeza, é claro. E é por isso que você para de procurar: o custo de continuar procurando se torna alto demais diante do que você já tem nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casamento não é nada além do que um contrato de duração infinita onde as partes envolvidas têm a opção de termino, talvez com penalidade. E por que as pessoas se casam se não por amor? Porque as pessoas acreditam que os retornos que terão investindo naquela relação compensam os custos de oportunidade em assinar um contrato com aquelas especificações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, todas as suas escolhas são as melhores no momento em que você as faz. Mas a vida é cheia de incertezas e muda tudo muito rápido pra você tentar saindo por aí fazendo previsões. Não que economistas não gostem, eles adoram! Mas eles sempre dirão que existe certa probabilidade das coisas acontecerem de forma diferente. E aí está a graça da coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, essa coisa de ver mercados se movimentando em qualquer lugar às vezes atrapalha quando aquele amigo tenta me apresentar o amigo dele. A maioria das pessoas acha que essa coisa de ver mercados por aí é coisa de esquizofrênica ou efeito de alguma droga forte. Mas eu ainda acho alguma graça em sair por aí fazendo relações dos conceitos econômicos com aquilo que aparece pelo meu caminho. E tentando explicar o que a maioria das minhas amigas define como paixão e dizem que não tem explicação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7649479075681439884?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7649479075681439884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/03/love-economics.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7649479075681439884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7649479075681439884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/03/love-economics.html' title='Love &amp; Economics'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3321845120263057978</id><published>2010-03-02T18:03:00.000-03:00</published><updated>2010-03-02T19:15:41.659-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Tão bom morrer de amor e continuar vivendo...</title><content type='html'>Quase não dormi naquela noite. Preparei a mala, enfiei tudo dentro, como quem não quer ir e, já que ia, queria levar tudo comigo. O voo saía às sete da manhã do outro dia. Já havia passado das três e eu continuava deitada, olhando pro teto. Dormi rezando para que o final de semana fosse, ao menos, de sol em Florianópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voei lendo Leite Derramado, do Chico. Pois é, andava atrasada com os meus romances. Tanto tempo e eu ainda não havia lido o último, logo de quem... Lembrei de como era sentir frio na barriga. Sempre sinto quando o avião decola, o azul do céu muda, as nuvens ficam abaixo de mim. No meio de um romance, a sensação ainda era mais forte. E boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois e eu já estava em Santa Catarina. Um céu azul limpo com sol. Sensação de ter deixado em São Paulo as minhas nuvens cinzas e meu coração que andava apertado. Eu nunca fui muito de gostar de praia mas, Florianópolis, é diferente. Todas as vezes que fui pra lá - correndo ou não - senti uma paz inexplicável, de quem se permite andar de olhos fechados sem ser surpreendido com a quina de uma mesa, bem no joelho. Uma paz não correlacionada com qualquer acontecimento ou ação. Independente de qualquer acontecimento para ser sentida, sem causas. Sempre foi além da razão e nunca consegui entender muito bem. Mas também nunca tive a pretensão. Paz a gente sente e pronto. É bom demais para colocar pesos de entendimento nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era formatura do meu irmão, o mais novo. Missa na sexta-feira, colação de grau e festa no sábado, domingo de ressaca e pronto. São Paulo à noite, para dormir e acordar na segunda-feira, já em casa. Fui imaginando aquele monte de parente, minha mãe implicando com o meu copo e o meu decote. Mas passaria rápido, pensei. Mas foi tudo diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol de sexta-feira mereceu praia e mar. O sol queimava e a água gelava. Ah, os extremos! "Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito". Eu estava exausta por causa das poucas horas dormidas na véspera mas a minha felicidade de estar ali superava o cansaço, e eu esqueci. Sexta-feira terminou depois do jantar em família, mesa grande, primos reunidos e tios também. Minha mãe, sentada do outro lado da mesa, nem falou do meu copo de cerveja que estava sempre sendo cheio pelo meu primo, mais novo e mais alto que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi um sono só e acordei na tarde de sábado. Almoçamos todos juntos, mais uma vez. Dormi de novo e acordei com preguiça de salto, maquiagem e vestido longo, que a ocasião da festa pedia. Me arrastei e lá fomos todos juntos, como sempre, para a colação. Essa coisa de todos juntos me irrita um pouco. Tem dias que eu não gosto de dividir nem o silêncio. Imagine o barulho de vozes diferentes ao mesmo tempo, o que não me causa! Mas estava passando rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colação de grau foi linda! Mas colação de grau só é legal quando é a nossa. E, quando é irmão, a gente se orgulha e, no meu caso, lembrei de que estou ficando velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estava mais animada pra ir pra festa! Essa coisa de ir e voltar pros lugares e sempre ver o mar, ao seu lado, pode acabar com qualquer desânimo, até o meu! A noite fresca, o riso leve dos meus pais, os amigos do meu irmão (que quase já são meus também!) animados... Família é bom, amigos reunidos é bom e, vira e mexe, a gente esquece. Mas lembra, sempre lembra, depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no salão com o meu irmão. Fomos os últimos da família. Ele estava resolvendo as últimas questões burocráticas com convites e etc, e eu o acompanhava. Os convidados foram chegando devagar e eu conhecia quase todo mundo. Alguns amigos dele da época que ele morou lá também estavam e fiquei conversando um bom tempo com eles, principalmente com um casal, um pouco mais velhos que eu, que trouxe um amigo junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era bonito, conheceu meu irmão pelo casal. A fisionomia dele não me era estranha. Descobri que ele também era de Assis e eu conhecia bem a irmã dele. Nunca tínhamos nos encontrado. Pelo menos, não lembrávamos um do outro. Começamos a conversar sobre o Canadá. Ele morou em Vancouver e, se tudo der certo, eu estou indo pra Toronto. É longe, eu sei. Mas já era algo em comum. Conversamos bastante. Servi seu copo com uísque e exagerei na dose. "Você é responsável pelos os meus atos depois dessa", ele falou. Rimos. E ele repetiu, para todo mundo ouvir: "ela é responsável pelos meus atos hoje, depois dessa dose!". Mostrava o copo e sorria pra mim. E eu ria, ainda mais, concordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos um bom tempo todos juntos: o casal, eu, ele do meu lado, e quem parasse para conversar e dançar por ali. Saímos todos para fumar charuto e cigarros e voltamos todos juntos. De repente, sumiram todos e ficamos só os dois. No meio de pessoas desconhecidas, demos as mãos e conversamos um no ouvido do outro, com a desculpa de sermos escutados no meio do barulho. Sorrimos um para o outro e se fez silêncio. Não escutávamos mais nada e sentíamos só um ao outro. Não nos beijamos. Minha mão já estava gelada e meu coração na boca, do mesmo jeito que eu o sentia decolando de São Paulo para Florianópolis. E era tão bom...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dançamos juntos, abraçados. Sem ritmo, mas quem se importa? Saímos dali com a desculpa de fumar de novo. No silêncio, longe do caos da festa. Ficamos abraçados, sorrindo, conversando amenidades. Nos beijamos. Fugimos dali para sentar no chão do estacionamento e encostar a cabeça no ombro um do outro. Nos beijamos de novo. E mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou rápido. O dia estava quase amanhecendo quando voltamos pro salão, quase vazio naquela hora. Continuamos de mãos dadas. Quase já não lembrava da sensação de andar de mãos dadas, de alguém me conduzir pela cintura, de me trazer pra perto do corpo como quem me protege. Meu coração já não era mais aquele apertado que saiu de São Paulo, dois dias antes. Ele já estava cheio e quase explodindo naquela hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase não lembrava também da sensação de sair do banheiro de uma festa e ter alguém me esperando. Acho que eu nunca tinha prestado atenção nessa sensação. Não sei se é comum sentir o que eu senti ou se foi culpa dos olhos e do sorriso dele. E do jeito de abraçar, de quem sentiu saudades. Aqueles olhos claros, transparentes, mostrando uma alma meio tímida mas de quem eu ainda sabia pouco e queria saber mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos despedimos. Já sabia que era bem provável não nos encontrarmos mais. Não tão cedo. Mas senti saudades em menos de cinco minutos. Senti vontade de olhar pra trás quando nos viramos para ir um pra cada lado. Mas continuei. Senti medo de sair correndo de encontro a ele e não mais voltar. Me arrependi, desta vez, de ser comedida e fazer o que minha cabeça mandou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeci, lutando contra o sono. Tentei, em vão, não dormir pensando que pudesse parar o tempo. Acordei morta, de amor, e continuei a viver... Tão bom! Arrumei a mala, desta vez, como quem não quer voltar. Fechei a mala como quem sente falta de levar o que eu não havia levado, mas o que se tornou a maior bagagem que eu poderia ter!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3321845120263057978?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3321845120263057978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/03/tao-bom-morrer-de-amor-e-continuar.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3321845120263057978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3321845120263057978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/03/tao-bom-morrer-de-amor-e-continuar.html' title='Tão bom morrer de amor e continuar vivendo...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3571913766857892060</id><published>2010-02-24T18:28:00.001-03:00</published><updated>2010-02-24T18:29:30.298-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Curtos'/><title type='text'>Quando o medo se desfaz</title><content type='html'>- Não é pra correr, entendeu? Não corre desse jeito que você vai se machucar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe sempre repetia, aos berros, segurando firme pelo braço da menina. Às vezes, a mãe ainda inventava histórias trágicas para argumentar o que ela vivia repetindo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Rebeca, filha da Maria Julieta, quebrou a perna e colocou pinos. Cinco! Ficou sem andar um tempão e ainda a perna vai ficar torta pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, impressionada com aquelas histórias, parou de correr. Era uma criança que não corria nem quando ia ao parque, com aquele espaço todo. Ficava encolhida, sentadinha com os seus olhos tristes, olhando de longe as outras crianças se divertindo. Gritavam e corriam. Sorriam leves, flutuando pela grama. Às vezes, ela se deixava levar pela sensação de ousadia que gostava de enfrentar e saía correndo por aí, rindo. Era uma sensação de liberdade, de ser capaz de dar passos largos e rápidos sem se estrupiar no chão. E que sensação boa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mesmo longe da mãe, lembrava da história da Rebeca, coitada, cheia de pinos. E não se permitia viver livre por muito tempo, correndo por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina cresceu e esqueceu daquela voz que vinha aos berros, mesmo no silêncio de que ela não poderia fazer algo pelos perigos da vida. Descobriu que poderia correr pra onde quisesse, subir em muros, atravessar ruas e cruzar horizontes. Algumas vezes sabia até que poderia soltar seu corpo lá do alto de algum arranha-céu. Sabia que, tinha dias - e noites também! - que ela poderia voar. E que, outras vezes, seriam necessários pinos e remendos. Mas estes não restringiam mais suas vontades de poder ir e vir, pra lá e pra cá, quando quisesse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3571913766857892060?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3571913766857892060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/quando-o-medo-se-desfaz.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3571913766857892060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3571913766857892060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/quando-o-medo-se-desfaz.html' title='Quando o medo se desfaz'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-9086028450507690241</id><published>2010-02-21T12:58:00.000-03:00</published><updated>2010-02-21T13:11:19.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Do outro lado</title><content type='html'>Eu não estou só triste. Estou confusa. Decepcionada, magoada. Mágoa, passa. Decepção eu já não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, não foi pela traição em si. Não só por isso. Mas por tudo que ela representou. Não estou com raiva de você. É diferente de raiva e ódio o que eu sinto. Não é um sentimento amargo que vai crescendo. É um sentimento que tenta me matar por dentro. Não a facas, mas a agulhadas. E dói muito por dentro. É entre lágrimas e soluços que tento te escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, eu não quis acreditar. Toda vez que passava pela minha cabeça que existia a possibilidade de você estar me traindo eu lembrava de como somos ótimos juntos. Somos ou éramos? Será que realmente fomos? Sinto dificuldade em conjugar os verbos, dificuldade com os tempos, confusão com a realidade. Será que foi? E o que foi, era real? Mordo os lábios, desta vez para tentar calar meus pensamentos, para abafar a vontade que eu sinto de gritar, na tentativa de me livrar de tudo isso que se passa dentro de mim. Não quero pensar que todos os presentes, todas as brincadeiras, todas as músicas que você me dedicou, todos os textos que escreveu e que eu li como se fossem para mim, não eram realmente para mim. Queria conseguir continuar pensando que sim. Seus textos... Não consigo mais lê-los. Toda a certeza e orgulho que senti um dia lendo aqueles textos que eram seus, que eram meus, desapareceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a traição que me incomoda. É lembrar da forma que você disse tantas vezes que queria me proteger de tudo, que eu sempre seria sua. E você vem e me apunhala pelas costas. É a forma que você me trata como a sua menininha e escreve coisas lindas que, agora, duvido que eram sempre para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, já erramos. Um com o outro, cada um por si. Mas imaginei que sempre tentávamos acertar. Era nisso que eu acreditava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro dos nossos planos, que seríamos felizes para sempre. Mesmo com brigas, quebrando porta-retratos. Lembro dos nomes que daríamos aos nossos filhos. Lembro do orgulho de ter você ao meu lado e me fazer sonhar e voltar a ser criança ao seu lado. E, logo você, que dizia que ser super-herói era me fazer sorrir... está me fazendo sangrar tanto por dentro. Tirou a minha paz, o meu chão. Nunca quis tanto um chão... Eu que sempre pensei que viver fora do chão era viver de sonhos, com você. Não, não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria entender o que te levou a fazer isso. Concordo que as chances de eu descobrir algo e acreditar eram pequenas. Mas elas existiam. Sinto-me culpada e me pergunto onde foi que eu estava que não estava ao seu lado. E lembro que um dia você me falou que o seu caminho era eu e que eu estava em todos os seus planos e todas as suas decisões. Queria saber onde eu estava enquanto você estava em outras camas, com outras mulheres. Logo você, que daria tudo por um sorriso meu, está me fazendo chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é pela traição, entende? É por tudo que ela significa. Eu sei que você não esbarrou por aí com alguém, sei que não foi algo que aconteceu, por ironia do acaso. Sei que não foi por impulso. Não foi. Eu sei que você foi atrás e que foi atrás de novo. De uma mulher, de outra e depois outra. E até da mesma. E não era eu. Eu sempre quis te ver todos os dias, mas não dava. Horários, responsabilidades. Mas me sentia feliz e completa sabendo que você estaria ao meu lado na primeira oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me questionei algumas vezes se era mesmo com você que eu queria viver todos os dias da minha vida. Pela diferença de idade, pelos horários malucos... Mas sempre foi. E agora? O que sobra? Você destruiu os meus sonhos, que eu acreditava serem os mesmos que os seus... Não entendo como você conseguiu viver vidas paralelas durante os dias corridos da semana e me olhar nos olhos no final de semana e deitar no meu colo sem sentir a cabeça pesando toneladas. Não entendo como você conseguia falar comigo ao telefone no caminho do encontro com outra pessoa. Fico imaginando se era culpa o que você sentia quando me escreveu de forma apaixonada depois de cada um daqueles encontros. Mas não importa mais. Não quero mais entender. Sentir já basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil dizer isso, mas não desejo mais continuar ao seu lado. Você poderia ter saído da minha vida com dignidade, independente de todo sofrimento, culpa e mágoa que eu sentiria caso terminássemos. Eu iria aprender a viver sem você, mesmo que você seja um dos grandes amores da minha vida. E é isso que me resta agora. Aprender a viver sem você. Na ausência dos sonhos que construímos juntos. Nunca implorei para você estar ao meu lado, nunca pedi declarações apaixonadas. Eu acreditava na nossa cumplicidade... Mas não me peça pra ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil me despedir. Mas tudo que eu acreditava ser profundo, se mostrou superficial demais. Palavras jogadas ao vento, frases bonitas e palavras cuidadosamente escolhidas. Ausentes de significado. Preferia que você escrevesse sempre o mesmo bilhete, com as mesmas três palavras e realmente as sentisse. Tantos textos com tantas linhas se resumem a um verbo, agora: acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada pelos momentos que passamos juntos, foram realmente felizes. Mas, sinceramente, não sei se acredito conseguir sentir tudo aquilo de novo. Não com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus. Desejo a você uma vida linda, seja ela como for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não, eu não sou essa aí do texto de cima. Mas resolvi brincar de ser outra, de pensar o que eu sentiria em determinada situação. Meu objetivo não é o de julgar, apontar o dedo. Não tive essa pretensão. Conheço alguns casais com relacionamentos-modelo que admiro e resolvi escrever como quem vê o castelo de areia desabando, de dentro dele. Não por não acreditar que castelos existam. Mas por saber que muito daquilo que me parece sólido e eterno pode não ser nada! E sobreviva sustentado por um fio... Que muito do que é cuidadosamente desenhado e mostrado, é oco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-9086028450507690241?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/9086028450507690241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/do-outro-lado_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/9086028450507690241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/9086028450507690241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/do-outro-lado_21.html' title='Do outro lado'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5359782035426538048</id><published>2010-02-13T00:08:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:08:58.971-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>O sonho</title><content type='html'>&lt;p&gt;Antes de dormir, fiquei lembrando da expressão séria dele, concentrado no jogo. Ele tinha acabado de me ensinar xadrez e eu ria jogando. Me senti criança, descobrindo um jogo novo. Fiquei lembrando da expressão dele, do que eu via enquanto ele olhava pro tabuleiro. Não sei se ele percebeu que eu o olhava, mas eu gosto de imaginar que não. Em alguns momentos fiquei com vontade de bagunçar todo o tabuleiro para me aproximar e roubar um beijo. Ele estava concentrado, então, mudei de ideia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Naquela noite conversamos de novo sobre nós - ou melhor, sobre cada um - e me senti ainda mais transparente. Nos conhecemos a pouco tempo e sinto que ele já sabe tanto... Tudo bem, eu sempre fui de falar sobre a minha vida e minhas questões com qualquer pessoa, não seria diferente com ele... É, é diferente com ele. Ele sabe sobre os meus questionamentos mais recentes, que nada mais são do que os passados transformados. Ele conversa com os meus olhos e até já me viu com nó na garganta. Ele até me falou coisas sem sentido que, eu mesma, vi todo o sentido do mundo e me emocionei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;"Você está na iminência de muitas coisas importantes acontecerem, de uma mudança muito grande, eu sinto isso". Foi mais ou menos isso que ele disse. E eu também sinto isso. Poucas pessoas se atrevem a dizer isso sem sentir. E não foi o caso dele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dormi com aquelas lembranças. E sonhei. Foi um sonho que mais pareceu realidade. Uma continuação de sensações, sentimentos e acontecimentos. Não havia fadas, nem fatos estranhos, sem pé nem cabeça, que costumo ter nos meus sonhos. Foi como um filme, sem enredo criativo. Mas foi tão colorido, tão gostoso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ele estava sentado na minha cama, agora de costas pra mim, sem roupa, do jeito que terminamos aquele jogo de xadrez. Eu desenhava com os dedos, em suas costas, enquanto ele contava uma história de infância ou da época da faculdade, em que somos meio adultos mas não nos comportamos como tal. Sabe, ele conta histórias como ninguém, mas ele não gesticula! Não, nenhum problema em não gesticular, mas lembrei que eu mesma gesticulo um pouco. Fiquei pensando o quanto ele é controlado na vida dele. Eu sou completamente impulsiva. Ele mesmo reconheceu isso em mim em menos de dez minutos de conversa. Ele falou que também era, mas não sei... Acredito que ele acelere a vida só até o momento em que ele mantém o controle... E ele sabe manter o controle de si. E eu? Eu não sei. Eu quero acreditar que sim, mas toda vez eu me perco e só percebo depois.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No sonho, ficávamos ali um tempo, eu desenhando nas costas dele e ele contando histórias. Depois eu fazia uma massagem devagar, sentia todas as preocupações dele nas minhas mãos, até soltar os nós. Ele já deixava de ter a expressão séria e, em alguns momentos sentia cócegas. Ria. E ele tem uma risada deliciosa. Pessoalmente e também no sonho. Eu já o sentia ali, sem culpa, sem peso algum disfarçado. Sentia-o inteiro... É, no meu sonho ele era inteiro...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Depois ficamos de barriga pra cima, olhando pro teto, conversando um com o outro. Nos espiávamos de rabo de olho. No sonho, falamos mais do que falamos durante um mês, mas quase não lembro dos diálogos. Lembro das cores, vivas. Lembro do som da respiração, das risadas. Lembro do brilho dos olhos e lembro de sentir o medo e a culpa evaporando. Os meus e os dele. Quase lembro do cheiro e de sentir meus pés gelados naquele sonho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sonho, às vezes, é mais real do que a realidade... Queria sonhar acordada, agora.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5359782035426538048?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5359782035426538048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/o-sonho.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5359782035426538048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5359782035426538048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/o-sonho.html' title='O sonho'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4909872457545162721</id><published>2010-02-11T00:09:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:10:18.406-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Na terapia</title><content type='html'>&lt;p&gt;Mais uma vez fui pra sessão sem ter a menor ideia do que eu iria falar e quais sentimentos iriam voltar à tona naquela uma hora. Como sempre, comecei contando sobre o que aconteceu durante a semana passada: o fechamento da viagem; a ida pra Alphaville para tirar o passaporte, dando tudo certo; a noite que eu quebrei o aparelho dos dentes de tanto que eu forcei um dente contra o outro, seguido do desespero de imaginar que eu teria quebrado um dente; a demissão da minha faxineira que fez eu me sentir malvada. Enfim, todos os fatos da semana que, de uma forma ou outra, tiraram meu sono e meu chão, mesmo que de forma leve. Continuei falando sobre fatos, chegando devagar ao que realmente me incomoda hoje: meu vazio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fui almoçar com uma amiga querida no sábado. Sempre nos vemos, sempre conversamos bastante sobre nós mesmas. É uma daquelas amigas que te conhecem do avesso, sabe onde ficam suas feridas e te ajuda a entender mais sobre si mesma na medida em que fala mais sobre si mesma. Temos visões parecidas sobre diversos aspectos da vida e, sobre aqueles que diferem, sempre escutamos a outra e acompanhamos o raciocínio. Dividimos histórias e compartilhamos vidas. Aprendemos juntas, com cumplicidade, e sempre oferecemos o nosso melhor à outra. Todas as vezes que nos encontramos falamos sobre a vida alheia, não no sentido de fazer fofoca e atualizar acontecimentos. Mas sim no sentido de ampliar nossa referência de vivências muitas vezes distintas às nossas próprias. Invariavelmente, falamos sobre nós mesmas mais do que qualquer coisa. E sempre repetimos o mesmo assunto, adorado pela maioria das mulheres: os relacionamentos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Desta vez, nenhuma de nós duas estamos namorando. Não estamos trocando os pés pelas mãos. Não conhecemos ninguém minimamente importante nos últimos meses que nos mostrasse algo que não conhecêssemos sobre nós mesmas. Quer dizer, até conhecemos, mas ainda não foi suficiente para que continuássemos acompanhadas por eles. Durante aquela tarde de sábado lembramos daqueles dois anos vivendo em Porto Alegre. Rimos da forma com que nos apaixonávamos, da nossa forma de sofrer e de quantas tardes frias de domingo passamos acompanhadas de uma caixa de lenço ou mesmo acompanhadas uma da outra, bebendo vinho e repetindo as mesmas histórias, muitas vezes com personagens diferentes, no meio de raiva, lágrimas e procurando explicações. Aprendemos não só o valor do sofrimento mas o valor da amizade. Aprendemos a cultivar paciência, a escutar e a se colocar no lugar. E rimos, lembrando de como mudamos, e temos uma estranha certeza que, hoje, lidaríamos de forma mais leve com tudo aquilo. Na verdade, não acontece mais. Não existe mais espaço.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E foi mais ou menos acompanhando o ritmo do meu almoço de sábado que se desenrolou a sessão de terapia. É incrível como desenvolvi essa minha mania de começar pelo superficial e ir, devagarinho, como quem não quer nada, experimentando o que eu encontro além da superfície. Contei àquela mulher de expressão calma e olhar tranquilo o quanto me sinto bem, sozinha. Hoje, estar sozinha não me traz aquela sensação de angústia, quase desespero. Não faço mais questão de sempre ter alguém pra pensar, mesmo que fosse para sofrer. Não me vejo mais naquelas tardes frias de domingo dando voltas em círculo tentando entender por que o fulaninho fez ou deixou de fazer algo ou simplesmente sumiu da minha vida. Mas contei a ela que não faço questão de ficar sozinha. Mesmo bem, não quero continuar assim. Não sinto que estar sozinha é uma forma de evitar sofrimento, de fugir da frustração que acompanham amores com prazo de validade vencido. Não é medo. Não é uma tentativa de encontrar paz evitando a vida. É um vazio, triste e cinza. Conformado. Mesmo querendo acreditar que amores são sempre possíveis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas quando ainda se quer acreditar é porque ainda não se acredita. E foi sobre isso que continuei contando a ela, entre lágrimas de transbordamento, que eu sei o quanto é possível ser feliz ao lado de alguém. Consigo dar exemplos infindáveis de relacionamentos que dão certo, de amores mútuos e compartilhados. Assumi a minha inveja de textos lidos durante a semana de homens apaixonados, amantes das suas namoradas. Homens que desejam ser pais, construir família. Comecei a pensar até que ponto eu sou responsável para que eu não viva isso. Do por quê eu não me deparo com esses homens na minha vida, que sintam isso comigo. Não acredito mais que esses homens não existam. Eles existem, aos montes. Mesmo porque muitos daqueles que passaram pela minha vida vivem ou viveram isso com outra pessoa que não eu. Depois, passou pela minha cabeça que eu faço questão das coisas darem errado. Que antes de qualquer relacionamento dar certo, eu vou lá e jogo areia, dou um jeito de estragar. Mas não acho que hoje esse ainda seja o caso. Já fiz muito isso, mas não mais. Não tenho mais medo das coisas darem certo e já me permito. Também pensei que eu pudesse ser daquelas que só quer o impossível, aquilo que não está ao meu alcance e lembrei que já não tenho mais 15 anos, quando eu sonhava com príncipes encantados. Talvez, agora, não exista mais nada de errado. Nem comigo, nem com eles.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Só sobrou o vazio. Me sinto em paz, mas me sinto oca. Escutando o eco do silêncio. Não me desespero. Choro. Um choro sem soluços, só lágrimas escorrendo devagar pelo rosto. Lágrimas que consolam e transbordam. Transbordam vazio...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Lembrei que tinha alguém me escutando quando ela começou a falar. Ela nunca se incomoda de eu chorar, mesmo nos dias que eu soluço e preciso de alguns minutos para desatar o nó da garganta. Foi uma sessão sem nós, sem angústias, sem sofrimentos exacerbados. E, com aquela expressão calma, de quem mantém certezas sobre mim que até eu mesma desconheço, ela me perguntou, depois de tudo que eu falei, o que eu pensava ser o meu problema. A primeira coisa que me passou pela cabeça foi: "essa infeliz não escutou uma palavra do que eu falei". Depois veio a confusão, de quem tenta pensar rápido e resumir sentimentos. E resumir sentimentos nunca foi meu forte. Antes de eu falar uma palavra, ela falou: "eu te sinto descrente. Não como quem não acredita que não existam certas coisas, mas como quem não acredita que não existam certas coisas pra você, com você. Você não parece acreditar que você possa viver certos momentos; não enxerga a possibilidade para você. Você se imagina vivendo e sentindo tudo o que te deixou triste essa semana, vendo pela janela, achando tão bonito? Desejou pra você?"&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E tudo fez sentido. A paz, a tristeza, o vazio e a inveja. A descrença. A ausência de explicações e do medo que paralisa. A vontade de preencher o espaço que existe com vontades e possibilidades, antes de qualquer coisa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4909872457545162721?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4909872457545162721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/na-terapia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4909872457545162721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4909872457545162721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/na-terapia.html' title='Na terapia'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3518651525307545412</id><published>2010-02-04T00:10:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:11:38.569-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>(Não) traição</title><content type='html'>&lt;p&gt;Fui dormir com uma estranha sensação de que eu pudesse acordar no outro dia e me arrepender do que eu não tinha feito. Quem nunca escutou a frase "é melhor se arrepender daquilo que você fez"? Eu sempre vivi mais ou menos assim, escutando meu coração e agindo por impulso. Naquela noite não. Tinha recebido um convite tentador e neguei. Não foi pela falta de vontade. Como eu queria estar nos braços dele de novo! Não fui pra tentar evitar sofrimento. Mais ainda: não fui porque queria bem mais do que aquele homem podia me oferecer e já deixou de ser justo comigo mesma aceitar menos do que eu quero. Até porque não quero nada vindo de outra dimensão nem nada próximo da perfeição. Mas não me sinto mais à vontade de dividir a cama com quem não possa me oferecer o coração. E o coração dele já está ocupado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nunca fui aquela que jogou pedra em quem traía. Eu mesma já traí. E muitas vezes ajudei a trair. Já estive em todos os lados de um relacionamento quando o assunto é traição. E em todas as vezes, em cada uma dessas situações, algum momento foi muito bom. Já traí, já fui traída e já fui amante.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A primeira vez que eu traí eu namorava a algum tempo. Meu namoro estava sem graça, eu era nova e estava viajando. Beijei um cara numa balada e foi horrível. Não existia a menor afinidade, eu me senti culpada e aquilo não significou nada pra mim. Voltei em dois dias pra cidade que eu morava e pro meu namorado, que nunca ficou sabendo da história. Ele só achou que alguns dias longe fizeram bem pra gente e eu estava muito mais carinhosa com ele. Bem típico! A segunda e última vez que eu traí eu estava namorando por carência. Tinha cansado de ficar sozinha, queria alguém pra estar do meu lado que me entendesse, pra passear de mãos dadas. Estávamos em um bar e eu beijei um cara que me paquerou a noite inteira no corredor do banheiro. Ele também nunca ficou sabendo mas acabei terminando o namoro porque aquele cara me mostrou que eu fui tão baixa que meu namorado em questão não merecia passar por isso, mesmo que não soubesse. Se eu realmente gostasse dele, não teria assumido tal risco. Percebi, traindo, o quanto meu namoro não tinha futuro. Não foi por pena nem por auto-punição que terminei o namoro. Foi só por ter enxergado além.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Já fui traída e perdoei. Passei por cima, relevei. Não fez a menor importância, pra mim, na época, saber que o meu namorado tinha ido pra cama com outra. Foi difícil perdoá-lo mas foi mais difícil me perdoar por tê-lo perdoado. A vida seguiu, continuamos juntos mais algum tempo e o namoro terminou por outras milhares de questões que não partiram da traição. Não aconteceu só uma vez, com uma única pessoa. Mas não foi diferente em nenhum caso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas o que mais aconteceu foi eu estar no lugar de amante. E eu sempre repeti que não tenho vocação pro cargo. E não tenho mesmo! A primeira vez eu estava com um cara a algum tempo. Eu pensava que ele tinha terminado o relacionamento de alguns anos a um tempo e eu descobri, por acaso, que a ex-namorada era, na verdade, namorada atual, quase noiva. Meu chão sumiu. Me senti mal, culpada e vagabunda. Até chegar na terapia em prantos e a minha psicóloga disse: o namoro dele é problema dele. Você está solteira e ele está com você porque ele quer. Agora, se você quer continuar com ele mesmo você tendo consciência disso, isso é problema seu. Se você tem estrutura emocional para manter isso, siga em frente. Eu segui, sozinha. Não consegui levar adiante aquilo, não por moralismo ou por achar que o que ele estava fazendo era errado. Mas sim porque eu queria alguém inteiro do meu lado e isso ele não poderia me dar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Outra vez, entrei no papel de amante sabendo de tudo que estava acontecendo. Era um namoro falido. Ele estava se sentindo traído (porque tinha sido mesmo!), mas não tinha coragem de terminar. Ele ainda gostava dela mas não conseguia perdoá-la. Como uma forma de aliviar a culpa que ele sentia em estar com alguém que não poderia perdoar e se sentir traído, resolveu fazer igual. Com o tempo, percebi como eu salvei e mantive em pé o namoro dele. Passávamos a semana juntos, nos víamos quase todos os dias. Ele dizia que ia pro poker com os amigos e acabava na minha cama. Ele não conseguia terminar o namoro nem tampouco parar de me encontrar. Resolvi dar um basta na história e me afastei. Em menos de um mês depois, o namoro dele terminou. Chegamos a nos encontrar de novo mas não foi a mesma coisa. E nunca mais seria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A última vez que fui a amante foi a bem pouco tempo atrás. Foi tudo muito rápido e dessa vez eu não sabia nada do relacionamento em questão. Não quis, não perguntei. Mas depois que aconteceu, me flagrei imaginando qual seria a motivação dele. Porque sempre existe aquilo que nos leva a fazer o que fazemos. Pode ser por impulso, por paixão. Ainda assim deve ter algo que nos move. Pelo pouco que eu soube - juntando pedaços, textos e comentários soltos - não consegui identificar qualquer tipo de problema. Mas eu não tinha nada que entender por que raios ele não estava com a namorada dele. Talvez eu devesse me preocupar só com o fato dele estar comigo. Não me senti mal - como muitas mulheres levantam pedras para jogar - de fazer com ela o que eu não gostaria que fizessem comigo. Sempre escutei esse discurso barato entortando um pouco a boca e não palpitando sobre o assunto. A responsabilidade era dele, não minha. Eu estava com o meu coração vazio e em paz e sabia exatamente onde eu estava pisando. Sabia que não tinha o menor direito de esperar algo dele além de uma aventura. Muito menos de julgá-lo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aliás, eu não julgo nada nem ninguém. Não tenho esse direito a partir do momento em que eu sei exatamente o cenário antes de entrar nele. Não acho que ninguém pode falar em culpa quando se fala em traição. Eu tenho um amigo - casado, aliás - que diz que casos extra-conjugais não interferem no sentimento que temos por aquela pessoa que escolhemos dividir a vida. E ele não fala só por ele, fala pela esposa também. Diz que pode acontecer de existir atração por outras pessoas, até de acontecer algo mais. Mas isso não exclui o sentimento que essas duas pessoas, com escolhas compartilhadas, sentem uma pela outra. Não é cama, nem sexo, nem aventura que vai acabar com o relacionamento dele. E eu concordo. Antes eu não entendia muito, achava graça e taxava de discurso de homem pervertido. Mas confesso que minhas vivências me fizeram entender bem do que ele fala.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E ontem, antes de dormir, eu disse um não. Resolvi não agir de forma passional e impulsiva e me questionei por isso. Por agir diferente do que eu sou. Porque não me maltrato mais por ser passional e impulsiva. Me perguntei: se eu não julgo e não acho errado e sei que isso é um problema do outro, por que raios eu não fui encontrar um cara legal, divertido e que eu gostei de conhecer? Pois é. Acho que tem muito menos a ver com julgamento e valores. Acho que talvez esteja relacionado ao meu momento de vida, ao que eu realmente quero, ao que realmente faz diferença na minha vida hoje.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não julgo e nem pretendo entender as motivações do outro. Tanto faz se foi por confusão, vingança ou simplesmente aventura que esses homens traíram. Mas hoje sei muito mais sobre mim. Não que eu pense que aventura não seja bom. Só quero, hoje, significar mais do que isso pra alguém. Traições continuarão a acontecer. Aventuras continuarão sendo boas e melhores ainda quando fizerem sentido. Mas hoje, não me arrependi de ter ido dormir sozinha, sem nenhuma história mirabolante pra contar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3518651525307545412?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3518651525307545412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/nao-traicao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3518651525307545412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3518651525307545412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/02/nao-traicao.html' title='(Não) traição'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3027826566221947581</id><published>2010-01-29T00:12:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:13:32.522-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Para Gustavo</title><content type='html'>&lt;p&gt;Cansei de sentir saudades suas. Cansei de viver acreditando naquilo que você só fala e repete nas espaçadas vezes que nos encontramos quando você vem para São Paulo a trabalho. Sempre acreditei naquela frase: "quem disse que pra estar junto precisa estar perto?" Pensava que era possível estar com você mesmo longe, mesmo chovendo em São Paulo e fazendo sol em Brasília. Mesmo que não dividíssemos o termômetro, a cidade e a rotina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A última vez que nos vimos, senti saudades. Conversamos olhando nos olhos, deixamos a mágoa de anos atrás pra trás. Quis sair de casa pra te ver assim que cheguei. Não fui. Não por pensar que não valeria a pena passar o resto da noite ao seu lado, nos seus braços. Mas por pensar, mais uma vez, que seria possível ficarmos juntos sem que o tempo e a distância fossem capazes de minguar o que dissemos sentir um pelo outro ao telefone.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Senti saudades das noites felizes que tivemos um dia. Em que eu me entregava a você numa dança, tocando uma música qualquer, seja lá onde estivéssemos na saudosa Cidade Baixa, em algum bar apertado, cheio de gente estranha. Saudades de quando você me bastava... Senti saudades do que eu sentia quando eu me soltava nos seus braços ou ficava sentada ao seu lado, nas diversas vezes que esquecemos das horas e das normas e fechamos bares e restaurantes. Impossível não lembrar da gente junto quando vejo um bar já com as cadeiras pra cima e você insiste em não estar do meu lado... Senti saudades das vezes que perdemos juntos as horas e o juízo. Senti saudades das conversas sobre impressões que tínhamos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o que os outros tinham de nós.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas do que mais senti saudades foi do que eu sentia quando estava do seu lado. Eu não tinha medo de que algo de errado pudesse acontecer comigo porque seus olhos sempre me deram a segurança que eu não sentia sozinha. Senti saudades de quando eu não me preocupava com nada porque tinha a única certeza que você não deixaria eu ficar triste e sentir solidão. Saudades de sentir que tinha encontrado alguém que me faria feliz pro resto da minha vida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Muitas vezes me pego pensando nisso. Imagino nós dois juntos e percebo o quanto temos de afinidade e carinho um pelo outro. O quanto gostamos das mesmas coisas, o quanto temos de valores em comum. Meus olhos enchem de lágrima prestes a transbordar raiva e inconformismo quando lembro do quanto você me conhece, diz sentir tudo o que sente e, mesmo assim, não saímos do lugar. Me pergunto por que você teve coragem de me desvendar e, ainda assim, não tem coragem de tentar, mesmo dizendo querer tanto. Não consigo mais acreditar em palavras. Não só nelas. Difícil escutar com os ouvidos quando meu coração começa devagar a bater mais fraco. Fico pensando se já me vesti do avesso com outro alguém além de você e acredito que não... E aí, dói mais um pouquinho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Hoje acordei com vontade de continuar dormindo. Foi um daqueles dias azedos. Senti um incômodo e um vazio que me sufocaram o dia todo. Queria você junto comigo, mesmo longe. Uma ligação, um e-mail. Queria saber que você pensava em mim em algum minuto desse meu dia cinza. Queria falar sobre os meus planos e os meus medos. Queria você pra me abrir os olhos. Mas já faz muitos dias que não sei nada sobre você. Já me faltam argumentos mesmo tolos pra alimentar toda a saudade que eu sinto. Parece bobo, eu sei. Eu aqui dizendo que tenho vontade de saber se você acordou com dor de dente ou de ressaca pra poder te imaginar com mais cores. Mas é assim que eu sinto. Quase não lembro dos seus olhos e meu coração já não acelera mais quando penso em você.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Queria que a minha memória não começasse a desbotar assim. Mas minhas cores foram se perdendo por aí, com a falta de notícias e de sentimentos recíprocos. Não sei fazer sozinha e não quero imaginar uma vida a dois de mão única. Mesmo não querendo, cansei de sentir saudades. Minhas lembranças não me bastam mais. Palavras ditas meses atrás estão com o prazo de validade vencido.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Seria mais fácil dizer que me apaixonei de novo, mas eu estaria mentindo. Não existe ninguém novo (nem velho, nem recorrente) na minha vida. Não estou na fase que quero curtir a vida, sair para beijar outras bocas e experimentar outros corpos porque você está longe. Não se trata disso. Não existe nada ocupando espaço por aqui. Não existem barreiras. E, mesmo assim, você continua longe. Não acho que se trata de tempo, nem de distância e nem só de notícias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Da última vez conversamos sobre pessoas em relacionamentos que estão em momentos de vida diferentes. Não falávamos de nós dois. Talvez de cada um de nós com experiências diferentes, do tempo em que estivemos separados e nem lembrávamos da existência um do outro. Mas não acho que se trate disso. Pelo menos não acho que deveria se tratar. Penso que, independente de qualquer condição, localização e ocupação, deveria ser possível estar junto quando existe desejo e vontade. E acho que cansei também de acreditar que isso fosse recíproco.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E agora, não existe mais saudades nem desculpas. Nem culpa. Quis tanto que talvez você nem imagine. (Nunca estivemos verdadeiramente juntos para você perceber!). Voltei a caminhar sozinha e já não me imagino ao seu lado. Eu não queria, mas não se trata de querer. Só sinto. E sinto muito. Espero que você guarde boas lembranças do que passamos juntos e que consiga, um dia, fazer alguém feliz como eu me imaginei sendo ao seu lado... Talvez você não queira, não sinta. Mas não quero pensar nessa possibilidade. Talvez seja mais fácil mesmo se despedir a distância, em silêncio, quando todos dormem. Por uma carta aberta, que é pra eu não ter certeza que você leu e concorda com ela.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3027826566221947581?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3027826566221947581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/para-gustavo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3027826566221947581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3027826566221947581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/para-gustavo.html' title='Para Gustavo'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3918497323333393081</id><published>2010-01-23T00:13:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:15:11.120-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Às claras</title><content type='html'>&lt;p&gt;Eu enrolei não sei quanto tempo para escrever este texto. Me pegava pensando: preciso escrever sobre como tudo aconteceu pra organizar a minha vida, que eu fiz questão de bagunçar exatamente quando ela estava toda arrumadinha. Cartesiana. E resolvi escrevê-lo só agora, depois de ter bagunçado tudo e começado a arrumar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quem me conhece sabe que eu consigo ser metódica e racional ao mesmo tempo que ajo de forma impulsiva e louca. Não, eu não sou bipolar e nem sofro de dupla personalidade. Mas oscilar entre polos é a forma que eu encontrei de ser feliz e viver fora do tédio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pois bem, adiei este texto, hoje percebo, por medo de não conseguir lidar com o que eu pudesse descobrir no meio das linhas, organizando o que eu ainda precisava manter bagunçado por mais algum tempo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Abril de 2009. Eu já estava em São Paulo há quase dois anos, já havia trocado de emprego uma vez. Estava trabalhando no lugar que sempre me imaginei trabalhando, fazendo algo que eu já havia feito e que gostava e, além de tudo, tinha acabado de descobrir o quanto eu amava dar aulas. Tinha um bom salário, minha casa já estava mobiliada, meu carro pago, meu mestrado concluído. Eu só não tinha um namorado porque, bem... sei lá, porque sempre fui incompetente pra isso e, depois de aceitar a minha limitação, parei de me desesperar já que não adiantava nada mesmo. Quem olhava de fora provavelmente pensava: nossa, como ela é feliz com a sua vida certinha e bem sucedida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estranho, mas eu também tinha esta impressão sobre mim e, vira e mexe, me sentia culpada por sentir um vazio que eu não fazia a menor ideia de onde vinha. Comecei a ter crises compulsivas de diversas coisas. Certos dias eu chorava compulsivamente, mesmo no trabalho, no meio de milhares de e-mails e telefonemas que preenchiam os meus dias. Aí, nos finais de semana eu tinha crises compulsivas de compras (sendo que eu nunca fui consumista na minha vida!). Certas tardes e noites eu comia chocolate compulsivamente e, em outros, eu dormia por muitas horas seguidas. Não precisava ser nenhum gênio da psicanálise para perceber que eu estava fugindo. Eu só não sabia do quê.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Era a minha vida profissional que não andava bem, isso era claro. Quase não existia vida pessoal já que eu nem um namorado tinha para ter crises de relacionamento e sentar pra discutir a relação. Também era bastante claro pra mim que eu não me encaixava naquilo que administradores e profissionais de recursos humanos adoram dizer: nossos valores. Não da instituição, porque eu continuava gostando do lugar que eu trabalhava e me identificava bastante, mas nos valores da minha área, das pessoas que dividiam o dia a dia comigo e no que, de fato, minha área era responsável. Eu não gostava de visitar clientes da forma que eu visitava, eu não gostava de me sentir ultra responsável por certas coisas sendo que os méritos eram sempre divididos e os erros aumentados e jogados em cima de uma só pessoa: eu.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu sempre gostei de ser cobrada, de saber exatamente as minhas responsabilidades, de conhecer o começo-meio-e-fim. Muita gente não gosta, eu adoro. É simples: eu sou o tipo de pessoa que gosta de abraçar o mundo. Se ninguém diz exatamente qual o pedaço do mundo que eu preciso alcançar com os braços, eu vou querer abraçar o mundo inteiro. Em outras palavras, se eu não sei qual é exatamente a minha função e tudo o que eu tenho que fazer, além do que é função das outras pessoas fazerem, eu vou querer fazer tudo e pensar que a responsabilidade é minha. Simplificando: muitas vezes eu fazia o meu trabalho e de mais meia dúzia de pessoas e sempre achava que era o meu dever dar conta de tudo. Eu andava exausta, eu dormia ou trabalhava nos finais de semana até o dia em que, num dos telefonemas da minha mãe, ela respira fundo e diz: minha filha, você está vivendo pra trabalhar. Você deveria pensar em trabalhar pra viver.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chorei mais três dias seguidos depois disso. Comecei a pensar que ela também trabalhava demais mas havia uma diferença. Ela adorava o que ela fazia, via sentido no trabalho dela, ela não compartilhava do mesmo vazio que o meu. Comecei a me sentir ainda mais culpada pelo que eu estava fazendo da minha vida e, dessa vez, com razão. Só eu era responsável pelo que estava acontecendo. Depois desses dias, imaginava como seria largar tudo, ou pelo menos boa parte: eu ainda amava dar aulas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Só de imaginar, me sentia derrotada, fraca, incapaz de lidar com a realidade. Sabia que em qualquer empresa as coisas não aconteceriam de forma muito diferente. Também comecei a me perguntar se, de alguma forma, largar tudo, chutar o balde, não seria auto-boicote. Agora que a minha vida estava exatamente da forma que eu imaginei, eu não queria, não me sentia merecedora de ter a vida que eu busquei. Mas não, não era isso. A parte do auto-boicote sempre aconteceu só na minha vida de relacionamentos frustrados e superficiais. Eu não me permitia ser feliz ao lado de alguém e ponto. Não transbordava mais pro resto da minha vida. Minhas barreiras tinham sido muito bem construídas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Abril de 2009. Pedi demissão sem saber com o que a vida me esperava. Eu só fazia ideia que continuaria a dar aula nos próximos 6 meses. Tentaria aplicar pro doutorado para algumas universidades fora do Brasil, sem nenhuma certeza, para um curso que só começaria em setembro de 2010, caso eu fosse aceita. De metódica e racional, acordei do avesso e fui direto pro polo oposto: impulsiva e louca. Lúcida. Nunca tive tanta certeza na vida de que eu estava fazendo a coisa certa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vivi os meses seguintes com leveza e incertezas. Há quem pense que eu estava vivendo uma vida de forma desacelerada, com bastante tempo para não fazer nada e pensar na vida. Mas eu gosto mesmo é de fazer milhares de coisas ao mesmo tempo e foi assim que aconteceu. Eu estava estudando para as provas pedidas para o processo do doutorado, estava dando aulas, estudei várias coisas que eu sempre tive vontade e nunca tive tempo, voltei a encontrar os meus amigos, vi mais meus pais, me apaixonei e quebrei a cara de novo. Uma perspectiva diferente de viver que a maioria das pessoas têm. As pessoas me encontravam e diziam: nossa, como você está bem? Como você parece feliz? Escutava tudo aquilo e pensava: será que não é normal as pessoas parecerem felizes e estarem bem? Ou será que as pessoas acham que para você se sentir completa você precisa trabalhar 12 horas por dia?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É, penso que deve ser a segunda opção. As pessoas não estão muito acostumadas a se permitir ter tempo para elas, não suportam a possibilidade de enxergar a vida de uma perspectiva diferente do que sempre enxergou, em fazer coisas que dão prazer ao invés de fazer só o que dá dinheiro. Claro que dinheiro é importante, eu sou economista e não negaria isso nunca! Mas não dá pra abrir mão de certas coisas na vida por dinheiro. Tem economista que adora dizer que tudo tem seu preço. Concordo mas, como tudo na vida, há exceções. O que seriam das regras sem elas?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;2009 terminou arrastado. Viver só de amor no coração e leveza não é assim tão fácil. É difícil lidar com a liberdade. Ainda mais quando você é obrigado a dar de cara todo dia com a sua vida bagunçada, sem horário pra acordar, sem rotina pra seguir, sem metas para cumprir. Eu não poderia continuar no mesmo lugar que eu estava desde o chute do balde. Viver de incertezas é bom só até antes de que os momentos incertos se tornem certos. A única certeza que eu tinha na vida era que um dia eu vou morrer e que eu não sabia mais de nada além disso. Eu continuava sem planos, sem rumo e com todas as vontades do mundo. E não dá pra ter tudo ao mesmo tempo. Estava na hora de colocar minhas alternativas na mesa e fazer escolhas. E fazer escolhas não significa abrir mão da liberdade. Escolhas não como cobrança. Mas acho que a gente sempre sabe quando está preparado para dar um passo à frente (ou para trás, ou mesmo ficar parado!).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda sem as respostas do doutorado, minha vida gritava por ordem. Não dava para esperar por setembro de 2010. Eu precisava de novos sonhos já que aquele de ter uma vidinha certinha com estabilidade financeira, casa, carro e emprego não tinha dado certo. Sonhar com novos amores nunca me levou pra lugar nenhum, eu bem sabia. Então, namorar, casar e ter filhos não era uma boa opção. Precisava de uma direção.&lt;/p&gt; Esperei a ansiedade que tinha começado a me aprisionar ir embora e comecei a enxergar novos caminhos na minha frente. Caminhos que começaram a ser possíveis só depois de ter coragem de cortar certos vínculos e de abandonar realidades rígidas. Ainda faltam certezas mas já aprendi a viver sem elas. Saber para onde eu estou indo já me basta. Já é possível voltar a fazer barulho dentro do meu silêncio e querer o céu sem tirar os pés do chão. Sem muitos planos e muitas certezas, caminhos abertos, sem trilhos, me acalmam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3918497323333393081?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3918497323333393081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/as-claras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3918497323333393081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3918497323333393081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/as-claras.html' title='Às claras'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8094418355985965812</id><published>2010-01-13T00:15:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:16:24.685-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Breves amores</title><content type='html'>&lt;p&gt;Às vezes vejo a minha vida como pedaços soltos, com lacunas - algumas grandes, outras pequenas, mas que incomodam - que faltam ser preenchidas. Não saio mais por aí procurando o que as criam. Não mais. Já aconteceu de eu querer muito entender, procurar as peças certas, forçar outras pra completar logo o quebra-cabeça e, sério, a experiência não foi das melhores.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Hoje só tento me manter lúcida e prestar atenção a tudo e a todos que aparecem na minha vida. Claro que nem sempre eu consigo. E é incrível como eu sou movida por pessoas. E muitas pessoas de bem aparecem na minha vida quando eu estou de bem comigo mesma. Não, não acredito naquela história do &lt;i&gt;O Segredo&lt;/i&gt; de que coisas boas atraem coisas boas e é só pensar que vira realidade. Mas acredito que, quando eu estou bem, fico mais aberta para as coisas do mundo e tenho mais recursos para que coisas ruins não me afetem (tanto).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Semana passada foi uma semana &lt;i&gt;sim&lt;/i&gt;. Ano começando e eu eufórica com as milhares de possibilidades e incertezas que recheiam a minha vida. Época de fechar ciclos, eu me despedindo de pessoas que já não fazem mais sentido, milhares de dúvidas e possibilidades que vão aparecendo devagarinho, ainda tímidas. O mundo aos berros e eu aqui, no meu silêncio, parada, observando. Sorrindo, começo a sentir aquela vontade do novo, do desconhecido. E o novo sempre chega para mostrar certas coisas que você evitou enxergar até então.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E geralmente é assim: pessoas novas aparecem e se metem onde eu tento me esconder. Elas quase nunca têm essa intenção. Nem sempre elas me descobrem, me desvelam. Mas quase sempre fazem isso por mim: me fazem enxergar tudo aquilo que eu tentava evitar saber sobre eu mesma. Deixo de me esconder e volto, devagar, a ser quem eu deixei de ser por medo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pessoas breves no tempo que ocupam na minha vida. Pessoas intensas, que trazem um caminhão de possibilidades inteiro, numa só noite. Pessoas que oferecem ombro e espelhos, que te imobilizam pelo pulso e te olham nos olhos e conversam com você em silêncio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Semana passada foi uma semana assim. Conheci uma dessas pessoas. Alguém que me desorganizou completamente, mexeu com os meus sentidos. Tudo se tornou mais intenso: a forma de olhar, o cheiro, o jeito de sentir. Novas cores no meu mundo desbotado. Sabe aquela vontade de rir e chorar ao mesmo tempo? Talvez algo parecido com isso, só que de uma forma boa. Não era paixão, não era fantasia nem carência. Uma espécie de encantamento, de vontade de viver para experimentar possibilidades, mesmo que não fossem possíveis naquele momento. Talvez porque, do lado de lá, a intenção nunca tenha sido a de seduzir e, por isso mesmo acabei seduzida pelo natural, pelo começo-meio-e-fim que apresentava claramente as possibilidades (e a falta delas).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E tudo aconteceu na semana passada. Um encontro que mais se pareceu com um reconhecimento. Alguém que me lembrou o quanto é possível ter conversas interessantes misturadas com o desejo recíproco. Que me fez lembrar que é possível encontrar pessoas legais e parecidas com você por aí e que não importa o tempo que dure, desde que seja significativo. Alguém que resgatou a minha vontade de sorrir pra vida e que me mostrou de novo o quanto é bom uma conversa entre duas pessoas largada no sofá, de madrugada, nos braços um do outro. Alguém que me fez chorar de esperança e felicidade quando disse algo tão clichê como "é só questão de tempo, é fase, você vai ver".&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Alguém que chegou rápido e foi embora mais rápido ainda. Mas que deixou meu coração animado com as possibilidades da vida. Alguém que me ensinou a andar de novo, de cabeça erguida, e ver o mundo através de outra perspectiva. Alguém que sabia que não é necessário se manter ao lado para ser lembrado pra sempre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;R.R, imagino que você não faça a mínima ideia do quanto você foi importante na minha vida, neste momento. O quanto me mostrou e me ajudou a encaixar certas peças do meu quebra-cabeça. Mas sim, você foi. E é engraçado dizer isso com o coração em paz, de quem não alimenta esperanças em vão e nem sonha viver uma vida ao seu lado. Foi intenso e gratificante, breve e sincero, como certas coisas devem ser. Você não imagina o quanto me fez sentir esperança e poder suspirar aliviada quando percebi que amores são sempre possíveis. Que estar verdadeiramente ao lado de alguém é só questão de tempo e, permanecer sozinha, é fase. Acho que eu já tinha desacreditado... Mas tenho certeza que certas pessoas não aparecem na minha vida em vão, assim como não vivem suas próprias vidas em vão. E você é uma delas. Algumas pessoas cruzam o nosso caminho e nos reconhece e também podemos nos reconhecer nelas. E talvez por isso você tenha sido tão significativo. Obrigada por ter deixado comigo muito mais do  que você possa imaginar. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8094418355985965812?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8094418355985965812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/breves-amores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8094418355985965812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8094418355985965812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/breves-amores.html' title='Breves amores'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2402056004473903052</id><published>2010-01-09T00:16:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:18:26.186-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Primeiras Impressões</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não se conheciam. Só sabiam da existência um do outro. Também nunca haviam se visto. Começaram a se falar pela internet, num sábado morto, dia que provavelmente os dois estavam entediados demais, sozinhos demais. Era início de janeiro e ela ainda sentia que precisava se despedir de certas coisas do ano interior. Mas não era melancolia o que ela sentia. Era quase esperança de dias mais coloridos, uma quase vontade de tirar tudo dos lados, de não ter no que esbarrar e poder dançar sem música, sem espelhos, sem hora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dele, ela não sabia quase nada. Começou a imaginá-lo aos poucos e a desvendá-lo por alguns ângulos na medida que a conversa ia acontecendo. Enxergou semelhanças, procurou características em comum. Sorriu quando as encontrou mesmo sabendo que elas poderiam só existir na sua imaginação. Era isso que ela mais gostava: imaginar em como seria o jeito dele, quais seriam suas primeiras impressões quando se encontrassem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Conversaram outras vezes na mesma semana. Mas era no silêncio das teclas que ela o tinha nítido nos seus pensamentos. Não era fantasia ainda. Ela já não sonhava acordada, não se permitia mais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Escutaram a voz um do outro separados pela distância entre os bairros que moravam. Dormiram juntos mas não se abraçaram. Naquela noite, ela se encontrou com ele em sonho e o reconheceu na forma de sorrir pra ela. Sonhou com ele, não contou nada. Agora já imaginava seu gosto, seus olhos, suas mãos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Teve medo, só não sabia bem do quê. Não, não era medo de sentir medo. Talvez fosse medo de colocar suas fantasias frente a frente com a realidade. Ela sabia pouco sobre ele, mas talvez já soubesse o suficiente. Sentiu medo da realidade, de como seria quando fosse. Preferia ainda o "se fosse", mas a urgência em vê-lo já começava a falar mais alto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ficaram dois dias sem se falar depois de terem escutado a voz um do outro. A distância permanecia enorme depois que se aproximaram pela primeira vez. Ela se desesperou algumas vezes neste tempo enquanto imaginava que talvez não fosse possível conhecê-lo, mesmo sabendo que ela mesma ainda era capaz de se surpreender consigo mesma. Pensou se seria possível realmente conhecer alguém sem se conhecer primeiro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela ainda não saberia descrevê-lo. Só queria tê-lo ao lado. Seriam só primeiras impressões e, talvez, mesmo depois de muito tempo, permaneceriam como primeiras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se encontraram, enfim. Foram beijos e abraços quase desesperados. A voz dele era ainda mais bonita com a boca dele perto do ouvido dela. Sussurrada e sem fôlego. Uma voz que sorria em consonância com seus olhos. Se desvendaram no chão, se reconheceram nas conversas que separavam os beijos, se confundiram na cama.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela o olhou nos olhos. Era disso que ela precisava. Já conseguia confrontar as projeções feitas dias atrás com a realidade doce que estava bem a sua frente. Não precisou lidar com a frustração porque ele era quase o mesmo que ela havia imaginado. Agora com gosto, voz, toque, tudo ao mesmo tempo. Ela pensou em querer saber mais, mas ir além era difícil para ela. Estavam frente a frente, sem limites físicos. Preferiu calar perguntas e ansiedades que invadiam seus pensamentos e confundiam seus sentidos. Não queria sentir. Queria poder pensar e transformar tudo em equações matemáticas com respostas precisas. Agora tinha medo das respostas, de confirmar suas hipóteses feitas nas noites que pensou nele antes de se verem. Tentou sufocar a vontade de querer mais. Ainda existiam outros limites.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O querer mais existiu, mesmo abafado. Desejou segundas e terceiras primeiras impressões. Ela já sabia que só esta não bastaria antes mesmo de se concretizar. Mas calou. Sempre soube que gostava conhecer as pessoas além da superfície. Sabia quando o pouco era pouco e quis mais. Não pela impossibilidade, só pela incapacidade de lidar com a insuficiência e brevidade do pouco.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez ela não saiba, mas ela já consegue aceitar as primeiras impressões como últimas. Só gostaria que fosse diferente com ela algumas vezes. Não pensou em quais seriam as primeiras impressões dele. (Dormiu e acordou sozinha. Guardou suas primeiras impressões com carinho, sorriu e, desta vez, não chorou.)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2402056004473903052?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2402056004473903052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/primeiras-impressoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2402056004473903052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2402056004473903052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2010/01/primeiras-impressoes.html' title='Primeiras Impressões'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2263512071722629784</id><published>2009-12-14T00:18:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T00:19:29.500-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre a paixão (ridícula)</title><content type='html'>&lt;p&gt;Eu não sei se o mundo está se tornando ridículo ou se fui eu que cresci.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não, não tem nada a ver com o mundo. São as pessoas. Ou melhor, algumas pessoas: as apaixonadas. Não só apaixonadas, mas ridiculamente apaixonadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Alguém ridiculamente apaixonado não me incomoda. Mas confesso que sinto vergonha alheia e me falta coragem para perguntar pra essas pessoas se elas realmente acham necessário mostrar pro mundo aquele mimimi todo. Hoje, quem se apaixona não suspira mais; coloca foto no orkut, no facebook e no twitter. Faz declarações públicas para apagar tudo em menos de 12 meses. Me pergunto se elas se perguntam o que as pessoas que veem tudo aquilo pensam. Não... elas não se perguntam. Ou até se perguntam e acham tudo aquilo muito bonitinho. Se esquecem de quando elas mesmas não estavam apaixonadas e viam de fora aquelas cenas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Qual será a intenção delas? Causar inveja é a primeira alternativa que me chega. Já até me questionei se a minha reação de ridicularizar a paixão alheia não era inveja minha. Me perguntei se eu mesma não sairia estampando em todos os lugares a minha bobice toda se me apaixonasse de forma ridícula por alguém. Sabe, já me apaixonei muito, mas já sinto de forma diferente. Acho que já repeti paixões suficientes para elaborar todo o processo. E nunca fui de me auto-afirmar através de olhares de terceiros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Já senti inveja, mas não neste caso. Senti inveja de olhares cúmplices, longe de fotos. De palavras ditas em silêncio. De gestos espontâneos, da sintonia da convivência.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sei lá, parece que paixão serve só para mostrar ao mundo. Ninguém mais sente ou fala sobre os sentimentos e os clichês gostosos que se apaixonar geram. Se não estiver na vitrine, não vale.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Lembro das minhas paixões platônicas da época da faculdade. De inventar desculpas para aqueles que desconfiavam do meu rosto queimando enquanto eu escondia os meus segredos. Pois é, eu gosto mesmo das paixões secretas, escritas em diários. De nomes trocados, de suspirar pelos cantos. Gosto das paixões guardadas a sete chaves e protegida por quatro paredes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Essa paixão comercial de vitrine me envergonha, banaliza sentimentos. Estampa fotos e status. Mostra mais do que sente. Prefiro a sensação de me sentir ridiculamente apaixonada mas acho ridículo estampar paixão por aí.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sou mais egoísta que egocentrista. Gosto dos sorrisos só para mim. De palavras e gestos também. Meu ego não precisa de olhos alheios afirmando tudo aquilo que eu sei que é meu.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu realmente não sei o que acontece no fundo, mas não quero entender. Continuarei vivendo paixões quando elas vierem e se vierem (o que parece já ter deixado de acontecer!). Continuarei a ver paixões alheias estampadas, ridículas e breves. E gostando cada vez mais de nunca ter vivido assim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2263512071722629784?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2263512071722629784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/12/sobre-paixao-ridicula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2263512071722629784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2263512071722629784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/12/sobre-paixao-ridicula.html' title='Sobre a paixão (ridícula)'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2461223895991740979</id><published>2009-09-18T22:19:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:23:02.254-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Não é saudade</title><content type='html'>&lt;p&gt;Você foi embora. E é tão estranho! Hoje acordei com vontade de chorar, mas o choro não vinha da tristeza. Não, não é tristeza, você sabe. É uma saudade sem pressa, uma despedida. Um sentimento de quem sabe que o outro não volta mais, que os caminhos já mudaram ou ainda precisam ser reinventados, que a vida é breve. Mas não é saudade. E nada precisa ser discutido, pensado junto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Hoje acordei com vontade de chorar porque você foi embora e nem eu estou mais aqui. Já faz algum tempo que você foi, mas só senti hoje, pelo menos da forma que estou sentindo. Talvez eu tenha levado um tempo para perceber e só me despedi hoje de você, quando acordei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Comecei a me despedir quando nos conhecemos, você lembra? Eu havia me despedido do meu antigo emprego, da vida que eu tinha pensado pra mim. Depois me despedi das minhas loucuras, das minhas crises obsessivas, das minhas fantasias. Você me via crua, despida das minhas máscaras e eu comecei a me ver assim também. Me despedi de quem eu pensei ser por quase toda uma vida e percebi o quanto era bom soltar o meu corpo para trás, de olhos fechados, sem saber o que aconteceria . E aí, quando restava bem pouco, você foi embora sem se despedir.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Como se você só tivesse aparecido pra me deixar livre, no sentido mais simples e belo da palavra. E talvez você tenha ido embora para que eu pudesse realmente sentir tudo isso. Hoje, você não está mais aqui. E eu acho que eu também não. Não há nada que me prenda a lugar nenhum. Nenhum sentimento que perdure, nenhuma fantasia, nada que eu realmente queira. Nenhuma pessoa ocupando espaço no meu coração. Nada. Não estou triste. E parece que a minha felicidade já é diferente do que foi um dia. Parece chegar sem fazer alarde e de forma constante. A vontade de chorar não passa. As lágrimas escorrem devagar, como se não tivessem pressa pra terminar. Talvez seja a forma que a minha alma encontrou de tomar um banho, bem demorado e tranquilo, já que agora tem espaço e o vazio é muito maior que já imaginei conseguir conviver.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez minha vontade de chorar tenha vindo daí. De perceber que é possível abrir mão de tudo e continuar. Perceber a efemeridade das coisas. Perceber que nos apegamos por insegurança, medo, necessidade de auto-afirmação. Personificamos o que temos de pior e nos agarramos com todas as forças naquilo e ainda nos enganamos (e ao outro também!) chamando aquilo de amor, cuidado .Por isso eu sei que não é saudade. Não lamento nada que se foi.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu acho que talvez eu continue assim por algum tempo. Me estranhando, sem querer entender por fórmulas o que anda acontecendo comigo. Que permaneça só o vazio e todas as outras coisas continuem efêmeras. E talvez minha alma continue a se banhar, lavar os cantos. E eu continue a chorar sem pressa até dormir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2461223895991740979?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2461223895991740979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/09/nao-e-saudade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2461223895991740979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2461223895991740979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/09/nao-e-saudade.html' title='Não é saudade'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5981527147672089510</id><published>2009-08-25T22:23:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:24:11.466-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Sobre a loucura</title><content type='html'>&lt;p&gt;Comecei a pensar hoje sobre a minha loucura. Até porque de "santo e de louco todo mundo tem um pouco". Lembrei do dia que te conheci e do livro da Martha Medeiros que estava no banco de trás do carro quando te deixei em casa: "Doidas e santas", e que senti uma pontinha de vergonha de ler Martha Medeiros. Lembrei do que você me disse nos nossos primeiros cinco minutos de conversa, a alguns meses atrás. Você me disse que eu tinha jeito de quem trabalhava com qualquer coisa, menos com Economia. Como quem diz que eu parecia ter menos regras e que provavelmente levava a vida sem muitos modelos e teorias fixas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É, eu sou assim. Pois é, um paradoxo tão óbvio que até uma criança de 9 (ou 19?) conseguiria perceber. E você não foi a primeira pessoa e nem a última a reparar. Lembrei daquela noite e senti nostalgia. Da sensação de leveza que eu sentia de quem pode até esperar alguma coisa de um sábado a noite, mas não de um domingo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Lembrei e me perguntei por que raios eu estava lembrando de tudo aquilo, depois de tanto tempo. E de por que eu ainda estava intrigada. Não me apaixonei porque, sejamos sinceros, não deu tempo. Mas eu ainda sentia uma sensação estranha, de quem não se comportou como a mesma pessoa que é. Talvez fosse medo de me mostrar, medo de ser quem eu me tornei na sua frente. Medo do que você poderia pensar da minha loucura. Da minha forma de viver sorrindo, da minha mania de perfeição, de como eu sofro e choro na TPM, de como eu falo sozinha e faço caretas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Queria eu mesma aceitar a minha loucura. Minha loucura e minhas vulnerabilidades. Viver em paz com ela e rir dos meus exageros. Aceitar que, como todo mundo, eu também erro. Mas ainda é difícil aceitar, sabe? Senti medo do que você pudesse pensar de mim se você realmente me conhecesse. Não queria que alguém como você percebesse que eu não era boa o suficiente, mesmo sem saber se você mesmo era. Porque, quando te vi, já sabia que sua opinião seria importante para mim, se ela se tornasse opinião. O que você pensasse e o que você sentisse teria valor a partir do momento que eu já te admirava e te considerava.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fiquei pensando que provavelmente foi por isso que sempre me envolvi com pessoas de menos. Menos idade, menos experiência que eu, menos formação, menos caráter, menos gosto pelas letras e pela matemática, menos apreço por filmes europeus e iranianos. Desinteressantes. De alguma forma, as pessoas que acabaram entrando na minha vida destinadas a ir embora não se encaixavam nas minhas escalas de valores. A opinião delas era café com leite, tanto faz como tanto fez. Uma forma eficiente (e covarde, é verdade!) de não sofrer.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E, pra não sofrer, todas as vezes que aparecia alguém que mostrasse a mínima probabilidade de valer a pena, eu fugia. Não estou dizendo que te vejo e penso que seríamos felizes para sempre e que eu fui a víbora má que fez tudo dar errado. Nem chegamos a nos conhecer de verdade. Não é nada sobre você, e sim a forma com que te imaginei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por te imaginar uma pessoa interessante - e por ter algumas evidências sobre o fato - eu paralisei. Seria menos pior se eu tivesse saído correndo, fugido, sem olhar pros lados. Mas eu estava lá durante todo o tempo para sentir tudo o que eu senti. Por me ver e me enxergar agindo como uma pessoa que eu não sou, falando de menos, com assuntos esgotados. Alguém desinteressante e desinteressada. Morta, paralisada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você não me viu. Não conheceu as minhas loucuras. Não apontou meus erros e minhas falhas. Eu quase não existi depois daquele beijo. Por existir possibilidade, todo o resto deixou de existir. Não fui por ser tudo aquilo que eu sou. Por me poupar de sabe-se lá o quê, acabei mostrando uma loucura que não era a minha quando calei e fechei, portas e janelas, voz e sentimentos. Morreram sem viver.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: right;" mce_style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Texto dedicado ao Guilherme. Que talvez pudesse existir além das minhas fantasias&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;i&gt;Obs.: como todas as minhas crônicas, essa tem lá sua dose de verdade e sua dose de mentira. Mas como ela está dividida, entre o que foi e o que não foi, esta fórmula eu não revelo. Por não ser tão claro nem para mim.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5981527147672089510?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5981527147672089510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/sobre-loucura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5981527147672089510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5981527147672089510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/sobre-loucura.html' title='Sobre a loucura'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2499842594211704520</id><published>2009-08-11T22:26:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:27:04.444-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>De verdade</title><content type='html'>&lt;p&gt;Quando é de verdade, você não precisa mais ficar colocando no outdoor, demarcando território, gritando aos quatro ventos o quanto realmente vocês se amam e como tudo isso é perfeito. No começo, você sente aquela ansiedade, ainda existe o encantamento, e realmente é isso que você faz. Você fala sem parar, repete milhares de vezes as mesmas coisas sobre o novo amor da sua vida. Para os seus amigos, no twitter, no orkut dele e de todas as suas amigas. Para você.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Só para você. No fundo, você é a pessoa mais insegura do mundo e repete incansavelmente na sua mente, em voz alta, em negrito e em caps lock, pra se convencer. Para tentar acabar com a sua insegurança. Para não pensar no "se" e nas milhares de hipóteses negativas que surgem. Aí você abafa a parte negativa, grita o "tudo de bom que a sua vida se transformou depois do Fulano" e vive feliz pra sempre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Olha, você não precisa sair espalhando por aí a sua felicidade. Pode ser pior depois. As pessoas já sabem que vocês foram feitos um para o outro e, sério, isso só é importante para vocês dois. Nada mudou na vida das outras pessoas porque agora você anda com cara de boba alegre e tem alguém que anda com cara de bobo alegre por  sua causa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando é de verdade, você percebe desde o começo que encantamento - as tais borboletas no estômagos - não passa de azia ou, na melhor das hipóteses, fome. No máximo, é alguma coisa em você tentando te avisar para tomar cuidado porque "ali tem". Quando é de verdade, não existe nenhuma borboleta. Você vai andando, com os pés no chão, talvez na ponta deles: o calcanhar sai do chão, mas a metade de cada um deles continua ali, bem firmes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não estou defendendo relacionamentos mornos, sem sentimento. Sentimento é diferente de encantamento. Eu também já confundi muito um com o outro, mas quando é de verdade, fica mais fácil separar. Para sentir e conseguir permanecer ao lado de alguém você precisa ter coragem. Coragem pra viver na realidade e da realidade. Vocês não são tão felizes juntos que se bastam. No meio disso tudo tem chefe, horários loucos, família, prioridades, pensamentos e valores que irão se confrontar vez ou outra e que irão conviver respeitando-se, com humor ou na falta dele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para que vocês se conheçam de verdade, vai demorar um tempo. Não 1 mês, nem 1 ano. Um tempo. Para duas pessoas se conhecerem precisa de tempo para convivência, dormir na mesma cama e conseguir olhar um pra cara do outro na manhã seguinte e conseguir se divertir com o mau-humor ou o bom-humor que o outro acorda, dependendo de qual lado você está. E pra conviver é preciso de coragem. Coragem e paciência, pra quando falta a coragem. Você tem que conseguir respirar fundo e contar até dez. Precisa de bom-humor para saber que nada nessa vida tem dois lados bons sempre. Saber que é na diferença que se cresce, que vocês podem brigar de vez em quando mas, ainda assim, você quer continuar ao lado dele por um motivo maior. Ainda vale a pena.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você não conhece ninguém ainda antes da primeira briga, do primeiro stress, antes de saber qual parte dele é diferente da sua. Antes de saber se ele é capaz de gritar com você ou simplesmente sumir, dizendo que não se importa, ou se ficará em silêncio por 10 segundos antes de segurar a sua mão e olhar no fundo dos seus olhos. Não é de verdade quando você acha que só você o conhece ou que só ele te conhece, ou ainda que só vocês sabem. Ah, existe tanta gente na vida de cada um de vocês capaz de descreve-los de milhares de formas e cores! Só é de verdade quando vocês enxergam a possibilidade de prepotência conjunta e percebem que milhares de pessoas podem, e vivem, algo que vocês dois estão experimentando só agora juntos. Que as situações são sempre as mesmas, que as pessoas, mesmo sendo únicas, se parecem bastante umas com as outras. E nada é assim tão perfeito, ou tão único, que não possa acabar amanhã.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você sabe que é de verdade quando consegue considerar a possibilidade de estar ao lado de milhares de pessoas parecidas com aquela que está do seu lado - e algumas até melhores - mas, ainda assim, sem explicar muito, você permanece onde está. Sabe que a vida é feita de escolhas e, cada um de vocês escolheu um ao outro. Independente de qualquer coisa - porque "coisas" sempre existem. E todo mundo sabe!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-2499842594211704520?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/2499842594211704520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/de-verdade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2499842594211704520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/2499842594211704520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/de-verdade.html' title='De verdade'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1037216196871621592</id><published>2009-08-07T22:27:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:28:44.598-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre ele</title><content type='html'>&lt;p&gt;É claro que ele tem lá as manias dele. Eu também tenho as minhas. Às vezes a gente se entende. Mas sempre a gente se sente. Como se cada um soubesse a temperatura do outro, sem usar termômetro. E colocamos um casaco ou nos despimos, dependendo da temperatura dentro de cada um. E dos dois juntos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu nunca fui daquelas que espera um príncipe no cavalo branco. Meu negócio sempre foi olhar pros meninos de óculos ou de cabelos bagunçados. E se fosse míope, gostasse de matemática e tivesse os cabelos bagunçados, que usasse lentes de contato ao invés de óculos, também estava de bom tamanho. Até que apareceu ele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ele era amigo de um amigo do outro amigo que morava fora a algum tempo e nesse dia eu caí da cama e resolvi sair da proteção da minha casa e viver lá fora. Vesti meu melhor sorriso, um salto (que é a forma que toda mulher usa para aumentar uns centímetros e alguns pontos de auto-estima) e fui tranquila, nem me lembro mais para onde. Eu já havia perdido a minha pressa e as minhas esperanças. Estava saindo com um e com outro que não valiam a depilação do mês. E ainda sofria por eles. Sofria simplesmente pelo costume de sempre sofrer, mesmo que fosse de mentirinha.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Como disse Clarice, "Que se há de fazer com a verdade que todo mundo é um pouco triste e um pouco só?". Eu sempre soube da minha solidão, sempre tive consciência dela, mesmo quando eu me enroscava em outras pernas, em noites quentes que eu buscava certos significados para a química e para os laços frouxos amarrados em fantasias bobas. Noites vazias. O tempo e a realidade me ensinaram a viver só, solta, leve. Aprendi a gostar dessa condição de ausência. Parei de fugir do oco, parei de procurar ensandecidamente qualquer coisa que pudesse me fazer melhor. Aprendi a viver sem me sentir angustiada e sufocada pelo excesso de espaço.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu já não precisava mais arrastar os móveis para dançar na sala. E não existe sensação melhor do que dançar no espaço, pro vazio. Me entende quem já se viu sozinha num palco de um teatro, holofotes acessos, plateia apagada. Sem ninguém. Você, o silêncio e ninguém mais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pois é, aquela noite, fui viver. Eu, minha solidão, um amigo acompanhado de outros amigos e meu copo de mojito. Ele se aproximou e sorriu. Se apresentou com total desenvoltura. Não me interessei. Ele não gostava de matemática, não era míope. Só tinha os cabelos bagunçados. Foi só quando começamos a conversar, nós dois com todas as outras pessoas em volta, foi que eu o enxerguei pelo contraste. Ele amava viver. Transbordava amor pela vida, por si e parecia se bastar nessa felicidade. Talvez ele fosse um pouco só, mas um pouco triste, duvido. Era quente e ocupava espaço por ser, sem querer mostrar-se. E surpreendia-se na mesma medida que me surpreendia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A sensação que tenho foi que, ao invés de nos conhecermos, nos reconhecemos. Não por afinidades e por identificação. Talvez eu seja o tipo de pessoa que ainda foge dos espelhos e não queira ainda alguém tão parecido assim comigo pra estar do meu lado. Mas também preciso dizer que dessa vez não quis nada. Não deu tempo. Ele quis por mim e assim foi.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu me deixei levar. Pelas surpresas, pela paz, pelo sorriso sincero e por ele não querer demais. Por não querer mais do que eu sou, do que eu posso. Por não cobrar e não me deixar cobrar de mim mesma o que não está ao meu alcance. Por saber me levar nos braços e na lábia, e não ter a pretensão de preencher os meus espaços que são para permanecer como estão. E me deixar saber que a sala estará vazia para eu dançar sozinha quando eu quiser.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por ele amar viver mais do que me amar, me deixei levar. Por me sentir e se deixar sentir. Por nem questionar quem eu já fui, quem eu sou ou quantos anos eu tenho. E por conseguir permanecer ao meu lado mesmo quando eu mesma fujo de mim, no desespero, na angústia, nas sensações que não passam, no choro da TPM, nas lágrimas de transbordamento, na loucura. Por permanecer ali, sem reação, em silêncio, mesmo quando eu me debato em sombras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fico tentando pontuar o que mais amo nele. Gosto do silêncio doce quando me largo nos braços dele ou das nossas risadas de madrugada, sentados na cama, ele contando histórias do cotidiano que me fazem lembrar de como podemos ser feliz ou triste, é realmente só uma questão de ponto de vista. Gosto da forma que ele simplifica a vida e resume os meus dramas particulares, achando graça ao invés de sair correndo, como a maioria sempre fez. Mas gosto de tudo, gosto mesmo do inteiro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Que todas as noites, e os dias, e todo o resto, continue assim. Enquanto durar. Enquanto a existência nos bastar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1037216196871621592?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1037216196871621592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/sobre-ele.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1037216196871621592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1037216196871621592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/sobre-ele.html' title='Sobre ele'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8613055504105819893</id><published>2009-08-05T22:28:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:29:56.974-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Encontros ao acaso</title><content type='html'>&lt;p&gt;Se engana quem pensa que este texto trata de contar sobre um lindo e romântico encontro ao acaso, com o grande amor da minha vida. Não, não trata. Até porque não dava pra falar de grande amor da minha vida, assim no singular, já que os dedos das mãos já são insuficientes para contar todos aqueles que já chamei de grande amor da minha vida. Tão comum quanto beber água!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vou falar dos encontros ao acaso, das pessoas que você encontra onde menos espera. Aquelas pessoas que você conhece, mas faz anos que você não a vê. Aí encontra no meio da rua e você sempre pisca de novo, apertando os olhos, os dois juntos, pra ter certeza que REALMENTE é alguém que você conhece, mas está "meio" diferente. Porque, geralmente, as pessoas mudam com o tempo. Engordam, emagrecem, pintam o cabelo de vermelho (ou verde, ou amarelo, ou todas as cores juntas!), perdem o cabelo, se descobrem gays.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Depois que comecei a morar em São Paulo, isso acontece com certa frequência. Ainda mais quando estou em lugares ou passando por avenidas que todas as pessoas vão, como a Av. Paulista ou qualquer shopping da cidade. E como se diz lá na minha cidade: assisense é praga! Tem sempre um perdido em qualquer lugar que você vá, e eles se multiplicam mais que a gripe suína.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Depois que comecei a dar aula, isso acontece com mais frequência ainda! A última vez foi no casamento de uma das minhas melhores amigas. O casamento aconteceu numa sexta-feira e eu iria dar aula sábado. Eis que, no meio da minha animação, quando todas as amigas de faculdade sobem com a noiva no palco para pagar aquele mico, que eu escuto alguém chamar o meu nome. E não é que era um dos meus alunos da turma que eu daria aula no outro dia? Reação 1: olhar para o copo e se certificar de que realmente eu estava tomando água. Reação 2: não deixar ele perceber que eu não lembrava o nome dele. Reação 3: ignorar as loucas gritando o meu nome de cima do palco, dançando e cantando com o banda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pois é, encontro ao acaso, no meu caso, raramente é uma experiência tranquila.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A última foi no final de semana passado. Acordei no domingo, aquele sol, aquele dia lindo depois do dilúvio de sete dias, coloquei um tenis, uma roupitcha de academia, prendi o mísero cabelo que eu tenho do jeito que deu, e fui. Eu e John Mayer no meu Ipod, cantando e andando feito loucos pela rua. Eis que, de repente, eu vejo saindo de um prédio alguém que parecia ter a mesma reação que a minha. Aquela cara de alface tentando ser simpática mas que no fundo você sabe que está pensando o mesmo que você: que raios você está fazendo no meu caminho de domingo?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Era um professor querido que eu trabalho junto mas que com certeza não queria me ver em pleno domingo de férias e de sol no meio do caminho dele. Passou, achei graça e, pelo menos, ele estava tão desgrenhado quanto eu!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando imaginei escrever sobre encontros ao acaso, pensei se me lembrava de algo bonito e emocionante, romântico. Do tipo que vemos em filmes, mas não encontrei nenhum nas minhas memórias. E juro que todas as vezes que eu vou ao supermercado eu olho bastante para os lados. E só quem tem puxado papo são as velhinhas simpáticas me pedindo ajuda para enxergar o preço dos produtos ou para dar dicas sobre produtos de limpeza.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8613055504105819893?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8613055504105819893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/encontros-ao-acaso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8613055504105819893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8613055504105819893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/08/encontros-ao-acaso.html' title='Encontros ao acaso'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6704570808987311163</id><published>2009-07-28T22:29:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:31:06.223-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Dos anseios</title><content type='html'>&lt;p&gt;Um dia aquela sua euforia de quem tem 18 anos passa. Também passa a necessidade de se sentir eufórico e você já não acha que esta é a sensação de felicidade que todo mundo sempre busca. Não, não estou falando em viver de forma intensa. Continuo sendo aquela que assume todos os riscos, que ri, que chora de soluçar, que suspira fundo e sorri com a alma. Ninguém deixa de ser inteira quando perde a euforia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aquela sensação de quem quer ter o mundo todo de uma só vez nas mãos some. Desconfio que é a sensação de quem já sabe o valor que tem e que já conseguiu equilibrar o mundo nas mãos. Ou que sabe qual parte do mundo quer para si já que não precisa tanto assim do mundo todo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acho que deve ser um pouco o que se sente quando você conhece alguém que você realmente quer ter do seu lado. Você não precisa mais do mundo inteiro nas suas mãos. Você equilibra o mundo nelas e tem os braços de uma só uma pessoa. Você se tem nos braços dela. É dela.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não sei até que ponto o problema é de medidas. Acho mesmo que é só uma questão de contentamento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto você não conseguir controlar a sua compulsão e conseguir medir os seus anseios, até o mundo todo será pouco. E não há nada que faça com que esse seu vazio seja preenchido. Sempre vai ser pouco, insuficiente, oco. Frustrante. E sempre será, já que o tudo é quase nada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A compulsão e a não saciedade de beijar meia dúzia de pessoas no intervalo de poucas horas. "Você se importa?", tem quem pergunte de forma educada depois de acabar de te beijar. Não me importo mais e você?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quem tem importância diante de um cenário desses? Pessoas são só bocas. E me pergunto se existiria a diferença entre bocas e copos com gelo. As pessoas ainda hoje preferem se manter superficiais e acreditam que algo de muito bom ou muito importante está acontecendo no raso do mundo. Existe necessidade de auto-afirmação de todos os tipos. Uns escrevem, outros trabalham e ganham salários altíssimos, outros beijam quatro ou cinco por noite emendando prazeres e excessos e vão dormir achando que se bastam. Nem se olham. Talvez se olhem, mas não se enxergam.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas um dia, junto com a euforia, a necessidade de auto-afirmação também passa. E aí o mundo inteiro se torna pouco se o mundo inteiro continua raso. Você só precisa mesmo de um dos dois ombros largos e que ele continue com todos os dias pra te ter deitada ali. Em silêncio, só suspirando. Que seja só duas bocas, quatro braços e quatro pernas se confundindo em risos e pranto. E gozo. Sentimentos, sensações, carinho e desejo. E que se percam no tempo e no espaço do quarto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E foda-se o resto do mundo. Eu não preciso mais dele para ter tudo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6704570808987311163?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6704570808987311163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/dos-anseios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6704570808987311163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6704570808987311163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/dos-anseios.html' title='Dos anseios'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6977140805280024956</id><published>2009-07-18T22:31:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:38:48.322-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Da solteirice</title><content type='html'>&lt;p&gt;Sabe aquela história que todas as suas amigas casadas contam para consolar você, a amiga que já está solteira a anos? "Querida, você precisa sair mais, conhecer o amigo do fulano meu marido, vamos marcar um jantarzinho!" Você vai, completamente sem vontade pro programa insosso. Conhece o tal amigo do marido da sua amiga e quer matá-la, ali mesmo, na frente daquele prato minúsculo e caro, com direito a sobremesa diet, provavelmente uma fatia de abacaxi com uma raspinha de limão. Ácida, pra combinar com a dúvida que não sai da sua cabeça: "por que raios eu não estou em casa com um pote de &lt;i&gt;Häagen&lt;/i&gt;-Dazs, jogada no sofá de pijama, chorando com uma comédia romântica?"&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Geralmente os pretendentes que as suas amigas casadas tentam te empurrar é o amigo chato e sem assunto do marido dela que ela mesma não anda suportando. Claro que elas fazem com a maior boa vontade. Mas acho que geralmente as amigas - as suas e as minhas - esquecem dos seus gostos e das suas peculiaridades. Uma tristeza. Com sorte, você escapa do jantar sem que o fulano te dê uma carona pra casa e sem que você dê seu telefone pra vocês se conhecerem melhor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você continua solteira. Solteira, sozinha nunca. E pára de aceitar os convites para os tais jantarzinhos. Mas continua vivendo de amores sobrepostos, com ânsia de viver um amor só e uma agústia que não sabe de onde vem. Segue uma parte dos conselhos das suas amigas casadas, a de sair mais. Se distrai pelas noites mal dormidas, em lugares insuportavelmente barulhentos. No começo, você acha o máximo. Concordo que no início é legal se emperequetar toda, arrumar a postura e desfilar pela balada da moda, fazendo cara de díficil e usando aquele meio sorriso que você treinou tanto na frente do espelho enquanto se maquiava com vaidade. Aprende a tomar vodka com energético, que te ajuda a se manter acordada noite adentro, enquanto aguenta as mesmas conversas superficiais de sempre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Suas preocupações se resumem a não parecer fácil demais, nem difícil demais, não falar demais, não comentar sobre suas frustrações e o que você pensa realmente sobre a vida. Pois é, você aprende que as pessoas que estampam aquele sorriso superficial no rosto não suportam as próprias frustrações, o que dirá das suas. No fundo, todo mundo só está mesmo preocupado consigo mesmo, poupe os outros da sua vida não superficial, dos seus medos e dos seus anseios. No máximo, isso só é importante pra você mesma.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Começa a considerar até a comprar um vibrador e enxerga isso não mais como um consolo, mas como um investimento. Resolve começar a ler livros de auto-ajuda, crônicas de mulheres fortes, solteiras e felizes e começa até a fazer terapia. Acha que se sentirá menos carente, mais segura, uma mulher independente. Prefere continuar olhando sempre pra fora do que começar a olhar pra dentro. Afinal, pensar que a culpa é do mundo e que você sofre de falta de sorte crônica é realmente muito mais fácil. Mas no fundo, sinto lhe informar, o problema está em você, sempre esteve.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E qual é este problema? Existe várias hipóteses possíveis e não desconsidere todas de uma vez só: talvez você não se sinta merecedora de alguém legal do seu lado, talvez seja carência ou até mesmo um grau forte de miopia. Talvez você seja insegura, traumatizada ou ainda não tenha construído seu ego e sua auto-estima seja baixa demais para suportar que as coisas possam dar certo com você. E aí é muito mais fácil deixar que tudo dê errado sempre, como você sempre achou que ia dar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chega uma hora que você cansa de se colocar como vítima das circunstâncias e de torrar tanto dinheiro com vodka, consolos sexuais, livros de auto-ajuda e até com terapia. Resolve namorar com você mesma e aceita que você não é tão ruim quanto você pensa e acha parecer. Larga mão daquelas pessoas que aparecem na hora errada (delas, porque você já sabe que os outros podem ter seus problemas e nem sempre o negócio é com você, &lt;i&gt;thanks god!&lt;/i&gt;) e já separa quando o problema dos outros não está em você. Eles que resolvam o problema deles, que você está vivendo a sua vida muito bem, obrigada. Afinal, não é sempre que vale a pena insistir no que já não vai dar certo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nesse momento já existe espaço na sua vida para ser preenchido por alguém nem pior nem melhor que você. E você também já não se importa em colocar outras vidas em escala ao lado da sua. São só outras histórias vividas de outras formas. E nada mais clichê e mais verdadeiro do que dizer que é quando você menos espera alguém tromba em você e faz com que a sua vida se cruze com outra vida. Você já não é mais aquela que sofre de amor, que angustia do lado do telefone e se pergunta a todo momento se dessa vez as coisas vão dar certo. Simplesmente aceita que algumas vezes dá certo mas na maioria não. Aceita que um encontro de dois é diferente de um encontro inventado, que não há nada que você faça ou deixe de fazer para que as coisas sejam como você queria que fosse. Você vive o "eterno enquanto dure" e já sabe o que isso significa. Já sabe que ninguém morre de amor e que o que não é efêmero, fica. E vive assim, de dias inteiros, uma vida só. Definitiva. E já não importa o que vai e o que fica.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: right;" mce_style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Texto dedicado às minhas amigas Milena, Fabi, Nina 1, Nina 2, Camila e Andreza.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6977140805280024956?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6977140805280024956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/da-solteirice.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6977140805280024956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6977140805280024956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/da-solteirice.html' title='Da solteirice'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4079484501447011591</id><published>2009-07-09T22:38:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:43:57.804-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Naquele domingo</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Algumas semanas atrás, conversando com um amigo desses espiritualizados, que mantém um diálogo com começo, meio e fim consigo mesmo e que foge pouco de todas aquelas coisas que resolvemos não enfrentar na maioria das vezes, ele me falou:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Existe muita gente interessante no mundo. Nem todas servem para você, mas elas existem aos montes. Você só tem que parar e olhar ao redor. Além de abrir mão da sua mania de achar que todas as pessoas que cruzam seu caminho são interessantes potencialmente. Ou elas são ou não são. É simples.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fiquei pensando depois que realmente acho que todas as pessoas são interessantes potencialmente. Mas o que se define como “ser interessante”? Um amontoado de características e só? Não… Vai muito além disso. Apesar da dificuldade que ainda tenho de definir o que seria. Acho que são os assuntos dos quais se conversa. Talvez não sejam assuntos específicos, mas a profundidade, o interesse e a fluidez com que esta pessoa trata todo e qualquer tópico da vida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez seja uma questão menos de assunto e mais de postura. Tem pessoas que mantém o mesmo brilho no olhar quando olham para o que os outros são e o que fazem, como pensam. Se interessam mais pelo abstrato do que pelo concreto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não me importa o seu nome, nem o seu salário, se você dorme numa cama king size ou num beliche. Me interessa a forma que você enxerga as pessoas, como as trata, independente do cargo que ela ocupa, seja numa multinacional ou na padaria da esquina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pessoas interessantes para mim não se escondem atrás das suas qualidades, aumentando e exacerbando o que tem de bom. As pessoas interessantes riem de si mesmas, das suas fraquezas. Pois estão sempre em contato consigo e sabem que nossos próprios defeitos, para serem superados, nem sempre somem. Às vezes só conseguimos lidar de outra forma com eles.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Naquele domingo que te conheci eu ainda duvidava um pouco desse meu amigo. Aos montes pessoas interessantes? Puf… A maioria das pessoas só resolvem conversar com você quando já sabem o seu cargo e a marca do seu carro. E se você é reconhecida pelas colunas sociais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você chegou e começamos a conversar em muito menos de cinco minutos. Você já bebeu do meu copo e, mesmo com o corpo cansado, os seus olhos sorriam de forma apaixonada. Não apaixonado por alguém. Apaixonado pela vida, pelo mundo. Eram olhos curiosos como de uma criança que olha tudo como o novo. Era lindo, mesmo não sendo novo, porque é a forma que muitas vezes eu me enxergo: como uma criança de olhar curioso, que sempre olha o mundo e as pessoas como algo novo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu imagino que encontros assim não são frutos da ação dormente da vodka. Lembrei do slogan “Vodka, connecting people”. Mas não era só isso. Quando existe identificação, precisa de coisas muito menos superficiais do que vodka para se conversar em silêncio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não imaginei que nos beijaríamos naquele domingo. Não pela conversa, nem por nada. Eu só achei que uma pessoa tão interessante como você não se interessaria por mim. Pois é, o meu maior defeito ainda é a síndrome do patinho feio, ou da Cinderela que só é Cinderela por uma noite e é gata borralheira pelo resto da vida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda acredito que você só me beijou, no meio da frase que eu ainda não tinha terminado, quando percebeu que os meus olhos começavam a sorrir para outro. Fiquei imaginando se teria sido só porque você me sentiu indo embora ou se olhar para outro quando outro olhava para mim só te fez criar coragem para ser exatamente naquela hora, numa espécie de “agora ou nunca”. Mas aquele momento já passou e foi bom da forma que foi. Independente de motivos e justificativas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nos encontramos uma segunda vez. Eu estava estranha, fechada e triste. Talvez você nem tenha percebido, mas eu estava. Eu queria ter muito mais do que te visto naquela noite. Só não aconteceu. Passou. Talvez eu só não servisse para você. E você não servisse para mim. [Mesmo que eu não acredite nisso, mas fazer o quê?]&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4079484501447011591?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4079484501447011591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/naquele-domingo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4079484501447011591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4079484501447011591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/naquele-domingo.html' title='Naquele domingo'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7077304059216037147</id><published>2009-07-01T22:44:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:45:18.911-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Quando tudo acaba</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;ou quando você faz com que seja assim...&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;É sempre assim: você vive de restos e de falta. Relacionamentos vazios e superficiais e cada semana se sente apaixonada por um. Todos os dias fantasia em como seria feliz ao lado de cada um desses homens que passou pela sua vida se tivesse oportunidade. Às vezes se pergunta se um dia eles parariam de procurar em outras mulheres aquilo tudo que você já tem e eles insistem em não enxergar. Ou enxergam e dizem que ainda não é suficiente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Primeiro você sofre, se culpa. Depois percebe que não é se maltratando que chegará a algum lugar. Depois tenta convencê-los, um a um mas ao mesmo tempo, do quanto é gostoso ter alguém parecido ao seu lado, descobrir cada um dos detalhes que fazem vocês, dois a dois, diferentes. Fala sobre você, de como você consegue ser tantas em uma só, e que não há paradoxo nenhum nisso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tantas diferenças, tantas possibilidades. Um cesto inteiro de frustração. Até que passa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você para de insistir em erros tolos. Demora, mas você pára. Você se contradiz por vezes e vezes seguidas, mas chega uma hora, que você pára. Começa a rir de si mesma e vê que a vida é mais leve do que imaginou. Leve mesmo quando se caminha sozinha. E solidão é diferente de andar sozinha. Andar sozinha é poder acompanhar a si mesma e é assim que você caminha quando tudo, enfim, passa. E passa, sempre passa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A lágrima seca, o drama se transforma em caricatura. Um risível exagero. Você percebe que implorar por migalhas vai continuar fazer você morrer de fome. E então resolve matar a sua fome de vida com vida! Tão simples quanto isso. As pernas ainda pesam nos primeiros passos, é normal. E um passo depois do outro, insistentemente, começam a te levar a outras pessoas, novos lugares e até aos mesmos, com a melhor companhia de todas: você. É a companhia mais clichê também, mas aposto que não é sempre que você consegue ter uma conversa civilizada consigo mesma.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E quando já não sente mais falta de quase nada, quando restos são só restos e deixa de ser a sua fonte de vida, você percebe que existe muita gente interessante no mundo. Ah, existe um monte de gente interessante nesse mundo! Mas muitas vezes deixamos de conhecê-las porque estávamos perdendo tempo na vida com coisa besta. Tentando convencer quem se acha interessante demais que somos, nós mesmas, interessantes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E é quando essas milhares de possibilidades te ofuscam os olhos que já passou. Acabou. Fim, pronto. E você se pergunta: e como isso aconteceu? O que eu fiz?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E você só deixou de fazer, de insistir, de querer. Por cansaço, pela última gota de amor próprio que ainda te restava. Por desistir e não ter mais forças de gritar com surdos. Deixou de fazer e disse pra si mesma, em silêncio, que agora bastava. E se bastou.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tirou os gessos que te deixavam sempre no mesmo lugar para dançar com total abandono, no meio da sala, vivendo a sua vida. Ah, quanta gente interessante nesse mundo! E você lá, amarrada no mesmo lugar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O problema é quando você demora para tirar os gessos, quando as pernas ainda pesam, quando você ainda quer convencer alguém de alguma coisa. Perca esse tempo com você. Ou só pare agora tudo o que você estava fazendo. Pare e viva a perda. Pare agora tudo o que você estava fazendo. Deixe de agir e pense um pouco. Deixe as cores da sua vida de separarem do cinza. Pare até que você consiga enxergar e separar o que são sentimentos reais e o que você inventou para manter tudo aquilo que você continuava fazendo. Você vai perceber o quanto somos capazes de fantasiar e nos tornamos míopes em nossas fantasias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Olhe pra si e você verá como o mundo ainda está cheio de gente interessante. E você perdeu todo esse tempo com coisa besta!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7077304059216037147?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7077304059216037147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/quando-tudo-acaba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7077304059216037147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7077304059216037147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/07/quando-tudo-acaba.html' title='Quando tudo acaba'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5454955373140380369</id><published>2009-06-20T22:45:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:46:20.310-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>até... adeus</title><content type='html'>&lt;p&gt;É com lágrimas nos olhos e tentando controlar o soluço que escrevo. Nunca fui de dizer adeus. Geralmente as coisas na minha vida terminavam e começavam de forma fluida e sempre preferi pensar em finais como começos já que o tempo não pára, como diria Cazuza.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas preciso confessar também que todas as mudanças na minha vida foram vividas de forma intensa e exagerada. Ainda lembro das sensações dos dias quentes de novembro em Porto Alegre. Vivi cada dia de novembro de forma inteira e, mesmo negando na época, aquilo foi uma despedida. Reviver de forma intensa dois anos em um mês é também se despedir. Imagino que é isso que as pessoas fazem no final da vida, quando descobrem que estão doentes e tem somente alguns meses de vida. Talvez, se eu pudesse escolher a minha forma de morrer, esta seria a forma: ter tempo de ver o que ainda restava da minha vida como dias a menos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não sei se chega a ser culto ao sofrimento, que melhor que amar e se apaixonar é sofrer, é isso que acabo fazendo nos meus relacionamentos. Não... na verdade não... Nos meus relacionamentos eu sempre tive a mania de não me despedir. Colecionava amores. E quando o sofrimento se tornava deveras insuportável, eu chorava uma tarde de domingo inteira para conseguir fugir logo na segunda-feira. Me distraía com trabalho, estudos ou só comigo mesma para encontrar o próximo grande amor da minha vida. E ele seria, ele era. Até ser tudo de novo. Ou quando o próximo grande amor da minha vida não era uma surpresa, era um dos grandes amores da minha vida que já não era tão grande assim. Era alguém que eu já não lembrava de porque não tinha dado certo e, se já não lembrava, por que não? Mas aí eu buscava na memória todo o amor que já tinha sido um dia e esquecia do que convinha e lá estava eu de novo, suspirando pelos cantos. Tapando o buraco de uma história mal resolvida com outra história mal resolvida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Claro que relacionamento é o tipo de coisa que não depende só de um e sim de dois (e de um pouco de sorte e da conspiração de energias do mundo). Confesso, estou dizendo isso a mim mesma. Talvez eu ainda não tenha aceitado que não posso fazer certas coisas por mim e pelos outros. Nesse ponto, dizendo que nem tudo depende de uma só pessoa, eu poderia dizer que, sendo assim, o "tudo errado" não foi "culpa" minha. Mas acho que aqui o que menos interessa é falar sobre culpa, apontar o dedo, buscar réus, vítimas. Já está doendo demais pra qualquer tipo de confissão ou apontamento. E também, no fundo sei que as cofusões que pairam sobre a minha cabeça no assunto "relacionamentos" sou eu quem faço. Mas não quero falar sobre motivos e incentivos. Provavelmente a descrição de tudo isso soaria como resignação, como "tenha pena de mim", ou simplesmente "eu me odeio" e quero evitar esse tipo de coisa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aquele dia, quando te disse que te daria paz, era de certa forma uma vontade velada de me despedir. Na verdade, eu havia prometido a mim mesma que iria me manter longe. E não foi o que eu fiz. Talvez não seja difícil de entender a partir do momento que não era aquilo que eu queria. Mas na vida a gente não pode ter tudo o que quer e muito menos deve fazer tudo o que quer. A não ser que só dependa de você. E como já falei, não depende só de mim, independente do que seja.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acho que talvez seja a hora de começar a me despedir. Colocar ponto no lugar das reticências. Talvez uma vida sem suspiros seja realmente mais leve. Queimar coleções. E parece que só agora percebi que amores que não passam, pesam. E me é insuportável pensar em você como um peso...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu queria ser civilizada o suficiente e dizer que a partir de agora podemos conversar como dois adultos que somos e que o botão que liga a vontade de te ver, temperada com vontade de te dar uma mordida na bochecha está desligado, mas seria mentira. Também poderia continuar como estava, nós dois conversando de vez em quando, sem pretensões, sabendo que em algum momento, quando desse um click nos dois ao mesmo tempo (afinal o meu click quebrou no "on", sério!) a gente se veria, terminaria na cama, depois de uma conversa inteligente, um vinho, umas coisinhas boas de comer... Mas ser civilizada foi sempre o que eu fiz. Mas lá no fundo, o que o meu espelho nunca me disse é que eu nunca soube desistir de certas coisas... Parecia como sangrar a conta gotas, abafar uma dor, disfarçar com o sorriso que nunca me deixa o rosto... Uma forma podre de incapacidade de enfrentamento, é verdade...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você já deve ter percebido que eu não tenho muito problema para falar de mim. Não é assim, desta forma, com todo mundo. Mas algo em você (ou em mim, não sei) me faz sentir que você entende bem mais do que as linhas que eu escrevo e, talvez por isso, eu tenha tomado essa liberdade de te escrever tanto. Talvez essa minha vontade de me despedir - assim, de forma clara e nem tão objetiva - tenha vindo desta forma, falando tanto sobre mim, porque no fundo ainda é difícil. Ainda não aprendi a ir embora sem olhar pra trás... Mas sei que preciso. Por mim... Algumas coisas e certas pessoas deixam de ter sentido durante o caminho se continuarmos carregando-as. Da mesma forma que, se continuam tendo sentido, elas voltam pra nossa vida, sem que façamos nada pra isso acontecer. Por isso, a minha escolha de me despedir.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Faço isso por mim, e não por você, pra te afetar ou qualquer outra coisa... E, mesmo que não saibam, faço isso agora também com todos os "grandes amores da minha vida". Só não vou me dar ao trabalho de escrever pra eles... E como diz uma música da Ana Carolina "sempre chega a hora da solidão, sempre chega a hora de arrumar o armário"... Resolvi te escrever (e não a qualquer outro) porque você foi o último e porque é você que tenho vontade de encontrar nos meus sonhos, quando vou dormir (e quem eu mais encontro, com toda a certeza!).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E como os dias daquele novembro em Porto Alegre, esses dias de maio foram igualmente significativos. Obrigada pelos momentos breves. Foram realmente felizes. E, sinceramente, não sei se acredito conseguir sentir tudo aquilo de novo. Mas não importa...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não estranhe se não me encontrar mais ou deixar de ter notícias minhas... Talvez seja melhor assim...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Adeus, menino bonito. Que sua vida seja linda... e que você tenha mais dias de sol do que de chuva.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Email enviado no dia 24 de maio. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;i&gt;De forma inconsistente, não sumi depois do email. Mas tudo aconteceu como deveria acontecer.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5454955373140380369?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5454955373140380369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/06/ate-adeus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5454955373140380369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5454955373140380369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/06/ate-adeus.html' title='até... adeus'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8590977428456256871</id><published>2009-06-18T22:46:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:47:34.895-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sem conseguir dizer mais nada</title><content type='html'>&lt;p&gt;Despediu-se rápido de todos com um sorriso no rosto. Rosto quente do calor que fazia dentro do pub, depois de algumas cervejas. Não via a hora de chegar em casa e esperá-lo. Só não sabia ainda que aquela noite seria a última que se sentiria verdadeiramente feliz, pelos próximos seis meses ou mais. Aquela noite já estava cheia de significados. Um quase-amor deixado, enfim, para trás. Ela chegou a supor que, depois de tanto tempo, quando enfim ele resolveu assumir tudo aquilo que ela já havia insistido um dia, ela não queria mais. Simplesmente porque não daria certo nunca. Nem antes nem naquele momento. Sua vida já caminhava em outra direção.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O novo ainda tinha gosto de novo. O mesmo suspiro, o riso bobo. Para ela era assim. Para ele talvez fosse só uma noite de sexo. Sexo como repetição de movimentos, liberação de hormônios de prazer, orgasmos seguidos, aventura. Para ela também era isso, mas era mais. Era inteiro. Ela nunca foi de fingir, nem mesmo orgasmos. Vivia de suicídios, de se atirar em precipícios. Perdia já as contas de quantas vezes morrera de amor. Talvez uma mistura de excesso de carência, paixão pela vida e ausência de medos. Quase um vício em quebrar a cara sem desmanchar o sorriso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em seis meses não só a sua vida mudaria. Também suas atitudes. Como forma de punir-se, talvez, agiu da forma que repudiava. Era mais uma forma de se maltratar. Como já não conseguia mais fazer esse tipo de coisa por si, aprendeu a agir para que os outros fizessem por ela. Sentiu nojo de si, sentiu-se suja. Mesmo assim continuava ser quem ela odiava ser. Foi exatamente quem ele gostaria que ela fosse.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Jogou-se nos braços do melhor amigo dele. Envolveu-se de forma rápida. Criou fantasias em cima dele e fingiu esquecer quem já amara um dia. Perdeu toda a sua razão. Odiou a si mesma por sentir-me mexida por tê-lo reconhecido pela sombra. Só queria esquecê-lo, como ele fez questão que ela o esquecesse. Por que, então, insistia em aparecer, fazer-se notar? Já era suficientemente difícil para ela...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ele sabia de pouca coisa. Ela escondia muitas coisas além da carência e das confusões. O que mais lhe faltava eram certezas na vida e, mesmo assim, ela arriscava todas que tinha. Tornou-se inconsistente. Por querer fazer aquilo que ele esperava que ela fizesse e por fazer também o que sentia. Por fazer só o que sentia, sem pensar. Faria tudo ao contrário. Iria contra os próprios sentimentos, contra tudo o que já quis um dia. Como um bulímico que força o vômito, ela forçava sua auto-frustração. Como quem prova pra si mesma o quanto pode ser menosprezável.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Falou sobre muitas coisas, quis sumir. Até tentou. Até falou. Mais para si que para os outros. Não sumiu. Ainda precisava se maltratar um pouco mais, sofrer um pouco mais, doer um pouco mais. Foi inconsistente. In-consistiu. Deixou de consistir. Não existiu. Queria ela mesma deixar de existir, ser outra. Mudar de nome. Mais do que querer ser outra, queria ser qualquer uma que não ela. E ainda não sabe se consegue diminuir mais o que já está exageradamente sem pé nem cabeça. Consertar nunca foi pretensão. Ela bem sabe que tudo o que fez foi contra isso, por mais que negue. Negar a negação também é uma forma de inconsistência?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O que ela conseguiu foi afogar o amor-próprio. Talvez quisesse viver sem ele. Por precisar de um inteiro, não se contentou com pedaços soltos, nem de si mesma. Esqueceu que a verdade é muito mais simples e que ainda não aprendeu a lutar contra sentimentos. Principalmente contra os seus. Sentimentos se esquecem. Sentimentos diminuem e passam. Não se luta contra, nem a favor... e, afogada por sentimentos que não reconhecia mais, morreu. Sem conseguir dizer mais nada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8590977428456256871?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8590977428456256871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/06/sem-conseguir-dizer-mais-nada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8590977428456256871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8590977428456256871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/06/sem-conseguir-dizer-mais-nada.html' title='Sem conseguir dizer mais nada'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8491044025078325490</id><published>2009-06-01T22:47:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:49:47.460-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preferidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Na harmonia secreta da desarmonia</title><content type='html'>&lt;p&gt;Vira e mexe, vai e volta, começa e termina. Nesses meios, algumas vezes, em alguns momentos paro para pensar em quem sou eu. Sinceramente, seria muita pretensão a minha tentar me definir. Até porque uma das coisas que mais gosto em mim é poder ser quem eu quiser quando eu quiser. Ser todas e não ser nenhuma. É uma sensação de ser breve, ser leve. Não precisar ficar onde quer que eu vá...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez, tentar me descrever seja mais fácil. Mas auto-descrições perdem o sentido e chegam a ser de um narcisismo quase insuportável, mesmo que eu fale só sobre as minhas fraquezas. Afinal, quem não gosta de se sentir vulnerável algumas vezes?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Poderia falar sobre os meus sentimentos, sobre tudo que eu sinto. Escancarar a minha alma. Mas sentimentos passam, pessoas que fizeram parte da sua vida morrem (por elas mesmas ou por você), num dia você ri e no outro você chora. Eu já faço as duas coisas juntas, apesar do mundo não entender isso muito bem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu poderia contar milhares de histórias vividas. Desde amores mal resolvidos até de loucuras cometidas por sanidade. Histórias de amor, de dor, de enfrentamento. Contar dos dias que chorei sozinha, que sangrei sem parar e que não tinha ninguém ao meu lado. Ou contar sobre amigos queridos, mesas cheias, almoços em família, nascimentos e renascimentos. Mas confesso que são as minhas histórias fantasiadas as que contam mais de mim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Só posso dizer que vivo na minha alegria eterna de levar uma vida na “harmonia secreta da desarmonia”, fazendo silêncio em alguns dias e, em outros, um barulho infernal. E ainda, em outros, buscando meu silêncio no meio do caos. Afinal, misturar tudo numa coisa só também faz bastante sentido.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E que não adianta poupar sofrimento quando, pra isso, você também deixa de viver. Deixar de viver é um preço muito alto. Ninguém se esconde atrás de sombras. Como diria Clarice, “que se há de fazer com a verdade que todo mundo é um pouco triste e um pouco só?”. Mas, “nem todas as verdades são para todos os ouvidos”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Então, sou aquela que leva uma vida de dias vividos um de cada vez. E que é capaz de viver uma vida em cinco minutos, me importando pouco com o que as pessoas pensam que eu sou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8491044025078325490?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8491044025078325490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/06/na-harmonia-secreta-da-desarmonia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8491044025078325490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8491044025078325490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/06/na-harmonia-secreta-da-desarmonia.html' title='Na harmonia secreta da desarmonia'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4091181035230539322</id><published>2009-05-16T23:57:00.000-03:00</published><updated>2010-02-13T16:03:14.691-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>try to meet me in my dreams...</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dizer que confundi o real com o ideal e achar que isso basta ainda não me conforta. Não acho que é só uma questão de confusão. Mas não faz assim tanto sentido nesse meu jeito de sentir tanto...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se conheceram por um terceiro. Nada demais, sem expectativas. Ou melhor, talvez expectativas, mas disfaçaram. Expectativas diferentes, é verdade, mas ainda assim, expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do primeiro beijo, como sempre, ela ficou encantada. Ele já sabia que seria assim. Ela era inteligente, interessante e um pouco diferente das outras. Também era transparente e previsível. Obviamente encantada, perdia seu encanto. Ela não faz idéia do que passou pela cabeça dele depois daquela noite. E nem das outras que vieram. Só sentia. Não se tratava de não dizer, também não mostrava. Só um pouco dele, que ela via através de seus olhos. Ah, os olhos dele... Ela nunca havia encontrado com olhos expressivos que não pudesse decifrar, como os dele. Não era curiosidade o que ela sentia, só não conseguia explicar. Assim que se conheceram, ela queria ter conversado mais mas só disfarçou e deixou tudo como estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira vez que saíram só os dois, ela sentiu borboletas no estômago. Sufocou-as. Se sentia insegura na frente de alguém bastante seguro. Ele já sabia o que iria acontecer. Foi então seduzida, como sempre gostou de ser, pelos olhos dele. Gostava de se sentir como quem flutua e tem medo de abrir os olhos para saber qual a altura que tem abaixo de seus pés. Naquela noite, não se importou com o que ele sentiu. Acreditou no que seriam as suas próprias lembranças e multiplicou por dois. Sentia pelos dois. Talvez fosse uma realidade inventada. Mas, para sentir, aquilo bastava. Tentou não pensar. Deixou pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira vez que ele foi a sua casa foi tudo perfeito. Sempre quis ter alguém para dividir o sofá, os filmes e a garrafa de vinho. Não era questão de romance. Ela só preferia mesmo ficar em casa, um silêncio compartilhado e histórias bem contadas. Era a forma que ela encontrava de acalmar todo o vazio que sentia. Não estava apaixonada. Muito menos sofrendo. Só era transparente demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda parecia o mesmo do dia que se conheceram até a primeira vez que dividiram a mesma cama. Foi a última vez que se olharam nos olhos. Como quem já soubesse, ela trocou os pés pelas mãos depois disso. Escreveu sobre coisas que nem sabia sentir. Coisas que ela não gostaria de ler se estivesse no lugar dele. No fundo, era só medo. Ela nem sabe o que ele pensou. Nem se sentiu alguma coisa. Só sabe que ele leu seus textos. Queria ter olhado seus olhos nesse momento. Talvez eles resolvessem falar. Depois de tudo, ele continuou o mesmo. Indecifrável. E só se afastou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram a se encontrar de novo. Dessa vez se beijaram sem se olharem nos olhos. Ela não sabia o que era, ele estava diferente. Indiferente. Antes desse encontro, ele também havia falado pouco. E agora era como se fosse outro. Escolheu outras mulheres depois de beijá-la. Ela não estranhou, de tão estranho que ele lhe parecia. Alguns dias depois, ela voltou a procurá-lo. Sem muita pretensão, sem muita empolgação, como deveria ter sido desde o começo. No fundo, ela já sabia que não havia mais nada ali. Nunca houvera, afinal. Talvez não fosse mais interesse o dela. Talvez só questão de querer entender o que não tinha sido dito por ele. Resolveu não perguntar, não tinha espaço. A transparência era dela, não dele. Ele só chegou a dizer a ela que não queria machucá-la. Só não sabia que ela mesma era capaz de fazer isso sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não era mais questão de idealizar a realidade nem de realizar a idealização. Queria ter feito diferente, dessa vez, sem as confusões que ela criava. Por medo, por desorganização. Por transparência. Informação demais muitas vezes atrapalha. E muitas vezes nem ela sabia o que fazer consigo mesma. Passou momentos de indecisão entre aqueles olhos indecifráveis, daquele menino de sinais ambíguos e outros olhos, mais claros e igualmente mais distantes dela. Sabia o que queria mas insistia em assuntos findos como quem tenta disfarçar o que se passa no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria voltar no tempo, recomeçar o que ainda lhe era novo. Já não podia. Depois de tanto fantasiar, a menina já havia pisado na realidade. Só esqueceu que não sabia viver nela. Correu para os dois lados, tentando buscar o que, talvez, só pudesse realmente encontrar naquele que ainda não conhecia. Tentou restaurar o que já havia terminado. E correndo sem caminhos, não chegou. Deveria ter sentado e fechado os olhos, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela só queria as borboletas no estômago que ele trouxe da primeira vez que se viram sozinhos. Queria se sentir a menina insegura na frente daquele menino seguro. Queria perder seu tempo olhando praqueles olhos indecifráveis... e suspirar de novo. Sim, aqueles olhos sem que ela houvesse procurado por qualquer coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4091181035230539322?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4091181035230539322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/05/try-to-meet-me-in-my-dreams.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4091181035230539322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4091181035230539322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/05/try-to-meet-me-in-my-dreams.html' title='try to meet me in my dreams...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-912928538924190351</id><published>2009-05-12T22:49:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:51:33.255-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preferidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Sobre as ressacas morais de todos os tipos</title><content type='html'>&lt;p&gt;E também de impulsos se vive uma vida. Ressacas morais também servem para nos fazer pensar em como seria viver outra vida que não a nossa. Porque, convenhamos, só é ressaca quando não nos reconhecemos fazendo o que fizemos. E o que seria das nossas vidas sem o tempero das insanidades, quebrando os momentos de calma, a rotina, o mais do mesmo? Eu, por pensar demais, viveria numa cadeira, sentada, olhando para uma janela, vendo a vida dos outros passar e eu sem decidir fazer nada. Por medo, por tédio, por indecisão. Porque quase tudo, sempre tem dois lados. Por pensar demais, deixaria de viver.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Confesso que mesmo pensando demais em certas circunstâncias, penso pouco em outras. Talvez seja mesmo só um desequilíbrio, uma má distribuição de devaneios e pensamentos, em que a média continua alta mas completamente desequilibrada. Dispersão alta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os meus impulsos sempre surgem das minhas negações. Nego o que eu faria, boicoto um desvario. E nessas de me proibir, quebro minhas próprias regras e lá vou eu quebrar a cara. Confesso que sinto ressaca moral. Mas confesso só ao espelho. E dificilmente fico me maltratando por ter feito alguma coisa. O que está feito, está feito. Muitas vezes já sei que vou me arrepender até antes de começar alguma insanidade. Pois é, coisas de quem pensa demais. Até o impulso é, de certa forma, pensado. E nem assim deixo de vivê-lo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez não seja paradoxal. Talvez seja só eu mesma, um paradoxo. Mas a verdade é que eu penso melhor de ressaca - moral porque a alcoolica já é mais espaçada e ando bebendo menos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Relendo pensamentos divididos no último final de semana e tentando encaixá-los nos últimos acontecimentos que me lembraram os meus 20 anos que não tive, percebi, mais uma vez, como as minhas fantasias se quebram feito cristal. Viram farelos ilumidados pelo sol, bem menos que pedaços sem sentido. Sempre me acostumei às minhas fantasias. Sempre vivi delas mas, hoje em dia, um pouco menos. Engraçado como em um dia eu me enxergo tão próxima, tão parecida de alguém e no outro dia já acho tudo muito diferente. Triste enxergar uma letra de Cazuza em alguém em um dia e no outro isso já não fazer mais sentido. Eu queria continuar pra sempre com os meus 20 anos: com as loucuras momentâneas e as minhas fantasias persistentes. Plástico imitando cristal, que era para não quebrar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Já não tenho os meus 20 anos. São 20 e poucos agora. Mas a minha vida segue de loucuras e intensidades. Vidas em cinco minutos. E talvez um pouco mais de cinco para perceber o que eu realmente quero da minha vida inteira. O que eu espero do outro. Ando brincando de quebra-cabeça e tenho me surpreendido com a sensação e a euforia de juntar duas peças e elas fazerem sentido juntas, quando começam, então, a mostrar o início de um desenho, cores soprepostas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esses dias escutei de um menino que ele se divertia em sobrepor a minha imagem de menina boba e meiga à minha imagem de mulher sensual e independente. Fiquei pensando nas palavras dele e me perguntei quem eu era, lá no fundo. Talvez, para conseguir responder isso, eu devesse me perguntar que tipo de pessoa eu gostaria de ter do meu lado. Imaginei alguém que eu pudesse deitar no ombro e que me abraçasse e protegesse. Juntei com a ideia que sempre tive e que é sempre a minha resposta ilustrativa do que seria um relacionamento ideal para mim: "eu quero alguém que fique jogado comigo no sofá, rindo, conversando, vendo um filme e falando sobre coisas interessantes e que me olhe, em algum momento e, sem dizer nada, eu saiba que tudo o que ele queria era estar ali comigo".&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não cheguei a resposta alguma. Talvez eu tenha vivido só uma parte do que seria a minha ideia de relacionamento ideal. A parte ilustrativa, talvez. Mas sentimentos são muito mais que momentos ilustrativos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Imagino que eu seja as duas pessoas numa só. Sou meiga, carente, romântica e tudo que eu quero é colo e ombro quando não estou bem. Todos os clichês "sessão da tarde". Preciso de um eixo que está fora de mim quando o meu próprio me falta. Mas sei que eu posso ser o eixo alheio também. Ser colo e ser cama. Talvez eu precise de alguém mais alto do que eu na horizontal e eu saiba que, na vertical, isso não faz diferença!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E foi bem no meio daquilo que se transformaria numa bela ressaca moral de segunda-feira percebi que não é paradoxal ser colo e ser cama. Que posso ser a menina meiga e viver no meu mundo cor-de-rosa e saber lidar com o mundo lá fora, que não é tão cor-de-rosa assim. Percebi, no meio do caos, para onde eu corro nos momentos em que me sinto acuada. Eram três: o desconhecido, o ideal e o parecido comigo. Corri para perto de mim mesma e percebi que além de ser a meiga e a forte, sou também aquela que questiona e se diverte em contrastar as outras duas. Eu me sentia protegida mesmo nos braços de quem era mais parecido comigo. Eu não estava brava, só estava com medo!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E na mesma noite, já em outra cama, escutei que - não por nada, é claro! - que o ideal preferia outros tipos de mulheres. Provavelmente aquelas que só existem no mundo das fantasias. Mulheres que se deixam ser protegidas, não no sentido de assumir seus medos e inseguranças mas no sentido de serem frágeis, ingênuas. Serem "menos" que ele. E talvez o ideal deixe de ser protetor para se sobrepor pela imagem que ele faz de quem ele busca ter ao lado dele. É triste e interessante o que senti quando escutei dele o que ele busca. De repente, desejávamos a mesma coisa. E deixamos de enxergar um no outro aquilo que desejamos só pelo fato de termos nos conhecido melhor. Negamos exatamente o outro por fantasiar da forma que fantasiamos. Só éramos interessantes aos olhos do outro enquanto estávamos suficientemente distantes e ainda éramos impossíveis e inalcansáveis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas agradeço a ele por isso. Hoje gosto mais da minha realidade. Não sou quem eu gostaria de ter me tornado mas gosto o suficiente de ser quem eu me tornei. E é pra realidade que eu corro quando me sinto sem chão. Talvez não para o meu ideal de homem, o que só existe aos meus olhos. Eu corro para alguém parecido comigo, que talvez nem saiba, porque é inseguro como eu, que eu me sinto a menina mais boba e meiga nos braços dele e tenho certeza de que ali o mundo pode acabar que eu morrerei feliz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Gostaria de ter escolhido um a ter escolhido tudo e, no fundo, continuar sem nada naquela noite. Na maioria das vezes deixamos de sentir o gosto dos cinco minutos de agora pensando nos cinco minutos seguintes. Olhamos só o que podemos ter e deixamos de aproveitar o que acabamos de conseguir. Por viver sempre nos próximos cinco minutos, esquecemos do agora. São cinco minutos perdidos e, em cinco minutos, se vive uma vida!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Eu trocaria todas as loucuras daquela noite para adormecer por cinco minutos na paz do nosso silêncio compartilhado. Não só a cama se divide. Mas precisava de todas as loucuras para saber do que era feita a minha realidade.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-912928538924190351?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/912928538924190351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/05/sobre-as-ressacas-morais-de-todos-os.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/912928538924190351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/912928538924190351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/05/sobre-as-ressacas-morais-de-todos-os.html' title='Sobre as ressacas morais de todos os tipos'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4955344224683109682</id><published>2009-05-09T22:29:00.000-03:00</published><updated>2010-02-13T16:06:20.969-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Te deixo ir</title><content type='html'>Sem ressentimentos, te deixo ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que ameaço sentir frustração, um certo ar triste e morto, de quem quis - não muito, é verdade - e não enxergou possibilidade. E não falo sobre dias e dias seguidos, como quem quer construir algo, valores e lembranças. Pensava só em noites divertidas, conversas despretensiosas, horas a menos de sono. Gostos em comum. Um vinho a mais, o mesmo sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pretensão, te deixo ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que não chego a ficar triste. Não lamento, mal suspiro. De fato, espero pessoas que cruzam a minha vida para fazer diferença. Quase sempre, essas pessoas - as que cruzam a minha vida e não ficam - tem potencial para tal. Mas no mundo - e na vida - ninguém é nada só potencialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de uma notícia boa não chega a ser uma notícia ruim. Mas a falta - de sal ou de açúcar - traz um gosto estranho, insosso. Alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nisso de sobrar tanta falta para colorir até mesmo de fantasias a minha realidade, você se torna branco demais para contrastar com o meu branco e some.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vazio. E você vai. Já não preciso ou não deixar. E mais uma vida é vivida, em cinco minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Te deixei ir. Sem me despedir...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4955344224683109682?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4955344224683109682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/05/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4955344224683109682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4955344224683109682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title='Te deixo ir'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4478500060309242077</id><published>2009-04-28T18:16:00.000-03:00</published><updated>2010-02-13T16:08:20.152-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Quando o jogo acaba</title><content type='html'>Um jogo inteligente. Três jogadores. Estratégias sutis. Agora sim, informação completa. O terceiro jogador deixou que os outros dois jogadores jogassem e decidissem, assim, os resultados do jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogo sequencial, payoff indefinido. Incoerente e desconexo. Talvez alguém se confundisse e dissesse que era simultâneo. Não, não tinha nada de simultâneo ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo se repete. E se repete. Dois jogadores. Um com perfil racional. Outro, amante do risco. E quando se aposta, a probabilidade de não ganhar é muito maior que a probabilidade de ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo acaba. E para quebrar o tédio, a surpresa é que se tratava de um jogo de soma zero: alguém tem que perder para alguém ganhar. Ironicamente, o terceiro jogador, que deixou os outros dois jogadores decidirem o jogo deve ser o único com resultado positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu perdi. Mas saí ganhando. Por amor, até mesmo ao risco, os meus dias se constroem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4478500060309242077?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4478500060309242077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/quando-o-jogo-acaba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4478500060309242077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4478500060309242077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/quando-o-jogo-acaba.html' title='Quando o jogo acaba'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7623646183268899384</id><published>2009-04-26T22:51:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:53:33.121-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Ah, o tédio</title><content type='html'>&lt;p&gt;As pessoas podem dizer que eu sou louca. Muitas pessoas dizem mesmo. Outras dizem que provavelmente sou bipolar. Bem... eu não sou! Já fui em psiquiatras diferentes, em psicólogos diferentes e nunca chegaram a cogitar esse tipo de problema.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O problema é que eu canso rápido das coisas e das pessoas. Na verdade, eu estou longe de achar que isso é um problema. Acho que problema seria viver todos os dias da mesma forma, se interessando por mais do mesmo sempre. Pelas histórias repetidas. Tem gente que não gosta de surpresas. Eu adoro. Não sei viver sem o novo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Além da maioria das pessoas buscarem ser iguais a todas as outras, elas acabam sendo iguais a elas mesmas. Serão amanhã o que são hoje e o que foram ontem. E isso não tem a ver com rotina. Desculpa se te surpreendi.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fazem sem querer, sem se importar. "Ah, você pensa demais", você diria. Eu concordo. Pensar de menos, todas as vezes que tentei, me fizeram uma pessoa angustiada. Eu ainda consigo me surpreender pensando demais em tudo. E aí está, talvez, a minha forma de viver. Pensei de menos não de forma planejada, só aconteceu. E aí sim foram surpresas, suspiros, falta de ar na medida certa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As vezes penso demais quando deveria deixar meus pensamentos calados e deixo de pensar e fico entendiada. Adoeço. E nessas horas de medidas trocadas que é hora de fechar os olhos e deixar vir somente imagens que chegam, soltas, coloridas. E tudo toma um novo lugar, de outra maneira. As mesmas pessoas que faziam parte da minha vida já tem outro tamanho, mudaram de endereço. Cansei e não me importo se não é bem assim como eu enxergo. Nossos tempos são diferentes, dois dias pra você, dois anos pra mim. Passou, era tédio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sabe, às vezes cansamos de viver só de respostas, reações. Tudo quanto andava vivendo era de reações alheias. E agora que eu cansei? Ter sempre as melhores perguntas, os incentivos certos, a forma criativa de fazerem-se interessar é divertido só até certo ponto. E o meu chega rápido. Eu gosto mesmo de sentir meus olhos brilharem por um bilhete interessante deixado na cabeceira da cama. Não qualquer bilhete... E na falta dessas horas, meu coração se cala, meus olhos só enxergam preto e branco.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E cansada, durmo de novo, com um meio sorriso no rosto, deitada no meio da cama. Também não foi você que transformou meu tédio em melodia. E não foi surpresa nenhuma.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7623646183268899384?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7623646183268899384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/ah-o-tedio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7623646183268899384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7623646183268899384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/ah-o-tedio.html' title='Ah, o tédio'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6216064261449372521</id><published>2009-04-17T01:01:00.000-03:00</published><updated>2010-02-13T16:10:33.791-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Para Pedro</title><content type='html'>Não só pelos seus lindos olhos. Também por eles. Olhos transparentes de mel que me encararam durante toda uma noite. Firmes e seguros, que eu tentei fugir enquanto pude. E aí seriam pelos seus olhos, pela sua boca, pelos sussurros no ouvido e pelo jeito de permanecer do meu lado que eu não te esqueceria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmos interesses na vida. Um encontro forjado. Mesmo assim, objetivos distintos. O convite foi aceito sem pretensões. Por curiosidade. Tudo parecia simplesmente um jogo inteligente. Três jogadores. Estratégias sutis. Probabilidades pouco conhecidas. Um triângulo de egos: dois similares entre si e um singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum resultado bom para dois era bom para todos. Para mim, ganharia mais quem perdesse tudo. Mas a informação já se tornou menos imperfeita e podemos considerar que se trata, talvez, de um jogo repetido. Me entrego. Vencida. E perder assim nunca foi tão bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira rodada do jogo acaba. Surpreender-se pela estratégia alheia. Lidar com novo. Deixar minha estratégia dominante, abrir mão de considerar probabilidades. Sentir. Deixar a cabeça rodar, o arrepio na espinha, o respirar descompassado. Falta ar, sobram sensações. O meu não deixa de fazer eco e minha impressão era que você já sabia que seria assim. Sorte a minha. Ou sorte também não existe, assim como D'us? Não faz diferença agora. Perdi o jogo, que felicidade. Queria cair em contradição, negar a mim mesma, assim, todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ter amanhecido do seu lado. Ou em cima ou debaixo de você. Ter te beijado por mais cinco minutos. Mas o mundo não acaba no dia seguinte. Ele só me parece diferente. Pensamentos alheios já me chegam sem eco. Não existe razão em medir forças quando o objetivo é fraco. A vida segue, os dias seguem e deixam o raso pra trás. Algumas coisas, além de muitas pessoas, perdem o sentido durante o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você já me parece assim. Inteiro. Jogador de probabilidade 1 na forma de olhar nos olhos e questionar coisas simples que você mesmo já sabia. Abstrato. Contornou meus nãos estrategicamente sem negá-los. E sem saber, você me bastou. Naquela noite, sem se despedir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Definitivo, como tudo que é simples".&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6216064261449372521?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6216064261449372521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/para-pedro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6216064261449372521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6216064261449372521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/para-pedro.html' title='Para Pedro'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1098959842151398629</id><published>2009-04-15T22:55:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:56:21.890-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Quando tudo deixa de ser normal</title><content type='html'>&lt;p&gt;Março virou abril, quase um mês sem escrever. Minha vida sem mim parece muito mais interessante, ainda mais agora que já estou realmente fora dela!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sempre soube que na vida eu teria que me despedir de muitas coisas e de muitas pessoas. Teria que lidar com a finitude do mundo. Adeus, nos vemos, até a próxima. Ninguém pode ter tudo nessa vida. Não tem espaço. Não dá tempo. Mas ter tudo é muito pra quem se vive um dia de cada vez. Quero só mais cinco minutos na cama, pra dar bom dia com calma pra quem eu escolhi ser de novo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quase um mês sem escrever e só três dias para perceber que muitas vezes nos tornamos quem nunca fomos e, ainda assim, nos mantínhamos alheios a nós mesmos. Três dias e as perguntas já não são mais as mesmas. As respostas são tantas que me sinto inundada por informação. Mas não sinto mais medo de abrir os olhos e não enxergar nada!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Despedidas são diferentes de abandonos. Apesar que se despedir em alto e bom som daqueles que não tem ouvidos para escutar ou mesmo acenar para aqueles que não enxergam além do umbigo, dependendo da perspectiva, pode ser considerado abandono. Mas não importa. Tenho todo o direito do mundo de deixar uma vida que não era a minha. Dar espaço pro sorriso deixar de ser amarelo, pros olhos brilharem, pra resgatar a leveza. Pra me encontrar todas as tardes e não sentir saudades de nada e de quase ninguém.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Outra pessoa, o mesmo nome, sem nenhum título, cargos trocados, cadeira vazia, coração cheio. Já preciso de pouco pra viver. Tão pouco que nem imaginava tentando sobreviver, me escondendo atrás de status e verdades rasas. Pois é, a minha canela fica a um palmo acima. [E ainda tem quem se afoge num copo dágua!]&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Outra pessoa, coração cheio, o brilho dos olhos que é meu, sorrisos verdadeiros. [Deixa pra lá o que já foi deixado]. Vontade do novo de novo. Aprender outras línguas. Aprender com línguas alheias. Experimentar ser quem se é de forma diferente. Assumir o que se quer e não se julgar com base nas verdades alheias. Querer mais sem querer tudo. O que não foi já foi, não é mais. Só mais um adeus. Já te quis por ser tanto, já não te quero mais por ser pouco. Até escalas mudam.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E algumas coisas terminam sem se completarem. [E não há paradoxo algum nisso!]&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1098959842151398629?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1098959842151398629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/quando-tudo-deixa-de-ser-normal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1098959842151398629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1098959842151398629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/04/quando-tudo-deixa-de-ser-normal.html' title='Quando tudo deixa de ser normal'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3121499731531931669</id><published>2009-03-22T22:56:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:57:46.718-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Em dias como hoje</title><content type='html'>&lt;p&gt;Depois de fazer com que essa semana terminasse, o dia se arrastou. Um domingo eterno chuvoso ainda me parece um consolo ou uma desculpa boa até para a crise de choro que tive no meio do supermercado, em plena dez da manhã, olhando para a prateleira de shampoos e tentando explicar a bagunça da minha vida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Já saber o que eu não quero não faz tanta diferença. Talvez porque eu já soubesse. Mas acho que a partir daí surge meu desassossego. A partir do momento em que eu reconheço e assumo o que eu não quero, o próximo passo é ir atrás do que eu quero. E isso eu ainda não sei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda não descobri se esta é a melhor ou a pior parte: saber de onde não vem tudo isso. Certas mudanças são necessárias na vida. Mudar a cor do cabelo, trocar de emprego, casar, descasar, parar de beber ou de fumar. Geralmente sabemos porque estamos mudando. Ou, pelo menos, o que deixamos de suportar. Eu assinalo quase sempre a segunda opção, infelizmente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sempre tentei tanto deixar cada coisa no seu devido lugar, que era pra eu não sofrer demais. E fazia as mudanças sempre uma de cada vez. Até que perdi a noção de como, talvez, eu seja realmente perigosa a mim mesma e resolvi fazer tudo ao mesmo tempo: parei de fumar, comecei a fazer dieta com direito a exercícios físicos no mínimo três vezes por semana, procurei um clínico geral que me passou sete fichas frente e verso de exames, fiz um quase-pedido de demissão, abri meu coração para que certas pessoas se aproximassem devagar sem eu assustá-las e sem criar expectativas, voltei a frequentar aulas de inglês.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Voltei a acreditar que eu era dona do meu nariz e que "a dor é necessária, o sofrimento opcional". Mas tem doído muito. Não consigo assumir a mim mesma que não sei o que eu espero de mim vivendo a minha vida. Me dói assumir que eu tenho todo o tempo do mundo pra saber o que eu quero fazer nos meus dias. Me dói toda a minha fraqueza, minha vontade de acender um cigarro no primeiro copo de cerveja. Cheguei ao ponto de me culpar pelo chocolate do meio da tarde, pelas horas dormidas a mais em troca dos seis km não corridos pela manhã.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Já não sinto mais vontade de ter dias mais assim ou assado. Em certas épocas a lei da compensação da vida não funciona. Até o pouco se esvai e eu não sei mais por onde começar. Sofrimento e dor, tudo junto. Não me importo. Sei que eles vão se separar. Tudo no meu tempo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aos poucos fui me afastando das pessoas que, tenho certeza, não me deixariam despencar desse jeito ou que eram fortes o suficiente pra me dar um tapa na cara e me fazer acordar pra vida ou pelo menos me convencer a fazer u-m-a-co-i-s-a-d-e-c-a-d-a-v-e-z. Me mantive próxima das que não me conhecem tanto nem muito. E me decepcionei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não acho ruim não. Acho, no fundo, que é um espasmo de realidade vindo a tona, um suspiro antes de abrir os olhos e acordar. Perceber que meus critérios para abrir a porta ainda são fracos. E eu sou muito mais carente e sonhadora quando estou passando por mudanças fortes na vida. Talvez isso alimente essa espécie de raiva que eu sinto de mim mesma. Mesmo no meio do meu caos eu ainda encontro espaço para deixar certas pessoas entrarem na minha vida e arrumo um canto todo arrumadinho pra elas. Fora do caos, das dúvidas, da correria do dia a dia. E quando isso acontece, essas pessoas destroem o único lugar que havia me restado sadio. Não se importam. Tudo bem, não era pra ser. De novo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em dias como hoje, ainda vou aprender que devo deixar certas pessoas tocar a campanhia sem resposta, que o sofrimento é realmente opcional. Que é fácil perder alguns muitos quilos em poucos dias e eu farei isso por mim, sem provação e sem sacrifício. Que não importa não saber o que se espera da vida hoje se você conseguir olhá-la daqui alguns anos e saber que tudo valeu a pena e que você foi verdadeira consigo mesma. Que você pode - e deve - se despedir de certas pessoas da sua vida antes que elas destruam o que te resta de sadio, de mais valioso em você. Que o que importa são as pessoas que te enxergam e não as que nem te vêem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em outros dias como hoje, em que o melhor que se tem a fazer é fechar a janela, eu ainda vou desenhar o sol na parede para secar as lágrimas que transbordam toda a minha dor. Nesses outros dias, serão só dores. O sofrimento não será mais opção.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3121499731531931669?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3121499731531931669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/03/em-dias-como-hoje.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3121499731531931669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3121499731531931669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/03/em-dias-como-hoje.html' title='Em dias como hoje'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1751816203505464360</id><published>2009-02-23T23:57:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T00:59:11.356-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preferidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>... uma procura sem encontro</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não foi uma vez nem duas que você disse que eu sou esperta. Pois é, também acho. Mas, pensando através de uma perspectiva diferente da sua cheguei a essa conclusão. Acho que sou esperta no sentido de conseguir me esquivar de assuntos áridos, de evitar com toda a destreza que é possível dentro de algum contexto aquilo que não quero - ou não consigo - falar e assumir. Fujo de certas perguntas de uma forma tão sutil e tão velada que ninguém percebe, mudo de assunto como se não estivesse acontecendo nada e ainda não deixo indícios de que foi isso que eu fiz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando conversamos sobre aquele texto que eu escrevi falando sobre o que eu não falei, e você perguntou se faltou algo pra te falar depois dele, eu me esquivei. Disse que tinha dito pelas entrelinhas tudo aquilo que eu pensava. Mas, no fundo, acho que repeti, de forma organizada, o que eu já tinha te falado. Não falei sobre o medo que ainda sinto em mergulhar e perder o ar, por mais que seja isso que eu sinta vontade, cada vez mais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Me esquivei porque, no fundo, havia mais a ser dito do que aquelas linhas escritas num momento de transbordamento. Talvez não tenha sido falta de dizer mais, mas de dizer tudo. Não disse que o que eu quero hoje é encontrar alguém que, mesmo sentindo o medo que eu sinto de viver algo novo, além da superficialidade, ele não seja impedimento para isso. Talvez também eu não tenha tido coragem de te perguntar com todas as letras se você, como eu, sentia dessa forma, queria dessa forma. Queria, no fundo, te perguntar se você me enxergou ou se só me sentiu passando por você, como uma brisa leve que te traz algo que não permanece, só passa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E talvez o que eu não disse de forma explícita e direta era que chegou a passar pela minha cabeça, depois daquela noite e algumas conversas depois, que você era parecido comigo. Não só pelo caráter, pela forma de se expressar e se mostrar, mas também pelas dúvidas e questionamentos que tinha. No jeito de levar a vida e olhar para os dias não da forma com que eles passam, mas da forma com que eles deixam certas coisas. Certos pedaços que ficam, não por acaso. Escrevi porque passou pela minha cabeça que pudesse ser reciproco. Que talvez você não tivesse se dado conta que, quando nos encontramos, você também estava com os olhos pouco abertos, perdendo tempo com alguma coisa besta, e agiu como sempre numa ocasião diferente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acho que não foi necessário ser explícita. Você me disse que ainda precisa digerir a sua realidade. Que suas verdades ainda te bastam. E, como eu te disse, nem sempre as minhas verdades me bastam. Ainda mais quando estas precisam de uma confirmação fora de tudo aquilo que eu tenho controle sobre a minha vida. Você ainda acha que as fantasias são mais gostosas e mais doloridas. E eu já não suporto sentir dor. Queria ser quem eu já fui um dia pra tentar te convencer que viver de fantasias é superficial. É só uma forma de auto-engano. Que, pra se viver, precisamos bem mais do que situações criadas e distorcidas por nós mesmos. Que a vida passa rápido e que não é preciso inventar obstáculos que dificultam a vida como ela deveria ser. Que dividir uma realidade, ou compartilhar duas delas, é melhor do que correr atrás de algo que é fruto dos nossos disparates. Daquilo que colocamos na cabeça para tirar os pés do chão e enxergamos como objetivos que nunca estarão ao alcance das nossas mãos, simplesmente por serem irreais. Mas eu não estaria mais sendo quem eu me tornei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu entendo perfeitamente o que nos faz viver de fantasias. Eu mesma, vira e mexe, acabo entrando em algumas das minhas. E, de certa forma, foi isso que eu fiz quando te escrevi. Não para alimentar a fantasia que eu criei, de que seríamos ótimos juntos. Justamente pelo contrário. Para não deixar que ela tomasse proporções que me fizessem acreditar mais, sem fundamento. Você só não fez parte do meu castelo porque eu não cheguei a construí-lo. Não precisava de uma resposta tua, só de qualquer reação.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Hoje, já acredito que eu deva tentar encarar certas coisas de uma forma diferente da que eu sempre fiz. Ser mais assertiva e não ter medo de acender a luz quando eu deixo de enxergar com nitidez a minha realidade. E olha que eu sempre preferi enxergar e me confundir com vultos e sombras. Sempre me pareceu mais sedutor. Até porque, eu mesma, gostava de ser vista assim, de uma forma irreal, como imaginação alheia, confundindo e brincando com sentimentos e sensações - minhas e dos outros. Gostava de provocar dúvida, de me revezar em ser inacessível e real. Jogos de sedução me intrigavam e, consequentemente, encontrava sempre pessoas assim: inacessíveis e reais. Como se elas estivessem fora do meu alcance. Mas que estivessem em algum lugar. Acreditava que, um dia, elas seriam possíveis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Todas estas pessoas, antes da possibilidade, me trouxeram a frustração. Não por elas terem me magoado ou feito algo que me machucou tremendamente. Mas, na medida em que o tempo ia passando e praticamente nada mudava, a imagem que eu fazia dessas pessoas começava tomar nitidez e deixava de ter sentido para mim. Se tornavam distantes de tudo aquilo que eu imaginava. Minhas fantasias tão bem costuradas começavam a se desfazer e eu já não sabia de onde tinha vindo tudo o que eu já havia sentido um dia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Foi quando percebi que eu mesma tentava provocar estas mesmas sensações em outras pessoas. E por que, de fato, eu fazia isso. Eu tinha tanto medo de que alguém me enxergasse como eu realmente era que preferia manter a dúvida alheia. Alimentar fantasias. E, quando isso já não era mais possível, me esquivava. E me mantinha no superficial. Não por acaso, eram pessoas que faziam o mesmo que eu que apareciam na minha vida. E, de forma contraditória, eu me frustrava cada vez que se esquivavam de mim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Meu medo não era de dar errado e sim de dar certo. Imagina se, no meio desse rolo todo, algum desses relacionamentos vingasse. Naturalmente as duas partes desse rolo tirariam suas máscaras, teriam que abrir a janela num dia de sol e olhar um para o outro. Seriam tão diferentes do que a imagem que cada um fez do outro que não se reconheceriam. Já não teria mais sentido continuar no raso e ainda não teriam fôlego para mergulhar. Eu tinha medo de ter que abrir a janela e enxergar além das minhas fantasias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez por medo de que isso chegasse um dia a acontecer e eu não tivesse estrutura emocional para aguentar a claridade do sol nesse dia, resolvi parar de perder tempo com as pessoas erradas. Percebi que eu era bastante responsável pelo rumo que os meus relacionamentos tinham tomado até então. Resolvi sair do raso. Ainda não abro a janela para deixar que a claridade entre e desfaça os vultos formados a meia-luz. Mas já consigo encontrar o interruptor e acender a luz. Abri mão das minhas fantasias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pela nossa conversa, percebi que você ainda não consegue abrir mão desse não sei quê. Na verdade, você mesmo me falou isso. Assim, com essas palavras. Que as suas verdades te bastam e que, portanto, você enxerga bem com os olhos pouco abertos. Ou ainda acredita nisso. Acredita que as suas fantasias fazem parte da sua realidade, ainda indigesta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mandar pra você aquele texto nada mais foi que uma tentativa de te mostrar a minha realidade. Me mostrar. Mostrar-te a ti mesmo. Como se eu enxergasse uma possibilidade de você sentir de forma diferente. Mas certas tentativas equivalem ao mesmo que gritar para um surdo, ou de mostrar um arco-íris para um cego. Um grito num penhasco sem eco. Não me sinto fracassada. Longe disso. Acendi a luz no momento certo. E entendo a sua inquietação e suas palavras não ditas. No fundo, você ainda se sente como eu já me senti. Ainda tem medo de que alguém te enxergue só de uma forma real.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Num certo momento você disse que não achou que não pudesse ser reciproco. E, antes de conversarmos, eu achei que pudesse ser. Percebe como é diferente as duas formas? Achei que pudesse ser, já não acho mais. Não tenho mais força nem vontade de desbancar duas negativas numa frase só. E não me importa se é uma questão de ceticismo seu, de abrir mão ou não de certas crenças suas. De não querer machucar meus sentimentos se você fizer algo que não tem certeza. Queria ter te dito que eu não me importo com as suas dúvidas a partir do momento que conheço as minhas certezas. Eu estaria disposta a tentar, a desbancar as minhas fantasias se você quisesse. E, para querer, não é preciso ter certeza de nada. Você só não quis. Mas não disse isso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você pediu para que eu te ensinasse onde está o interruptor. Desculpa, mas não posso fazer isso sozinha. Aliás, você sabe que ele está ao alcance das suas mãos. Para acender, você só precisa ter coragem. E não sou eu quem vai tentar te convencer de nada. Eu até tentei, pelas entrelinhas. Você entendeu sem que eu precisasse dizer mais. E você me respondeu usando a frase de Caio que terminei aquele texto&lt;i&gt;:"E um encontro sem procura era tão inútil quanto uma procura sem encontro". &lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você me encontrou sem que me procurasse. Inútil.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enxergamos a mesma realidade de formas distintas. Certas coisas não precisam ser explicadas. Sentir basta. E, no fim, quem estava perdendo tempo com alguma coisa besta era eu. Acendi a luz, abri os olhos e vi que o que eu sentia agora estava na segunda parte desta mesma frase:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;..."uma procura sem encontro"&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt; Não era você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1751816203505464360?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1751816203505464360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/uma-procura-sem-encontro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1751816203505464360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1751816203505464360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/uma-procura-sem-encontro.html' title='... uma procura sem encontro'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3712100621209420264</id><published>2009-02-21T23:59:00.000-03:00</published><updated>2010-02-14T01:00:11.910-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Para onde eu não vou</title><content type='html'>&lt;p&gt;Sexta-feira de Carnaval começou com um dia quente em plena seis horas da manhã. Acordei esperando já o dia terminar. Como a maioria das pessoas, eu mal via a hora de terminar uma semana de trabalho para ter cinco dias só pra mim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sem arrastar-se, o dia passou sem que eu o percebesse de fato. Mantive a concentração no meu trabalho e no meu umbigo, falei por quase uma hora e meia seguida numa sala só com seis pessoas e, ao invés de só deixar o tempo passar e o dia terminar mais rápido, vivi cada segundo daquilo. Sorri surpreendida por uma pergunta feita em voz alta, por outro que não eu: "é isso que você quer da sua vida, dar aula?"&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Senti vontade de responder que era isso também que eu me perguntava quase todos os dias, que o que era só curiosidade alheia era uma das minhas maiores inquietações dos últimos meses. Foi quase essa a minha resposta. Sorri e disse que esperava respondê-la, quem sabe, antes de completar quarenta anos. E mudei de assunto rápido. Ou fingi mudar. E que escolhas na vida não são tradeoffs e custos de oportunidade?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Voltei da hora do almoço sem almoçar, mas satisfeitíssima. Não sobrou tempo nem para um suspiro e a tarde já estava terminando. Todas as pessoas já conversavam sobre os destinos do feriado prolongado e eu respondia, em paz, que escolhi ficar em casa e que, ainda na noite anterior, eu havia cancelado minha viagem para Florianópolis. Pra onde eu vou? Pra lugar algum. E não vou pra Florianópolis.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Algumas pessoas tiveram reações que variaram de desapontamento, passando pelo questionamento e indo até a reprovação. Sinceramente, isso não fez a menor diferença. Tenho consciência de que as minhas escolhas são as melhores no momento em que eu as faço. Não bati o pé para tentar convencer ninguém de que eu só preferi viver os meus cinco dias sem ter que cumprir o horário comercial fazendo tudo aquilo que eu tenho vontade - e que geralmente faltam horas nos dias curtos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aliás, não tenho a mínima intenção de convencer ninguém de nada. Me satisfaço com aquilo que sinto e que sei. E me fez tanto sentido não ir pra lugar algum que minha escolha não poderia ter sido diferente. Para mim, nada melhor do que viver cada um desses cinco dias sem pensar em horário, sem ter que se mostrar feliz e pular ao som de qualquer coisa. Meu silêncio me basta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Gosto tanto de ficar em casa, aproveitar-me de mim mesma, que nenhum lugar seria melhor do que este que estou agora. Talvez essa quase necessidade venha do fato de conseguir me sentir inteira como nunca me senti antes. De uma forma tão intensa, tão verdadeira, que preciso me reconhecer assim antes de conseguir dividir com alguém. Alguém que ainda não é, que ainda não veio, que ainda não está. Ainda não. Será?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3712100621209420264?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3712100621209420264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/para-onde-eu-nao-vou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3712100621209420264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3712100621209420264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/para-onde-eu-nao-vou.html' title='Para onde eu não vou'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3392571243438349515</id><published>2009-02-06T01:00:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:01:31.044-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Preferidos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>O que eu não disse</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ontem, antes de dormir, fiquei pensando sobre a conversa despretensiosa que tivemos no fim da noite, no início da semana. Voltaram as sensações de quando te olhei nos olhos pela primeira vez e te senti como um velho conhecido meu. Mesmo sem você dizer uma palavra sobre o assunto, eu sei que foi recíproco. Só nos reconhecemos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pode parecer piegas, clichê, mas vejo muito de mim em você. A forma de colocar alguns pontos através de comentários bem humorados, a mania de pedir desculpas pelas frases assertivas e diretas quando se dirige a mim, a irritação que você diz sentir quando tenta explicar o que não entende: que a sua realidade é diferente de outras tantas realidades.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Gosto da naturalidade que você trata o raso, o superficial dos relacionamentos. Dos seus e, talvez você não saiba, dos meus. Ontem não disse, mas senti vontade de te contar que a maioria dos meus relacionamentos também foram superficiais. Senti vontade de te contar mais. Que esses meus relacionamentos foram superficiais não só porque a maioria das pessoas não entende o que eu falo e não enxerga certas coisas com a cor que eu enxergo. Foram rasos também por mim, assim como os seus também devem ser por você. Não pela forma de agir e sentir. Não por se expressar de forma inteira e conexa, coesa. Só por medo de molhar um pouco mais que as canelas na água fria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não estou te julgando. Falo isso para você porque falo também a mim mesma. Passei tanto tempo da minha vida só molhando as canelas, tentando imaginar como seria mergulhar meu corpo inteiro no desconhecido. Mergulhar e abrir os olhos debaixo da água e ficar lá embaixo, submersa, até que me faltasse ar, pra voltar a tona, com um sorriso satisfeito e os cabelos molhados. Inteira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Queria ter falado não sobre o raso, mas como deveríamos nos sentir quando, enfim, mergulhássemos. Sobre quando o superficial deixa de ser. Preferi o raso. Por medo de te mostrar certas coisas e, mais ainda, por medo de me mostrar. Pois é, a gente se guarda por tanto tempo sabe-se lá porquê! No fundo sabemos que viver sempre e mais é muito melhor do que manter a nossa imagem formada por olhos alheios. Alheios ao que realmente somos e o que pensamos. Mostrar o conveniente, o conhecido a nós mesmos. Concordo que não seja com qualquer pessoa que apareça que conseguimos guardar nossas máscaras e sorrir sem medo de quebrar os dentes ou deixar que vejam através dos nossos olhos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não acho que essa coisa de não se preocupar seja preocupante. Mas as vezes me questiono se não tenho andado por aí com os olhos pouco abertos, se sou capaz de enxergar as pessoas certas que cruzam meu caminho. Se eu não teria uma certa cegueira seletiva ou talvez só uma espécie de daltonismo, que enxerga tudo e todos preto e branco. Assim, como você falou: "não gosto de nenhuma".&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Naquela noite em que voltávamos daquela festa daquele prédio antigo, eu alterada pela vodka, o rádio tocando aquela música boa, você me perguntou o que eu esperava de alguém quando eu disse que o que eu queria na vida era ser feliz. Eu disse que eu esperava alguém que me aceite, que nem precisava me entender. Pois é, acho que talvez eu tenha simplificado um pouco demais. Mas não menti. Talvez eu nem espere por alguém que me entenda, mas que sinta o mundo da forma que eu sinto. Que sorria das mesmas coisas que eu e que ria das minhas piadas. Que tome cuidado com as minhas sutilezas e leia as minhas entrelinhas. Que não só me veja, mas que me enxergue quando nos cruzarmos por aí. E que seja recíproco, porque tem dias que eu acredito que sou eu quem não enxerga a um palmo de distância. Talvez essas pessoas até tenham aparecido, mas sinceramente não sei. Eu provavelmente estava perdendo meu tempo com alguma coisa besta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um dia me disseram que perder tempo com a pessoa errada era só perder tempo. E acho que isso tem a ver com aquilo que eu te disse naquela noite em que éramos os únicos a conversar sobre concretudes e sutilezas da vida enquanto tocava uma música alta: ter dúvida é ter certeza. Se não temos a segurança de dizer que alguém ocupa espaço suficiente na nossa vida é porque, provavelmente, ela não ocupa. A dúvida não existe mais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez por medo de nos encontrarmos, vamos levando a vida só com aquilo que ela nos deixa no colo. Aceitando e só. Vivendo de superficial em superficial. Sem pensar se aquilo nos basta. Continuamos por aí, andando com olhos meio abertos. Deixando passar aquilo que nem sabemos e nem questionamos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;"E um encontro sem procura era tão inútil quanto uma procura sem encontro". [Caio F. Abreu]&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3392571243438349515?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3392571243438349515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/o-que-eu-nao-disse.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3392571243438349515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3392571243438349515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/o-que-eu-nao-disse.html' title='O que eu não disse'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-7316392460764978721</id><published>2009-02-05T01:01:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:02:32.038-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Não</title><content type='html'>&lt;p&gt;Fevereiro começou com ares de janeiro. Me surpreendo com as minhas próprias escolhas. A sensação é a de enxergar o meu umbigo, como quem olha pra uma flor azul turquesa no meio de um jardim cheio de margaridas brancas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sempre fui de dizer sim pra tudo. Sem pensar e sem querer. Ia aceitando o que os dias e a vida colocavam no meio do meu caminho. As pessoas se repetiam, com os mesmos gestos e atitudes, na maioria das vezes insuficiente para as minhas vontades e necessidades. E eu ia vivendo de pouquinho, as vezes dando um passo para voltar dois. Me doía um pouco mas dizer 'não" me doía mais. Talvez certas pessoas como eu se acostumem a viver com o lado triste maior que o lado alegre e mesmo assim não parem de sorrir.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por algumas vezes suportei dizer "não", preferir o nada ao pouco, e ficar bem com isso. Essa paz sempre me foi passageira. Me sentir inteira pra me despedaçar depois. Eu voltava a viver da luz que entrava pela fresta da janela fechada. Tudo continuava mais do mesmo, sempre e igual. O mesmo pouco. E eu ia levando de espasmos de euforia, surgidas pela novidade de outro amor pequeno. Por amores pequenos, vivi minhas maiores dores. Não por doerem demais, só por doerem por pouco. Era quase inconsistente uma dor daquela para aquele amor pequenininho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E foi por um "não", e não pelo novo, que fevereiro virou janeiro nesse ano que parece já querer me atropelar. Nem muito bom de beijo, nem muito bom de papo, nem muito bom de cama, ele só é bonito e me provocou, quando nos conhecemos, um espasmo de euforia. Durou, no máximo 2 semanas, se muito. Depois disso, foi só luz que entrava pelas frestas, aquele pouquinho. E eu fui levando o morno. E, de tempos em tempos, ele voltava com aquele muito do nem tão bom.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agradeceu meus cumprimentos pelo aniversário e emendeu a desculpa de querer me ver. Queria me levar para cozinha antes de me levar para a cama. E foi com aquela não muito criativa investida dele que eu não fiz questão de ser criativa também, para dar uma desculpa esfarrapada. Disse "não, obrigada" porque educação nunca matou ninguém.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E um "não" sem espírito vingativo, sem tentar esfregar nada na cara de ninguém e sem meio sorriso no canto da boca, sem gosto amargo. É, não faço questão alguma de ensinar alguém coisa alguma quando o assunto é coração. Preferi o nada ao pouco, como deveria ter sido desde sempre. O nada sem culpa, sem cutucões.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não te quero mais. Prefiro a mim. Estou com preguiça até de pensar em varrer meus pedaços quando você for embora levando esse muito e deixando quase nada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Preferi a louça em número ímpar na pia. E não me desculpo. Não é que eu não te quero hoje, só não te quero.  Deixa a cama ficar grande, só pra mim, aprendi a gostar assim. Seu ombro não era nem tão bom como as almofadas que ficaram para ocupar o seu lugar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O dia amanheceu cedo, com céu de um azul tranquilo. Levantei com vontade de dançar com a música no rádio que ligou sozinho. Olhei para a cama vazia e você não fez falta. E eu abri a janela inteira para deixar entrar todo o azul do céu. Agora, só aquele tudo bastava.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-7316392460764978721?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/7316392460764978721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/nao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7316392460764978721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/7316392460764978721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/nao.html' title='Não'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-8377344536424085079</id><published>2009-02-01T17:53:00.000-02:00</published><updated>2010-02-13T16:10:57.944-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Deixa chover</title><content type='html'>Dia lindo de sol lá fora. Me sinto como a única criatura que não quer sair pra viver o dia. Sol. E choveu a semana toda. Ainda chove aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento fugir através de textos bonitos que leio aleatoriamente. Outras vidas e até vida nenhuma. Textos de economia. São outros livros para preparar as aulas e são todos tão iguais. Os recursos continuam escassos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, essa coisa de recursos escassos não se trata só de economia. Hoje já é fevereiro e eu continuo aqui, cheia de dúvidas e angústias. Apertos. Sinto menos sangue no meu coração já morno. Recursos escassos e eu transbordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Era tão bom a época que eu escolhia morrer de amor e continuar vivendo... Depois que escolhi esquecer dos meus amores pra viver, enfim, a minha vida, me sinto completamente perdida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que será que encontro a tranquilidade dos meus dias vivendo vidas alheias, criando meu doce mundo com alicerce nas fantasias? Talvez seja porque eu sempre soube só viver assim. E minha vida mesmo era construída por consequências de sonhos e frustrações surgidas no acordar assustado dos intervalos entre os sonhos. Acordar, assustar e sonhar de novo, outro sonho com outro amor inventado e real. E quando tudo mais não era possível, eu fugia pra trabalhar e ser perfeitinha. Arrumar a casa, plantar flores no jardim. Sorrir sangrando por dentro. E nunca ninguém soube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas parece que de tanto dormir e sonhar, os sonhos de uma vida cor-de-rosa se esgotaram. Chegou a hora de deixar de morrer de amor para amar a prestações. Vivi de overdose em overdose e ainda me causa estranhamento viver devagarinho, com doses diárias bem dosadas. Ainda não me acostumei a sonhar de olhos abertos, olhando sempre e antes pro espelho. Tão difícil... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se faz para viver com os pés no chão? Eu queria realmente saber o que me move e o que me paralisa. O que é fruto da minha cabeça e do meu coração. Queria saber mais sobre os meus medos, do que sou realmente capaz de enfrentar pelo que eu gosto. Mas tem dias que eu não sei se o que eu quero é realmente o que eu gosto ou se é só algo que eu acho que deveria gostar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me pergunto sobre os sonhos que eu abro mão. Alguns são realmente dispensáveis, isso é certo. Frutos de um disparate e uma euforia passageira. Mas quantos não são euforia sufocada, vontades reais mortas pelo medo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não é como as pessoas te enxergam", me disseram esses dias. Imagino que ninguém seja. Apesar que muita gente prefere acreditar que sim. Eu não acredito apesar que eu queria mesmo era que alguém me entregasse uma ficha escrita de qual deveria ser o meu próximo passo depois de acordar das minhas fantasias. E ninguém pode fazer isso por mim. Continuarei usando meus mesmos sorrisos para transitar de forma leve no mundo lá fora. Só eu devo saber qual a dor e a delícia que eu posso suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar tempo ao tempo, tentar esquecer e acreditar que tudo o mais toma o seu lugar no mundo me parece uma atitude bastante alheia. Muito além do alheio que posso digerir. E, desde quando resolvi andar com os pés no chão, mesmo não sabendo muito bem como se faz isso, acredito que nem só de domingos de sol se vive uma vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa chover. Joguei fora meu guarda-chuva pra poder sentir a água gelada na pele. Olhar pra cima, fechar os olhos e lavar o rosto sem a ajuda das mãos. Sem sonhos azuis e cor-de-rosa. Só um céu cinza e chuva. Sentir. Água batendo no rosto. Deixa chover que a previsão é de sol aqui dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-8377344536424085079?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/8377344536424085079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/deixa-chover.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8377344536424085079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/8377344536424085079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/02/deixa-chover.html' title='Deixa chover'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3679851086493917815</id><published>2009-01-25T22:09:00.000-02:00</published><updated>2010-02-13T16:15:05.440-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'></title><content type='html'>Triste. É assim que eu me sinto quando preciso me despedir dos meus sentimentos. Da última vez que nos encontramos talvez eu não tivesse a real dimensão do que se instalaria no meu coração depois de nos despedirmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vontades compartilhadas, os sorrisos trocados, o humor fino e os olhares que se cruzavam e corriam pra se evitar não negavam que o que sentimos um pelo outro, assim que nos vimos, foi identificação. E o que um não tinha se bastava no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, com você eu me senti completa. Nunca ninguém conseguiu me deixar tão a vontade para que eu fosse eu. E eu nunca imaginei que existisse alguém com o seu sorriso. O sorriso que você me deu durante toda aquela última vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não disse, mas eu queria você pra sempre depois de te encontrar pela última vez. Nos meus sonhos você volta pra dividir um abraço e conversarmos rindo, jogados no sofá. A chuva cai lá fora em compaixão a minha tristeza. Me pergunto onde você está que não aqui, do meu lado. Fico me perguntando quando foi que te perdi, mas a verdade é que nunca te ganhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei pouco pra dizer que compreendo, que estamos em diferentes fases de vida. Que você ainda tenta se livrar das cinzas de um incêndio recente da sua alma e que ainda quer acreditar que, com cinzas, se constroi um castelo. Só sei sobre mim. Que estou sentada na janela, vendo a chuva passar. É, parece que nem tudo dura pra sempre. Vai passar. Digo isso com os olhos meio mareados, mas minha alma está tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ter te encontrado pelo menos mais uma vez, pra ter oportunidade de me despedir. Certas coisas, até algumas não começadas, deveriam ser terminadas. Queria saber como você anda, o que tem feito nas suas noites de chuva, nas manhãs de segunda. Se prefere café amargo ou chá. Queria que você se entregasse inteiro, como me entregou o seu sorriso. Mas sei tão pouco... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da última vez que nos encontramos, precisava de mais uma. Não pra dizer tudo que eu não disse, nem pra escutar em palavras o que o silêncio diz. Precisava dos seus olhos sem evitar os meus, pra ter certeza que a última vez que nos encontramos não foi a primeira. E que eu não vejo nada além do que os seus olhos quando você me olha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;[Saudades do seu sorriso, menino desconhecido]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3679851086493917815?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3679851086493917815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/triste.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3679851086493917815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3679851086493917815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/triste.html' title=''/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3817303535881890203</id><published>2009-01-25T01:02:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:04:03.504-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Uma semana depois</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;E pela primeira vez depois de muito tempo, ela disse sim. Sem pensar no que seria, nos porquês, se já conhecia ou se deixava de conhecer. Disse sim a ela mesma. Não fazia mais diferença se os outros entenderiam ou não. Não era questão de entender. Ela só se sentia viva.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Depois de muito tempo ela precisava fazer aquilo por si e não pelos outros. Tomou banho, vestiu um decote, passou lápis nos olhos e calçou sandálias pretas e altas. Aumentou o som do rádio, fechou os olhos e soltou o corpo no ritmo da música que tocava. Ninguém estava vendo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Muitos minutos depois do horário marcado, o telefone tocou. Nenhum nome no visor, só números. Ainda não se conheciam. Ele a esperava na frente do prédio. Ela desceu as escadas devagar, sentindo uma mistura estranha de sentimentos em relação a si e sensações antigas que pareciam novas, depois de quase esquecidas. Desceu as escadas rindo. O que será que era tudo aquilo?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Respirou fundo nos passos que separavam o hall de entrada e o portão do prédio, numa tentativa quase frustrada de disfarçar tudo aquilo que nem ela sabia o que era. Olhou pelo vidro do carro para se certificar que era ele. Sorriu. Sorriram sem se conhecerem. Era ele, ela sabia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entrou no carro, tomou cuidado para não falar sem parar sob o efeito da ansiedade. Ele era mais bonito do que ela imaginou. Conversaram durante todo o caminho. Nunca teve problemas para conversar sobre tudo ou sobre qualquer coisa e mesmo assim parecia tudo diferente. Como se já se conhecessem. Como se… E não se conheciam até então. Como? Só até então.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chegaram. Foram para a fila da balada da moda, onde todos, já na fila, se preocupam só em como alimentar o ego por algumas horas. Ele, preocupado dela não gostar, já que ela gostava mesmo dos bares com mesas na calçada e cerveja gelada com amigos dividindo a vida. Ela, despreocupada. Já se sentia viva e isso bastava.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entraram. Ele perguntou por que ela tinha resolvido ir pra um lugar que teoricamente ela não gostava com alguém que ela não conhecia. Ela riu e respondeu que foi porque ele tinha chamado. Ela só disse sim. Não havia porquês.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Conversaram a noite toda, mesmo com a música alta. Beberam vodka a noite inteira e sorriram a noite inteira. Para eles e por eles. Já se conheciam. Ele contou sobre histórias passadas. Ela falou sobre ela. Sobre o que pensava do que ele contou. Na verdade, ela falou sobre si, só não sabe se ele soube naquele momento. Falou sobre muita coisa que ela não lembra e que o deixaram com os pensamentos embaralhados. E ela só soube porque ele falou: “estou meio atormentado com tudo o que você disse, preciso pensar”. E neste momento ela já não sabia quais as palavras exatas que ela usou, mas não perguntou.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A noite passou rápido a partir disso. Ele bebeu uma garrafa de água e ela, mais uma vodka. E, a partir disso, ela não lembra de mais nada. Voltaram juntos. Conversaram no caminho e ela só lembra dela sorrindo e falando, da música que tocava no rádio e dele prestando muita atenção. Não lembra de nenhuma palavra, só do que passou pela sua cabeça e pelo seu coração.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ele estacionou na frente do prédio dela. Ela se despediu três vezes, que era pra dar sorte. Ele não subiu. Ela desceu do carro rindo. Não precisava disfarçar, estava de costas. Não se beijaram. E a noite foi perfeita. Se conheceram. Era ele.&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3817303535881890203?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3817303535881890203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/uma-semana-depois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3817303535881890203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3817303535881890203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/uma-semana-depois.html' title='Uma semana depois'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5262364847520217485</id><published>2009-01-18T01:04:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:04:57.079-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Se não fosse cômico</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Querido diário, se não fosse cômico, seria trágico. Ainda me surpreendo com certas coisas que acontecem na minha vida. Ainda nesta semana me disseram que eu deveria escrever um livro. Não pela forma bonita de escrever mas pelas histórias que eu tenho pra contar. Se fossem inventadas, não seriam tão criativas e surpreendentes. Ameaço dizer que engraçadas, mas só depois que elas passam.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tudo começou a uns dez dias atrás. Bi bi bi, blá blá blá, tec tec tec. Ele escrevia de uma forma envolvente, parecia tão bonitinho pelas fotos e eu tinha tão pouco a perder. E é nessas horas que a gente esquece do que poderia estar fazendo que se envolve devagar, sem quase perceber. Os dias nublados e sem graça já pareciam quase azuis e eu já estampava um sorriso bobo no rosto. É, acho que no fundo mesmo escolhemos aquilo que queremos acreditar e sentimos só o que desejamos sentir. Pelo menos por algum tempo. Depois aceitamos que doce mesmo é a realidade, com cada uma das suas imperfeições.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não aconteceu quase nada. Só conversas fragmentadas desconexas e textos coloridos dele que eu lia para poder me identificar com flores. Não havia promessas nem motivos para eu me sentir alheia ao mundo preto e branco, da forma que eu estava. O reconhecia a cada frase, no acaso e nas coincidências e ia traçando seu esboço e dando mais vida a ele através da imagem que eu construía.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vamos nos conhecer, um dia. Mas aquele dia, sem data, sem hora nem local me parecia uma promessa vaga diante de uma “possibilidade de amor”. E das nossas pequenas diferenças interessantes, esta foi a que me chamou mais atenção pela incoerência. Não pela discordância entre eu e ele. Mas por ele negar ele próprio, que fazia questão de se mostrar sempre com as janelas abertas. Quase como redenção, foi ele quem falou sobre a noite, a sexta, a estréia e a esquina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Me desesperei. De mais a mais, não queria uma possibilidade de amor com hora, data, assunto e local marcados. Reagi de forma previsivelmente louca, e tratei logo de manter o amor só como possibilidade. Meu medo ainda não conversa com a realidade. Era aquilo – quando passa a existir a mínima probabilidade, vou lá e estrago tudo. Não foi a primeira vez.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu já estava dentro de um buraco com a minha vergonha, dividindo com ela o silencio que falava sobre minhas frustrações e limitações . Não queria remendar os cacos que sobraram. Um remendo geralmente é pior que o estrago. Me retirei a minha insignificância quando, já acostumada aquele cenario, ele me chama.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Suas frases soltas não diziam quase nada de nada. Eu já havia desistido e me conformado. “Melhor mesmo é uma sessão sozinha”, eu repetia para me enganar. E ele ali, mudando os planos que já não existiam mais. Reli o diálogo de frases curtas e desculpas esfarramadas cuidadosamente escolhidas para se mostrarem assim e sorri. Primeiro de uma forma acanhada. Depois ri sozinha, um riso que libertou eu e a minha vergonha do buraco. Brincamos de tentar descobrir qual dos dois sofria mais de delírio e alucinação. E qual das duas reações era mais espontânea e criativa. Ridículas!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em alguns minutos já sentia o tempo, a distância e as diferenças maiores entre nós dois. Certas coisas acabam sem terem começado. Mais uma vez eu estava sozinha. Eu e meu medo. [Que, no fundo, acredito não ter me deixado viver só das possibilidades.]&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fechei as janelas, peguei as chaves e fui assistir a estreia, em outra esquina. Sozinha. Deixei meu medo em casa, já não precisava me proteger. Guardei os detalhes das desculpas esfarradas como os melhores de todos os tempos e fui perseverante com o desespero da minha reação surtada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em casa, depois da chuva que caia na noite quente, sorrio. Dormirei por esta noite.&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5262364847520217485?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5262364847520217485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/se-nao-fosse-comico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5262364847520217485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5262364847520217485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/se-nao-fosse-comico.html' title='Se não fosse cômico'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-4748695612168274039</id><published>2009-01-15T14:51:00.000-02:00</published><updated>2010-02-13T16:15:56.445-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Dia arrastado, madrugada finda</title><content type='html'>Chegou em casa esgotada. Aquele dia começou cedo, com gente demais falando às oito da manhã. Ela só precisava de um banho demorado e um café forte para se sentir viva e recomeçar a semana que já tinha começado. Aliás, ela mal sabia que dia era aquele. Já não conseguia mais viver de noites em claro e amores inventados. Precisava de noites de sono, de sonhos tranquilos e o ombro de alguém para se encaixar e esquecer de tudo, para poder só sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passou arrastado. Em alguns momentos suspirava fundo, lembrando do que não foi e tentando empurrar mais rápido aquele dia que começou cheio de vozes que ainda não haviam se calado. Já estava esgotada antes de chegar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou, tirou as sandálias de salto, se olhou no espelho. Continuava inteira. Sorriu um sorriso espontâneo e lembrou que, apesar de não conseguir mais viver de amores inventados, os adorava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou e saiu. Precisava conseguir viver de outra forma. Um amigo de longa data, uma noite quente, uma mesa na calçada, dois copos para fazer um brinde. Brindaram a vida, os tempos que não voltam mais. Falaram deles, de cada um e dos dois, dividiram e somaram. Chegaram a dividir o sofá para rir abraçados. Tão bom não sentir medo de gostar de alguém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se despediu já quase renovada e se viu sozinha, como sempre pareceu estar. Ainda vivia de amores inventados mesmo sem conseguir. Não conseguiu dormir por mais esta noite. Ficou imaginando em como seria aquele novo amor, que só conhecia por entre as palavras. Imaginou o que sentiria nos seus braços, se beijariam assim que se vissem? Ela não sabia e sorria mesmo assim. Sabia quase como era estar frente a frente com ele, olhar nos olhos, ter seu rosto nas suas mãos, a textura da sua pele. Compartilhar o silêncio e o sorriso. Sabia exatamente como ele a abraçaria pela cintura e a puxaria pra mais perto de ti. Riu um riso quase triste, imaginando que ele talvez nem existisse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou dos seus amores inventados passados e de todos os finais infelizes. Como poderia ser diferente? Ela não sabia responder. Ah, queria tanto não querer... Mas, sem querer, já pensava nele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o sol já ameaçava nascer, choveu. Uma chuva para acompanhar suas lágrimas, pensou. Deitou para dormir algumas horas antes de recomeçar outro dia. Fechou os olhos e prometeu a si que seria tudo diferente. Que viveria para conseguir amar de verdade. Abriu mão da madrugada de brilhos finitos demais para ela e adormeceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desistiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-4748695612168274039?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/4748695612168274039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/dia-arrastado-madrugada-finda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4748695612168274039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/4748695612168274039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/dia-arrastado-madrugada-finda.html' title='Dia arrastado, madrugada finda'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-28096286214480822</id><published>2009-01-11T03:58:00.000-02:00</published><updated>2010-02-13T16:18:12.812-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>...</title><content type='html'>Dos gestos espontâneos, aquele que mais me faz sorrir é o iniciado antes de suspirar fundo e o coração parar de bater. Termina com um ponto, aproveitando o entre-vírgulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas certos gestos espontâneos não passam só de impulsos. Espasmos. Um "buh", bom ou ruim. Que morre no raso e cai no óbvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espontâneo flue, emenda uma coisa na outra, sem quebras e sem quinas. Sai assim, sem querer: sorrindo, vivendo, dançando, abraçando, gerundiando. E leva na valsa qualquer te-re-tê-tê. Não desvia, só improvisa. Dissimula com malandragem, mas é só exclamação. Nada de interrogações e reticências para a espontaneidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora misture o intenso ao espontâneo. Multiplique tudo por cinco, pinte de cores vivas e fortes e feche os olhos para sentir melhor. [Confesso que, nesta parte, respiro fundo e tento disfarçar meu sorriso de culpa e de gosto, típico dos dias em que tento esconder o que eu fiz!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, se você for assim e não souber, desconfie quando quase toda a sua platéia ficar chocada e só um ou dois indivíduos não esboçarem reação. Um deles provavelmente é desligado demais e, com alguma sorte, o outro te entenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demoraria uma vida para tentar descrever todas as formas, texturas, gostos e cores quando se mistura intensidade e espontaneidade. E, ainda assim, eu morreria frustrada. Aceito gostar e ser aquela única pessoa da platéia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não aceito o impulso, o susto e os espasmos. Um suspiro fundo no fim de uma tarde quente, ensolarada e azul. Um suspiro antes da morte. É tão difícil de aceitar, sabia? Diante de todo aquele cenário lindo, a morte. Uma ameaça de coisas boas para nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aceito o não. O sim, eu também aceito. Mas só quando carregam significados, afirmam ou negam seja lá o que for. Qualquer um deles pode fazer doer ou fazer sorrir, para quem diz ou para quem fala. Palavras verdadeiras, curtas. Três letras para cada uma delas e elas podem começar ou destruir um mundo. Intensas. Sim, muito intensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impulsos e espasmos evitam o sim e o não. Evitam endereços certos. Impulsos e espasmos são sempre saudades e nunca um horário para se encontrar. São quase sempre amigos daqueles homens que adoram seduzir. Que falam palavras bonitas e soltas, confundem pensamentos e inflam sensações, roubam promessas de abraços que se tornariam verdadeiros, que fazem por impulso. Depois disso, acaba. Se esvai. Como se tirassem o som no melhor da festa. E o impulso, que no começo parece intenso, é quem mata a espontaneidade, não deixa ela acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos medos sufocam a intensidade, fazendo-a impulso e morte da espontaneidade. Muitas pessoas preferem o silêncio a dizer sim e não. Eu prefiro o não e o sim. Mesmo que existam aquelas tais mudanças no meio do caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca quis num minuto e depois não quis mais? Quem nunca pediu uma cerveja e, quando ela chegou, percebeu que precisava mesmo era de uma vodka?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por dizer sem querer que queremos o que nunca quisemos, o que mostramos(por impulso e por vaidade), é óbvio, se torna raso. Toda a beleza que as vontades tentaram mostrar se esvai. Por espontaneidade insuficiente de dizermos o que sentimos. E por separar tanto o que já me confundiu, assim que te senti, mesmo sem te ver, tive certeza: "primeiro eu quis e depois não quis mais tomar uma cerveja. [Mudei de idéia, minha flor!]."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por saber que não iria escutar, mudei de idéia eu. Pra você poder não se tornar óbvio e nem me assustar, num impulso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-28096286214480822?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/28096286214480822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/28096286214480822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/28096286214480822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/blog-post.html' title='...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-1383459262286653383</id><published>2009-01-11T01:04:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:06:09.962-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Vestindo meu melhor sorriso</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Noite de ontem, insônia. Olhei em volta tentando identificar algo fora do lugar. Já terminava uma semana assim. Nada em volta parecia ser motivo ou desculpa para roubar-me tanto. Criei coragem, fechei os olhos e olhei pra dentro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ameacei abrir os olhos para deixar de ver. Resisti até tornar-se quase insuportável. E, nesse momento, permaneci de olhos fechados. Ah, o insuportável! Como eu precisava dele…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Durante algum tempo vivi meus dias para organizar meus sentimentos. Discuti muito as minhas relações internas. Olhei cada pedacinho de mim com cuidado e até criei um certo carinho por eles. Me livrei de mágoas e rancores que sujavam as minhas cores. Apesar que nunca fui muito de mágoas e rancores. No fundo, só me sentia cheia de entulhos, de coisas desorganizadas e mal resolvidas. E cismei que eu teria que organizar e resolver cada uma delas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A cada uma das minhas inseguranças eu dei um nome. Talvez como quem busca ter domínio sobre elas. Dobrei bem pequenininho cada um dos meus amores mal resolvidos e os guardei, empilhados, debaixo da cama, bem lá no canto. Fora do meu campo de visão. E em cima da pilha colei um post-it verde limão escrito “arquivado”. Acendi uma vela para os meus fantasmas e pintei as paredes do meu quarto de branco. Tirei o pó dos móveis e estiquei s rugas da minha alma, recém chegada da lavanderia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Frequentei as sessões de terapia religiosamente. Toda santa-quinta. Aceitei que nenhum emprego deve ser assim tão legal, já que deve ser um pouco difícil te pagarem bem pra te verem feliz.Me matriculei na academia. Já me olhava no espelho com certa vaidade e um sorriso educado e abafado no rosto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chorei algumas vezes por encontrar lugar algum para certas vontades, sensações, anseios. Algumas vezes parecia que faltava espaço dentro de mim praquilo tudo. Mas nada como priorizar certas coisas e abafar outras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pronto. Nada fora do lugar.  E me vi ontem com insônia depois de toda uma semana assim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando fechei os olhos vi exatamente assim: nada fora do lugar. Não faltava nada. Parecia que cada parte minha estava encaixada perfeitamente, sem frestas. E estava tudo tão fosco. Tão exatamente cada qual no seu cada qual que não me reconheci. Paralisei diante da irrealidade que eu havia me tornado. Percebi o quanto, agora, eu tinha medo de tocar tudo aquilo que construí. E o que restava era medo de estragar o que eu tinha demorado tanto para colocar no lugar. Sem frestas, não sobra espaço para dilatar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Diante daquela sensação de sufocamento, fiquei ali, de olhos fechados por um minuto. Chorando lágrimas delicadas. Já não sabia deixar transbordar, chorar soluçando, viver o caos que durante muito tempo atrás eu chamei de meu. Eu queria o meu caos de volta. Era dele que eu precisava para que aquelas noites de insônia fizessem sentido. Queria ter a certeza do meu sorriso no outro dia quando, depois das poucas horas dormidas, eu acordava com a sensação leve de ter passado por tudo aquilo e continuar ali. No fundo, eu gostava de me reconhecer no exagero de uma noite transbordada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chorava um choro abafado. E percebi quanto tempo sorri abafado também.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Conforme conseguia me manter de olhos fechados, olhando para tudo aquilo separado por cores, tamanhos e tipos, em ordem alfabética sem sentido, comecei a organizar tudo, de forma bagunçada. Eu sempre preferi as cores misturadas e olha o que eu tinha feito comigo! Me vi num mundo monocromático, colorido só em tons pastéis degradés. E eu sempre gostei de vermelho, azul turqueza, verde bandeira, amarelo ouro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fui tirando tudo do lugar, abrindo frestas, deixando espaços abertos. Desdobrei meu caos e o pendurei na parede e do lado escrevi “aqui jaz o branco”. Misturei as cores de novo. E dormi.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acordei e lembrei de ter soluçado baixinho na noite anterior. Transbordado. Sorri decidindo que as manhãs das santas-quintas serão só para curar minha ressaca, seja do que for. Chega de tentar entender tudo sempre, banalizar a minha loucura e enaltecer a mediocridade da normalidade. Não sou eu quando sou assim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A minha bagunça já não é a mesma de antes. Cheguei a jogar certos textos, pretextos e sentimentos quando resolvi acreditar que o meu mundo deveria ser branco e rosa. Mas o vermelho, o azul turqueza, o verde bandeira e o amarelo ouro já pintam as minhas paredes. E no chão encontro certos gestos de melancolia que pisarei de vez em quando.Por felicidade ou rancor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Rasguei todos os manuais. Vou aprender vivendo. Não quero aprender nada antes pra viver depois. Sou o tipo de pessoa que dá a cara a tapa e não liga de conviver com o seu hematona por algumas semanas caso leve uma surra. Eu ainda gosto de sair na chuva e sentir na pele a chuva em mim. Olhar pela janela já não tem mais graça. No outro dia vem o sol e seca tudo, não tenho medo. E molhada, o sol será mais quente pra mim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu preciso chorar de soluçar as minhas insônias. Transbordar. Isso pra mim é viver.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tanta segurança me engessou. Paralisou o meu sorriso. Desacelerou o sangue vermelho vivo das minhas veias que faziam pulsar meu coração. Da janela, a chuva não é tão fria e muito menos, o sol tão quente. Não nasci para separar o mundo em certo e errado. Nem pra colocar sentimentos em ordem alfabética. Eu vivo de muitos exageros e certos cuidados me bastam. Eu gosto de dançar na sala de casa, ou na praça ou na rua, no improviso, ao som que o mundo me oferece. Me mata pensar em dançar uma valsa num salão onde todos vestem traje de gala, tão iguais a passos ensaiados.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acordei e saí. Fui viver. Segura só de que meus dias seriam, a partir de então, vividos em cores vivas. Acordei e saí. Vestindo meu melhor sorriso.&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-1383459262286653383?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/1383459262286653383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/vestindo-meu-melhor-sorriso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1383459262286653383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/1383459262286653383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/vestindo-meu-melhor-sorriso.html' title='Vestindo meu melhor sorriso'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-5078149098250213586</id><published>2009-01-10T01:06:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:07:27.040-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>E bem de vez em quando...</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Bem de vez em quando, você me visita nos meus sonhos. Cruza meus pensamentos. Rápido. Questão de milésimos de segundos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez por tudo que não foi, pelo que tanto quis. Talvez não. Talvez não seja pelas fantasias não vividas. Talvez seja só pelo gosto do seu beijo que eu ainda não esqueci. Cada um deles. Cada vez que não me deixavam pensar em nada e só viver cada momento em cada centímetro do seu corpo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas se eu tivesse que apostar em um por quê, resumir em uma só palavra, em um substantivo concreto, eu diria: seu rosto. Não pelos traços, nem pelo sorriso e pelos olhos. Nem pelo conjunto. Mas pela sua barba por fazer, que você sempre achou que me incomodava.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em cada um dos milésimos de segundo sinto por um minuto inteiro minha espinha arrepiar da cintura a nuca. Endireito a postura e ainda tem dias que fecho os olhos e enclino a cabeça devagar pro lado esquerdo, como quem espera você chegar mais perto, a ponto de sentir a sua respiração levemente mais ofegante. Meu pescoço se confundindo com a sua boca, antes das nossas bocas se juntarem numa coisa só. E era só o início de tudo. [Um beijo no pescoço nunca para num beijo no pescoço!]. Questão de pele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A sua barba por fazer me fazia cócegas. Eu arrepiava, me sentia mais leve. E sorria. [Como estou sorrindo agora, nesse milésimo de segundo].&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não é história mal resolvida. Já me livrei de certos fantasmas. Quase não sinto mais todas as borboletas no estômago que você me trouxe. Já existem poucas. Mas vira e mexe elas brincam e me confundem com o azul e lilás das suas cores. Cores vivas [suspiro eu!].&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Já não restam palavras engasgadas. Escrevi todas cada vez que me sufocavam. E você se afastava devagarinho cada vez que isso acontecia. Pra não me machucar, você me disse algumas vezes. É, você nunca mentiu pra mim. E hoje cada qual está na sua dimensão exata. Me sinto bem nessas suas ausências eternas. Já nem acho que seríamos perfeitos juntos. Já fomos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas bem de vez em quando, você ainda me visita. E eu abro um sorriso nesses milésimos de segundo que são seus. Nossos. [E isso, você não me tira].&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;Saudades dos nossos silêncios compartilhados, madrugadas atravessadas e pernas trocadas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-5078149098250213586?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/5078149098250213586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/e-bem-de-vez-em-quando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5078149098250213586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/5078149098250213586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/e-bem-de-vez-em-quando.html' title='E bem de vez em quando...'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-3356905820328937079</id><published>2009-01-05T22:20:00.000-02:00</published><updated>2010-02-13T16:19:22.459-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><title type='text'>Para você</title><content type='html'>E te ofereço todo o meu vazio. Não aquele que enloquece, que entristece. Que faz com que eu me perca entre o "se", o "quase" e o "talvez". Não o vazio cheio de dúvidas e de incertezas. Não o meu vazio ausente de significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te ofereço todo o meu vazio que encontrei. E que nunca busquei. O limpo. Límpido. Cheio. O que falta mágoas e ressentimentos. Aquele que varri tudo aquilo que me sobrava, que preenchia com fotos rasgadas. Fatos distorcidos, diminuídos em seu exagero. Toda a consequência dos dias vividos e remexidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não nos encontramos. Sequer nos conhecemos. Mas este será o meu presente. Todo o meu vazio, que sequer ansiei. Um vazio que não se enxerga, mas sabe-se lá. Aqui. Que me preenche da forma mais simples e singela. Se sente. E aumenta. Não se explica nem se entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase paz, não chega a ser minha calma. Talvez ainda não tenha transcendido meu vazio, que quase não cabe em mim. Por isso te entrego. Te dou de presente. Me dou. Em toda finitude sem fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te entrego. Mas já te aviso que meu vazio não vai aos pedaços. É inteiro. Indivisível. Completo. Basta em si. Todo ele que consegui assim, sem querer. Preencheu sem completar. Pois não veio em partes. Um vazio todo composto por nada. O nada mais lindo que já senti sem entender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entrego a você. Que não conheço. Nem nunca vi. Só sei que sinto. A você que sorri com os olhos e, com todas as cores, muda meus sentidos sem mudar os significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você, capaz de afirmar que, de vazio mesmo, ele não tem nada. A você que não o enxerga, mas acredita. E me sente, sem querer. E que seria incapaz de me separar do meu vazio. E que se basta com ele. Me basta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma. Ele é teu. Para você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-3356905820328937079?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/3356905820328937079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/para-voce.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3356905820328937079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/3356905820328937079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/para-voce.html' title='Para você'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-6550435189567238941</id><published>2009-01-04T01:08:00.000-02:00</published><updated>2010-02-14T01:09:10.719-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>Meu único desejo para 2009</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;      &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Sou bastante aversa a fazer planos nas viradas de ano. Apesar que, mesmo a contra-gosto, resolvi repensar um pouco nessa coisa toda esse ano e fiz um único desejo. Só um. Todo o resto eu vou resolvendo. O que eu quero, pra onde eu vou, se é que não fico. Conforme as folhinhas do meu calendário forem sendo arrancadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quero esquecer todos os meus desamores. Aqueles amores vencidos. Vividos pela metade. Pela minha metade. Aqueles amores que passam pela sua vida e parecem que nunca vão embora. Continuam ali, meio que remexidos. Amanhecidos, feito pão de ontem. Meio esbranquiçados, sem muito gosto. Que você pega quando tem fome e que, no fundo, não mata a fome nem tira aquele gosto de ressaca da noite anterior.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu sempre tive uma quedinha por certas coisas mal-resolvidas. Sempre deixava a porta mal fechada. Um sofrimento em vão. Que não dói, só incomoda. E é como certos vícios. Você sabe que faz mal, as pessoas que cultivam um carinho sincero por você te avisam que faz mal, mas você mantém. Eu mantenho. Tenho a sensação de precisar desses desamores pra me sentir viva. Saber que eu continuo sentindo algo. Que não estou morta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E, sendo assim, meu desejo para 2009 é morrer. Sentir o nada. Quero o nada de dor, de incômodo. Quero o vazio. Deve ser difícil para quem viveu boa parte da vida cultivando o pouco. Comendo o pão amanhecido [e as migalhas!]. Mas quero sentir todo o meu vazio. Fechar minhas portas, janelas, telhados e varrer tudo que ficou dos anos anteriores.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;2008 passou e eu sobrevivi. 2007 foi um ano de cão nesse quesito. Bati meus recordes. Comi o pão que o diabo amassou, depois de 1 semana assado. E foi bem pior que pão amanhecido. Namorei um traste que até bem pouco tempo atrás eu ainda acreditava ter me ensinado alguma coisa. Pois é. Precisei me amarrar na frente do espelho e me forçar a enxergar que eu aprendi sozinha e que ninguém me ensinou nada coisa nenhuma. Juntei meus caquinhos até conseguir admirar o mosaico que se formou com todos eles. Minha avó bem dizia: “menina, você precisa se dar valor”. Pois é, vó. Demorou, mas eu estou começando a entender o que é que tinha atrás desta frase que sempre me pareceu banal e repetitiva. Mas ainda tenho um looongo caminho pela frente. Infelizmente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chegou 2008. Não pedi nada. Não me esforcei pra nada. Ou melhor. Olhei pra todas as outras partes da minha vida. Mudei de emprego, reatei amizades. Cuidei do meu corpo e da minha alimentação. Li muitos livros. Vi todos os filmes que tive vontade. Vivi minhas loucuras. Me aceitei nas diferenças. Fui segura de mim. Revisitei minhas características peculiares. Ri e chorei sozinha. Tomei alguns porres. De birita, de felicidade, de paixão e de tristezas profundas. E fui levando de desamores em desamores. Amores vazios.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;De certa forma, fiz questão de não ter perspectivas. Aparentemente. No fundo, acreditei que tudo seria diferente com cada pessoa que cruzou meu caminho. E hoje me admira ter feito isso. Eu que sou tão cética. Seca. Que gosto tanto das coisas fundamentadas em bases sólidas. Só não chego a ser contraditória pois acreditei tanto no que não foi dito que me bastava acreditar por acreditar. Criei todas as minhas verdades. E fingi que não estava nem aí. Que estava tudo bem e era tudo muito bom para todos os meus pseudo-amores. Como se eu me bastasse. Como se…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Claro que hoje já sei que vivo muito bem sozinha, obrigada. Que minha felicidade e loucura não depende de nada nem ninguém. Não sou mais aquela menina que cruza os dedos e fica esperando a tampa da sua panela. Aquele cara que aparecerá de all star, cabelos bagunçados e que goste dos meus livros e interprete filmes e textos da mesma forma que eu. Mas de certa forma eu enxerguei tudo isso e mais um pouco nas pessoas erradas. Nas que eu escolhi durante o ano passado. Talvez todos eles tivessem um pouco de tudo isso. Mas ainda faltava tanto… Mesmo já sabendo que eu me bastava, esperei certas coisas de quem não tinha nada a me ofercer. Ou tinha muito pouco.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entre a ressaca deste Natal e do Ano Novo, conversei com um dos meus desamores sobre o que parecia não ter muita relação com tudo isso. Pois é. Desses desamores, conversava com todos, até hoje. De certa forma, esse jeito cortês e educado de dizer que as coisas acabaram é só um disfarce pobre de se manter certo tipo de relação. “Tudo terminou, até o que não foi começado. Fiquei em cacos 1 semana e agora somos amigos”. Não éramos amigos até então. De onde veio toda essa amizade? Hoje vejo que perdi energia e espaço na minha vida pras reais coisas que não aconteceram no momento em que destinei espaço pra tudo aquilo que nunca deu certo. E logo eu que aprendi ainda no primeiro semestre da faculdade que os recursos são escassos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Conversando com um entre tantos dos meus desamores, ele me disse que entre todos, eu tinha me apaixonado por ele porque eu sabia que ele poderia ser tudo aquilo que eu esperava de alguém. Cheguei a concordar com ele. Mas é aquele ditado: “de boas intenções o inferno tá cheio”! Cansei de ter vocação para caça talentos. Projetos mal acabados de homens para estar do meu lado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E eu que sempre gostei das reticências, escolhi o ponto final para dar sentido pra 2009. Se não quero mais amigos? Claro que sim. Mas amizade se começa de uma forma diferente. Não acho que todos os homens das minhas relações que foram sendo levadas em banho-maria são descartáveis. Eles seriam ótimos amigos se não tivessem ocupado outro papel na minha vida. Já tive um teretetê dos bons com muitos dos meus amigos. Esses continuam amigos até hoje. Mas não é deles que eu estou falando. E eles sabem. Mas os outros nunca foram. Não nasce uma amizade de um relacionamento superficial. Já até cheguei a acreditar nisso. E hoje me parece algo como “finge que você diz a verdade que eu finjo que eu acredito”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não sou o tipo de pessoa que guarda mágoa. Eu prefiro perdoar, sempre. Só acho que agora eu preciso ME perdoar. E fazer as coisas por mim. Tentei sempre agradar a todos, ser A civilizada. Educada. Cortês. Fazendo as coisas pelos outros. Levando. E esqueci de mim. Não parei pra pensar no que preenche meu vazio. No que me alimenta. E fui vivendo de pão amanhecido [e de migalhas].&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sempre acreditei nas boas intenções que só se mantiveram como ótimas boas intenções. Agora, só quero acreditar vendo. Vendo, sentindo e vivendo. E quero, antes, viver meu vazio. Andar no chão mesmo que outras pessoas tentam me fazer acreditar que, nessas circunstâncias, é melhor andar em cima do muro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quero queijo no meu pão, por favor. Pão de hoje.&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6723285162492175369-6550435189567238941?l=maricotiando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://maricotiando.blogspot.com/feeds/6550435189567238941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/meu-unico-desejo-para-2009.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6550435189567238941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6723285162492175369/posts/default/6550435189567238941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://maricotiando.blogspot.com/2009/01/meu-unico-desejo-para-2009.html' title='Meu único desejo para 2009'/><author><name>Mari Hauer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11504642390748352722</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_tPiwEHqJHQo/TEH3lbNZq1I/AAAAAAAAAmo/9RZoe-0qM8c/S220/DSC00368.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6723285162492175369.post-2606328574230872950</id><published>2009-01-03T14:34:00.000-02:00</published><updated>2010-02-13T16:23:42.352-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cotidiano'/><title type='text'>E agora?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LV0cUEvvA_A/SV-YuEFQ0_I/AAAAAAAAAB4/tdPM_Ludeoo/s1600-h/DSC00166.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LV0cUEvvA_A/SV-YuEFQ0_I/AAAAAAAAAB4/tdPM_Ludeoo/s320/DSC00166.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287112404693472242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora que eu voltei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Mas não queria...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008 terminou. 2009 começou. E já são 3 dias riscados na folha do calendário. Pulei as sete ondas. Não fiz nenhum pedido. Deixo que 2009 e eu entramos em acordo conforme os dias se passam. Vamos negociar um dia de cada vez. É melhor assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expectativas levam a alguns lugares. A frustrações, com certeza. Me bastam alguns quereres, vontades e certezas na vida. Independente de sair dezembro e entrar janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pessimismo nada tem a ver com tudo isso. Hoje só prefiro um dia de cada vez. Gosto do feriado, dos fogos, de brindar o novo ano. Gostei especialmente deste ano. De pisar na areia e lavar os pés com sal grosso natural. Sentir cada abraço dos 42 que senti. Nenhuma boca. Amanhecer descalça longe de casa. Independente de acreditar ou não no tudo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso, acredito sempre. Um dia de cada vez. Balanços diários. Deve ter a ver com cautela. Falo em meses, no máximo. Cada ano é muito longo pra tentar re
